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Notícias do Tiroteio

  ontem hoje e sempre

 


     RIO DE JANEIRO|BRASIL


     do zinco à alvenaria 

  da malandragem à safadeza

      ÓPERA DO MALANDRO

          & à fuzilaria das cidadelas 

  do “crime organizado”



1900 - 2025

   Rio, 5-565-1000-1700 vezes favela


  ERA UMA VEZ A DELICADEZA

 

   da mineira à milícia

  ... facções arrastões bondes motoristas de vans milícias...

 

 

     ciberzine & narrativas de james anhanguera

 

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Rio de Janeiro Notorious

                                                                                      

Jobiniana       Era Uma Vez Uma Cidade      Desconc/serto Carioca

    

trechos de        a ESTreLa SoBE

   de MÚSICA DO BRASIL DE CABO A RABO

       

 

violência no quarto dos fundo


-   

  Das Drogas e Prisões


  Breve História (do Uso) das Drogas 

da Antiguidade a Aldous Huxley

seguida de Breve História (do Uso) das Drogas de Aldous Huxley aos nossos dias


Notícias do Tiroteio

ReVisão do Paraíso

Jobiniana - Era Uma Vez Uma Cidade

Rio, 526 Vezes Favela

Notícias do Tirocínio

Os manu vão mi pegá, manu

Diário de bordo do acuado na Boca do Lobo

Subúrbia, Miséria & Sangue

A guerra dos branco e dos preto

Rio Notorious

James Anhanguera       

Rio de Janeiro, Bagdá, 2004

         Rio de Janeiro, Salvador,  Bragacolá, 2026                         

 


       Paupéria: uma região de parcas pecúnias de Pindorama, isto é,         

a terra das jussaras, das íris, das pupunhas, dos licures e dos      

babaçus. Paupéria: miserabilismo terceiro-mundista. Pindaíba.

(O Terceiro Mundo, essa cilada conceitual.) Paupéria:          

    inversão  cinza e sistemática do baudelairiano convite à viagem:

onde tudo não é senão desordem, feiúra, pobreza, inquietação e

 antivolúpia: tristeresina total.                                                        

                                        Waly Salomão – Cave, canem, cuidado com o cão

                    folha de São Paulo/caderno Mais! 5 de novembro de 1992


         




     



                             

                             

                              
                               
                                


                                               




 
 

                                                   
 

 






     

A sede do BOPE - Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro
com o símbolo da caveira herdado do Esquadrão da Morte
 domina a favela no bairro do Catete, centro da cidade do Rio de Janeiro, qual castelo ou casa forte medieval



 
expansão de facções do Rio de Janeiro para Norte e Nordeste anos 2000-2020






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Rio, 526 Vezes Favela

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A guerra dos branco e dos preto

Rio Notorious

James Anhanguera                

Rio de Janeiro, Bagdá, 2004

               Rio de Janeiro, Salvador,  Bragacolá, 2026                         

 


    Paupéria: uma região de parcas pecúnias de Pindorama, isto é,   

a terra das jussaras, das íris, das pupunhas, dos licures e dos      

babaçus. Paupéria: miserabilismo terceiro-mundista. Pindaíba.

(O Terceiro Mundo, essa cilada conceitual.) Paupéria:              

inversão  cinza e sistemática do baudelairiano convite à viagem:

onde tudo não é senão desordem, feiúra, pobreza, inquietação e

 antivolúpia: tristeresina total.                                                                

                                          

                       Waly Salomão – Cave, canem, cuidado com o cão

            folha de São Paulo/caderno Mais! 5 de novembro de 1992





   
2000 - 2026   

           

 Rio 40º
DA NAVALHA AO DRONE EM 60 ANOS


     África conflagrada de norte a sul por conflitos étnicos e religiosos ou de natureza econômica neocolonial.
       América Latina conflagrada pelo subdesenvolvimento e dependên-
cia neocolonial, que abastece o mundo de produto primário, com a maioria da população favelizada.

      o filme Rio 40º, de Nélson Pereira dos Santos, de 1954, é um marco antecipador de todos os cinemas novos e o primeiro levantamento sociológico do fenômeno da ocupação do solo urbano, suburbano e rural e sua exploração pela usura, na época em grande expansão enquanto um plano de desfavelamento do entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul do Rio de Janeiro, provoca a remoção da população favelada para a Baixada Fluminense, onde o governo construiu conjuntos habitacionais de baixa renda. Passada uma década aparece uma espécie de sucessão do filme de Santos, cinco curtas de diferentes autores amarrados pelo título Rio, 5 vezes favela, ainda no mesmo tom, porque naquele tempo o fenômeno crescente da expansão das favelas era ainda parte do folclore da marginalidade urbana de uma grande cidade que paria favelas e samba.
A favela romantizada de Chão de Estrelas, de Sílvio Caldas-Orestes Barbosa, e da Sinfonia do Rio de Janeiro, de Tom Jobim-Billy Blanco  - se na roupa mal-vestido, Deus te fez o escolhido pra fazer samba melhor - levando alegria para o asfalto, é coisa do passado. Vinte anos depois temia-se que a favela invadisse o asfalto numa sublevação, o que de certo modo sucedeu com arrastões de assaltantes da Zona Norte Zona Morte e periferia que varreram as praias da Zona Sul, com a chamada burguesia se refugiando atrás das grades.
Enquanto isso a Penitenciária Lemos Brito, em pleno centro do Rio de Janeiro, torna-se arquiobsoleta e no fim da década de 1980 a elite do crime é transferida para a prisão de segurança máxima de Bangu 1, na Zona Oeste.

      

A urbanização acelerada do país faz com que nos anos 1970 as manchas de favelas sejam bastante visíveis e o crime organizado a partir das cadeias e em número crescente de favelas expande-se da seminal Falange Vermelha e se associa ao cartel de Medelin para abastecer de pó o povo do Rio de Janeiro, predominantemente os bacanas da Zona Sul, com maior poder de compra.


O clima torna-se sempre mais pesado e a partir de 1990 o Rio de Janeiro é cenário de sucessivas chacinas, a começar pela da favela de Acari, quando 11-menores-11 desaparecem das vistas de todo mundo, e parece atingir o ápice entre julho e agosto de 1993, quando em frente à igreja da Candelária, em pleno coração da cidade, sete crianças e adolescentes são mortos, e na favela de Vigário Geral, com 21 mortos, em um e outro caso por policiais militares.

O governo federal, a pedido das autoridades locais, decreta estado de emergência no Estado do Rio de Janeiro e mobiliza um contingente de quatro mil soldados que, entre 1993 e 1994, em duas operações, invade  e ocupa alguns dos principais palcos da guerrilha animada pelas organizações do crime, que deixam (momentaneamente, como se verá depois) de controlar território e populações. É quando nasce a utopia da urbanização (e já tardia ocupação pelo Estado) das favelas, a que se chamou favela-bairro, retomada quase 20 anos depois com o também malogrado projeto das Unidades de Polícia Pacificadora - UPP
Muitas dezenas de milhar de pessoas enchem a Avenida Rio Branco em manifestações tingidas do branco da paz - mas quedê ela?

Uma pouca vergonha.

Dois relatos a quente de James Anhanguera do descalabrado no Rio de Janeiro em 1993:


                           por aqui do complexo da Penha



A "Chacina da Candelária" além do sensacionalismo e das declarações de circunstância 
(25 de Julho de 1993)

A chacina de sete criancas e jovens em frente à igreja da Candelária, no Rio de Janeiro, na madrugada de sexta-feira, tende a passar à história como mais um deplorável episódio da barbárie brasileira que não foi punido.

Quando a poeira do tempo assentar sobre as parangonas sensacionalistas dos orgãos de informação e as declarações oficiais e extra-oficiais de circunstância - com manifestações de pesar pela ocorrência e exigências de puniçao rápida e exemplar dos culpados - os "mortos da Candelária" poderão não ser mais que um número estatístico.

São mais sete vítimas da injustiça - ou oito, já que um sobrevivente continua em risco de vida - a juntar-se aos 53 mortos no naufrágio do "Bâteau Mouche", no réveillon de 1989, ao "mártir da Amazónia", Chico Mendes, morto no Natal de um ano antes, aos 11 "mininos" de Acari, no subúrbio do Rio de Janeiro, "desaparecidos" em 1990, e à mãe de um deles, que insistiu em ver os hipotéticos assassinos do filho na cadeia e foi morta em Janeiro. Ou aos 111 cadáveres de presos baleados na Casa de Detençao de Carandiru, em São Paulo, em Outubro de 1992.

Tragédias que deram a volta ao mundo nas primeiras páginas dos jornais e chamadas principais dos noticiários de rádio e tv como crimes "bárbaros", "hediondos", e que a seu tempo provocaram pungentes manifestações de protesto pela falta de respeito aos valores humanos e de justiça no Brasil.

Passados alguns anos nao foi todavia apurada a responsabilidade por quase todos eles e os condenados pelos outros não foram presos ou escaparam da prisão.

O Brasil é, hoje, um país cujos orgãos soberanos e instituições públicas não são levados a sério precisamente porque, além dos discursos de circunstância, as autoridades não demonstram o mínimo empenho na defesa das mais elementares regras de equidade e justiça.

Quem, superando a comoção pela crueldade do ato, fez uma análise "a frio" da "chacina da Candelária" - apenas mais um reflexo da hecatombe social brasileira - logo concluiu que os culpados pelo extermínio à queima-roupa de um grupo de crianças e jovens (chamados "pais de rua") não serão descobertos ou, então, nunca serão punidos.

Ocorrências como a fantomática fuga à polícia do empresário "Pc" Farias - o presumível "cérebro" do "Collorgate", alvo de um mandado de captura por não pagar impostos sobre a sua fortuna - acabam por servir apenas para reforçar o ceticismo com que alguns ativistas dos direitos humanos estão a encarar as diligências para identificar e punir os culpados por mais esta tragédia.

Para eles, a nota em que, "como pai, como homem e como presidente", Itamar Franco declarou ter ficado "horrorizado" com a notícia da chacina e informou ter ordenado ao ministro da Justiça, Maurício Correa, que acompanhe de perto as investigações, não passou de um gesto de protocolo.

Partem do princípio de que o choque manifestado e o empenho demonstrado pelo atual presidente nao é maior nem menor do que o de outros em situações análogas e pouco ou nada contribuirão para solucionar o caso ou pôr cobro à dramatica condição da infância desvalida no Brasil.

O ceticismo realista de uma considerável fração dos "formadores de opinião" brasileiros ou ativistas dos direitos humanos baseia-se na própria forma como os autores da chacina atuaram, alguns com os rostos descobertos, numa clara demonstração de que confiam na impunidade.

Ações como a do grupo de extermínio da "turma da Candelária" - presumivelmente integrado por agentes da Polícia Militar - são consequência da falência do Estado, através da Justiça e demais instituições, da ignorância de grande parte da população e da paranóia em que vivem as suas camadas médias pela crescente onda de violência que leva cidades como o Rio de Janeiro a ostentar estatísticas mais hediondas que as das guerras do Vietnã, do Líbano ou da Bósnia-Herzegovina.

Segundo o Centro de Articulacao das Populações Marginalizadas (Ceap), entidade não-governamental, metade das 4,2 mortes violentas de meninos de rua registadas diariamente no Brasil, numa chacina cotidiana, são cometidas por soldados da Polícia Militar.

320 "pivetes" foram mortos no Rio nos primeiros cinco meses de 1993, contra 424 em todo o ano de 1992.

Nesse período - afirmam outras fontes -, os meninos ao desabrigo não terão morto mais de uma dezena de pessoas.

Desde quarta-feira, 21 de julho, 15 soldados e agentes das Polícias Civil e Federal do seu estado foram acusados de participação em crimes hediondos, cinco dos quais de extorsão dos sequestradores do empresário português José Alves Lavouras, que apareceu morto em Maio.

A falta de confiança nas corporações policiais brasileiras mantém perfeitamente atualizado um famoso samba de Chico Buarque em que, face a chegada a sua casa de uma patrulha da polícia, o anti-herói implora à mulher: "Chama o ladrão! Chama o ladrão!".

Os grupos de extermínio são sustentados por comerciantes e industriais de hotelaria e turismo numa campanha de largos anos de substituição das autoridades constituidas para "limpar" a imagem de megalópoles mergulhadas no caos social, como o Rio de Janeiro e São Paulo.

Para o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, "uma parcela significativa da sociedade" defende o extermínio das crianças e adoslecentes que moram nas ruas do Brasil, vivendo de biscates ou de expedientes ilícitos, como pequenos furtos.

Uma estação de rádio recebeu 23 telefonemas de ouvintes durante uma emissão sobre a "tragédia da Candelária", poucas horas após a divulgação da notícia - todos de apoio ao extermínio.

Dizem as estatisticas que, dos 60 milhões de crianças e jovens brasileiros de até 17 anos, 34 milhões vivem na pobreza e 18 milhões em núcleos familiares que sobrevivem com até 1/4 do salário mínimo (ou cerca de 20 dólares mensais).

Muitos deles, como a maioria das vítimas da Candelária, preferem as ruas a ambientes familiares extremamente degradados, onde são as principais vítimas de violências.

Apenas 20 por cento das crianças que entram para o primeiro ano de escolaridade no Brasil concluem a instrução primária.

Segundo especialistas como Gilberto Dimenstein, autor do livro "A guerra dos meninos", a falta de educação é uma das armas fundamentais da elite brasileira na luta pela manutenção das suas regalias.

Sem educação, não se tem consciência do direito de cidadania. Sem cidadania, não há reivindicação, o que leva a questão ao seu ponto fulcral, no ponto de vista da pedagoga portuguesa Ana Filgueiras, presidente do Centro Brasileiro de Defesa da Crianca e do Adolescente: a crise brasileira nao é apenas económica, mas sobretudo ética, e nada mudará sem uma maior participação da sociedade civil nos jogos de poder.

Todas as vítimas dos exterminadores da Candelária eram negros, o que levou alguns comentaristas internacionais ao exagero de denunciar um processo de "limpeza étnica" também no Brasil.

É, no entanto, de bradar aos céus que a maior parte da massa de dezenas de milhões de gente paupérrima no Brasil seja constituida por negros descendentes de escravos libertados há pouco mais de um seculo apenas para que constasse, continuando a ser vítimas de um outro tipo de escravidão, como "capachos" na escala sócio-económica. Não é de hoje que se denuncia, no Brasil, um sistema onde a Justiça só funciona contra os pobres.

O mais provável, portanto, é que passado o clamor sensacionalista e hipócrita dos media sobre a "comoção" pública causada pela "chacina da Candelária", da tragédia de sexta-feira só venha a restar a lembrança das imagens dos "moleques" sobreviventes envoltos em cobertores para não serem identificados e punidos pelos exterminadores.


  Chacina de Vigário Geral 29 de agosto de 1993

(rio de janeiro© brasil) - risco de novo incidente após duaschacinas em favela do rio de janeiro rio de janeiro 30 ago - a situação continua tensa nas imediações da favela de vigário geral, no suburbio do rio de janeiro, após a chacina de pelo menos 21 pessoas na madrugada de hoje. populares revoltados com o massacre mantêm-se concentrados numa praça localizada a meio quilometro da favela exigindo justiça e reagindo com violencia à chegada ao locaì de representantes das autoridades, nomeadamente da policia militar, a cujos elementos os moradores atribuem a responsabilidade da chacina. varios ônibus e barricadas com pneus bloqueiam o trafego automovel entre os municipios do rio de janeiro e de duque de caxias enquanto agentes da policia ferroviariá tentam desimpedir a via ferrea que liga as duas cidades. segundo moradores, por volta da meia-noite de domingo cerca de 50 homens armados invadiram a favela incediando "trailers" e arrombando casas, deixando pelo menos 21 mortos, entre os quais velhos, mulheres e criancas. suspeita-se que os responsaveis pela chacina agiam em represalia contra a morte, na vespera, no mesmo local, de quatro policiais militares por um grupo de homens que pertenceriam ao bando de flavio pires da silva ¬ o "flavio negão", de 23 anos, o controlador do tráfico de drogas na favela de vigario geral. "negão" é apontado como sendo um dos lideres na região do chamado "comando vermelho", organização criminosa que administraria o trafico de drogas e o sequestro de empresarios no rio de janeiro. os quatro policiais - ­ um terceiro-sargento, um cabo e dois soldados -­ estavam de serviço no posto de proteção comunitaria de um bairro proximo à favela no sábado à noite quando receberam uma chamada telefonica com denuncia anonima de que um grupo de homens armados estava numa praça utilizadá pelo bando de "negão" como ponto de venda de drogas. ao chegarem ao local¬ os "pms" foram recebidos a tiros de metralhadoras "ÁR-15" e pistolas automaticas de 9 a 45 milimetros. após um tiroteio que durou aproximadamente dez minutos e que foi presenciado por cerca de 50 pessoas¬ os supostos membros da gangue de "negão" dirigiram-se para a viatura onde os policiais agonizavam e desferiram tiros de misericordia nas suas cabeças. os soldados, que pertenciam ao nono batalhão da policia militar do rio de janeiro, são acusados de diversas irregularidades, entre as quais a de não terem comunicado o recebimento da chamada e a decisão de patrulhar a praça de vigario geral ao oficial de dia do seu destacamento, localizado no bairro vizinho de rocha miranda. o comandante do nono batalhão da pm, coronel césar pinto, deslocou-se esta manhã ao local, tendo o seu carro sido apedrejado por populares irados com a chacina, enquanto traficantes soltavam fogos artificio na favela. manifestações de revolta acompanharam também as inspeções feitas posteriormente pelo secretario da policia civil e vice- governador do estado, nilo batista, e o comandante-geraì da pm do estado, coroneì carlos nazareth cerqueira. nas suas primeiras declarações sobre os incidentes, feitas pouco depois da inspeção de nilo bastista, o governador do rio de janeiro, leonel brizola, corroborou a versão dos moradores da favela de que a chacina foi fruto de uma ação de vingança pela morte dos quatro "pms"® as duas chacinas ocorridas em vigario geraì nas ultimas 24¸horas estão de algum modo relacionadas com o sequestro do empresario português josé alves lavouras, morto em maio
aos 64 anos após ter passado quase três meses no cativeiro. flavio negão assumiu o controle do trafico de estupefacientes da favela após a prisão do seu antecessor¬ adão ferreira, o "adão", por suspeita de envolvimento no "caso lavouras". segundo o jornal "o globo", do rio de janeiro, durante o sequestro do empresario, um dos irmãos de flavio, jarbas pires da silva, foi sequestrado com a mulher, que estava grávida, tendo os seus corpos sido encontrados mais tarde crivados de balas. "domingo é dia de matança", costuma dizer "negão", que passou a intitular-se "justiceiro" de policiais e aos fins-de-semana costuma alvejar carros das policia militar e civil do alto de uma das passarelas da estação de trens de vigario geral, unica via de acesso à favela que domina. a pouco mais de um mês da chacina de oito crianças e adolescentes nas imediações da igreja da candelaria, no centro da capital do estado, as chacinas de vigario geral tendem a reforçar a posição de políticos e representantes da sociedade civil defensores da declaração de calamidade publicá no rio de janeiro, o que permitiria ao governo brasileiro a decretação de uma intervenção no estado através da policia federal e do exército. até aqui a hipotese tem sido descartada com firmeza pelo mais alto representante do poder local, o governador brizola, a quem cabe a decisão final® para a maior parte dos representantes das autoridades e de organizações civis que se têm pronunciado sobre mais uma tragedia brasileira, o rio de janeiro vive em clima de guerrilha, com os poderes paralelos a sobreporem-se às forças policiais, cada vez mais desacreditadas pelas constantes denuncias de envolvimento de seus integrantes em chacinas como a dos "meninos da candelária" e a de hoje em vigário geral. imcompetência, corrupção e impunidade são apontadas como estando na base da falta de autoridade dos orgãos de segurança pública. dados da propria corporação entre 198() e 1992 a policia militar expulsou 1243 efetivos, a maior parte dos quais por mau comportamento, roubo e extorsão, mas o medo de represalias leva as testemunhas a negarem depoimentos feitos durante a fase de instrução, razão pelá qual quase todos os seus elementos levados a tribunal acabam por ser absolvidos. lusa/fim




2026
Pra não falar da corrupção de muitos juízes e desembargadores...


 

88 - número de organizações criminosas existentes no Brasil (estimativa) 

 
Comando Vermelho - CV controla rotas internas de tráfico de cannabis e cocaína
PCC - Primeiro Comando da Capital - fundado em São Paulo em 1993, controla rotas internacionais (fundamentalmente Bolívia-porto de Santos-África-Europa) e opera em 28 países

favela do Oiapoque ao Chuí
Sol Nascente, em Ceilândia, cidade-satélite de Brasília, com apenas 65 anos, se arvora o título de maior favela da América Latina com mais de 30 mil domicílios
Águas Claras, Brasília, tão perto e tão longe do Plano Piloto que causou estupor pelo ordenamento e a beleza das criações de Oscar Niemeyer, Lúcio Costa e Burle MarX, tão longe do amontoado de prédios incaracterístico como é também o do setor de hotéis no epicentro do Plano Piloto descaracterizado em 30 anos.

BRASÍLIA INIMAGINÁVEL   

Antes do COMPLEXO DO ALEMÃO, em que está o bairro favela Israel, e do vizinho Complexo da Penha, entre Olaria e Bonsucesso, Chão de Estrelas ou Chácara do Céu, Bonsucesso, Andaraí, os subúrbios intermináveis e tristes anotados por Alberto Camus em viagem ao Rio de Janeiro em 1958 eram o jardim da bonomia em que o morro da Penha, encimado pela igreja, era cenário de uma das maiores e mais antigas festas da cidade, a da Nossa Senhora da Penha, de que ninguém se lembra, palco da evolução de usos & costumes ao longo da história carioca.

Pedro Pedreiro de Chico Buarque, é Fotografia muito caracterízadora em crônica musical popular desses subúrbios e suas gentes em meados da década de 1960 em que o ritmo sincopado de letra e música é o próprio balanço do trem que já vem, que já vem. Zona Forte, de seu amigo Carlinhos Vergueiro, retrata aspectos do modus vivendi da Zona Norte dez anos depois, já conflagrada pela explosão demográfica e desde a nascença com suas flores de plástico e velas "pro nosso São Jorge"

Pendurados no trem eles chegam
com medo das prestações
pendurados no trem eles voltam
sem tempo pra assombrações


É já zona morte, um sufoco de massas presente na tensão da pulsação dos acordes trepidantes de rock sinfônico ou prog-rock do Som Imaginário regido por Wagner Tiso no acompanhamento de Vergueiro, às portas do inferno e já ele mesmo.

Mais além está a a Baixada Fluminense, retratada em 1977 em reportagem não assinada do Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro sobre o nascimento da escola de samba Beija-Flor e os David, família do bicheiro Anísio Abraão:
"A Baixada fica mais longe. É portanto mais barato viver por lá, onde o preço do aluguel é inferior àquele do mercado dos morros (...). Nilópolis, originariamente formada pelo migrante rural (o mesmo dos morros cariocas) recebeu, a partir do desfavelamento e das alterações dos mercados nos morros do Rio, uma população considerável. (...) em Nilópolis existia a família para promover a escola de samba. Os David nasceram lá, controlavam (e controlam) a política, a saúde, a educação. Estavam na Prefeitura, na casa de saúde, no posto médico, no ginásio e na escola primária.(...) os limites geográficos do Rio há muito ultrapassaram a ponte de Parada de Lucas, estendendo-se pelo território desconhecido (e problemático) da Baixada Fluminense. É de lá que vem a Beija-Flor. Da favela de alvenaria. Muitas vezes favela."  

 

traficantes


PERSONAGENS QUE SE TORNAM CELEBRIDADES DO RIO DE JANEIRO DOS ANOS 1980 A 2020 E ENTRAM E SAEM DOS HOLOFOTES FEITO COMETAS

Doca de Vila Cruzeiro, complexo da Penha, ao lado do complexo do Alemão, chefe do tráfico dos dois conjuntos de favelas, é em novembro de 2025 o inimigo público número 1 e para capturá-lo as forças de segurança organizam uma operação conjunta de 4000 homens da Polícia Civil e Militar, com a colaboração do BOPE, que resultou na morte de 106 "vagabundos", como são chamados pelos influencers, e dois policiais.

Uma operação de guerra, em que as forças da PM e da PC empurraram os soldados de Doca de Vila Cruzeiro para a mata nas imediações onde os esperava a força de elite do BOPE.

Mais mortos em um dia q na guerra em Gaza e o histórico de guerras desde a do Irã-Iraque, passando pela dos Balcãs e do Iraque dos anos 1980 a 2000 é o melhor termo de comparação do grau de violência vivido entretanto na cidade.

O caso do Rio de Janeiro a partir dos anos 1980 compõe o fenômeno da eclosão da bandidagem tendo por base o tráfico de drogas, sobretudo cocaína, na América do Sul, do Paraguai à Venezuela, e América Central (México).

Logicamente se reclama da falta de políticas públicas integradas nas favelas, tratadas pelo eufemismo de comunidades, sempre travadas pela perseguição do déficit zero num país entregue aos desígnios de meia dúzia de banqueiros, empreiteiras e do agronegócio, segundo denúncias recorrentes.

UPP - Unidade de Polícia Pacificadora = UPP - Unidade de Política Pública.

Pede-se Projetos Colômbia para o Brasil e eles não são exequíveis e logo seriam pasto da corrupção. 

                   

   TCP na antiga terra do feitiço da magia e da fé    
TC

Elias Maluco, do Alemão, criador do Bonde do Maluco (BDM), que na década de 2010 se instala em Salvador, Bahia, que tem de 21 a 28 facções, segundo diferentes fontes, entre elas também o TCP.

 o Ceará é dominado pela facção Guardiões de Estado

TH Jóias, deputado estadual do MDB no Rio de Janeiro, vende drones para Comando Vermelho, Terceiro Comando e Milícia
é preso, antes de ser preso também o presidente da Alerj Assembléia Legislativa do Rio de Kaneiro.

Duas semanas depois, em 16 de dezembro de 2025, a Polícia Federal prende desembargador por vazamento de operação contra TH Jóias.

Instituições corruptas em todo o processo: polícia, política, justiça.

que fim levou Uê: morto na penitenciária de segurança máxima Bangu 1 em 2003 por, entre outros, Fernando Beira Mar e Marcinho VP, que herda o Comando do complexo do Alemão, onde o nome da hora é Doca.

Com drones (por enquanto só) de observação e capacidade de guerrilha, estima-se que o Comando Vermelho CV fatura 350 milhões de dólares/ano mas não vive só do tráfico de maconha e cocaína, que equivale a um décimo de seu volume de negócios hoje em dia.

O CV já expandiu os tentáculos aos Nordeste (Bahia e Ceará) e Amazonas (Manaus).

Em meio século o problema das facções passou a ser muito maior que o problema porque passou a ser praticamente fundamenta do Sistema, do poder político ao welfare state e quem deve ou não se ocupar dele.

o Terceiro Comando se reforça e nasce a dissidência ADA Amigos dos Amigos, a q pertence Nem da Rocinha, o rei do tráfico da maior favela do Rio de Janeiro, cuja população é hoje estimada em 30 mil pessoas.

S Ó  N O  B R A S I L ? - F A C Ç Ã O  N A R C O P E N T E C O S T A L 

Terceiro Comando, hoje Terceiro Comando Puro, liderado por Peixão, pastor
Jesus é o dono do lugar

pragmático, o TCP narcopentecostal faz aliança 5.3 (cinco ponto três) com Milícia, numa promiscuidade que reflete as mudanças no modus operandi de facção e milícia, no início do século um com o exclusivo do tráfico e outro com prestação de serviços como gatonet, vans, fornecimento de gás e tal e hoje vice-versa ou uma coisa e outra ambas as por assim dizer facções. milícia não é também mais, como há 20 anos, formada só por milicos de nenhuma ou baixa patente.

O TCP já atua também em Minas Gerais.

                   ... num planeta periférico hoje chamado ‘países emergentes’ em que até o exotismo perdeu a graça, é só sinônimo de miséria e escafedeu-se. O Rio da doçura tá um fel ...

  FAVELA  A HISTÓRIA de Canudos ao morro da Providência e  Gamboa aos quinto dos inferno

Morro vira programa de turista JB 11-10-91

história das favelas, origem do nome (Morro da Providência), refugiados da campanha de Canudos, de 1897 transferem parte da cidadela do Conselheiro na Bahia, na região da faveleira, para a Gamboa, favela inaugural nos termos e na etimilogia.

Favela Tour -

Associação de Moradores do Morro da Providência, na Gamboa, ocupado pela polícia há quase duas semanas, está tentando provar que a favela não vive só de violência, tráfico de drogas e miséria

a que os turistas terão direito

"uma comunidade que apesar de conviver com a miséria conserva a alegria de um povo que transforma tudo em samba"

primeira creche comunitária

Morro da Providência: 4.200 moradores espalhados por 1.800 casas

o último presidente da associação de moradores foi encontrado assassinado.

Sem medo dos traficantes, que diz não conhecer,

favelas, origem  origem do nome

em revoluciomnibus.com 

em e em OS SERTÕES de Euclides da Cunha o núcleo duro de tudo no duro


Rocinha quer virar cartão posta l JB 31-12-90 

Uma chegou ao morro em 1930, vinda do Carmo, só havia 10 casas. "Isso aqui era uma roça mesmo. Daí o nome Rocinha."

população hoje estimada em 200 mil habitantes



Anos 30 para os 40. A cidade, da fisionomia belle époque nos primeiros 20 anos do século XX, começa a tomar ares de moderna metrópole americana, com pouco do que isso poderia ter de bom e muito do que tem de negativo, mormente a mão da especulação imobiliária sobre cada uma delas. Época de Ouro, então, da música brasileira e do Cassino da Urca e suas grandes atrações, como Carmen Miranda, mas também da nascente avalanche centro-americana, através de astros como Pedro Vargas – usted se lembra?

A publicação de A Estrela Sobe, romance de Marques Rebelo (Rio de Janeiro, 1939), coincide com a fase de levantamento de dados de Tristes Tropiques e de levantamentos de dados e redação de Brasil, País do Futuro.

Em A Estrela Sobe há panorâmicas e travelings do Rio de Janeiro contemporâneas das descrições de Zweig e Lévi-Strauss:

Rio-capital num traveling em marcha pelo Flamengo em plena Avenida Beira-Mar quando sequer se sonhava ainda com o Aterro - vendo ao longe o Pão de Açúcar encoberto, entrando num sorvete-dançante ou seguindo às Laranjeiras e subir o Silvestre, olhando cá para baixo, para a enseada de Botafogo, o casario, a fita das praias de Niterói, o Pão de Açúcar...

    Os engulhos que a paisagem natural, urbana e humana do Rio provoca no antropólogo levam Claude Lévi-Strauss a em momento algum do início ao fim do seu breve relato sobre a Guanabara abdicar do mais profundo rigor na escolha do mot juste, mesmo quando se detém um pouco no que a quaisquer outros olhos seria um cenário magnífico para um jantar num terraço no Silvestre ou nas Paineiras,

... sobre uma mistura incoerente de edifícios de concreto, casebres e conglomerados urbanos; com, ao fundo, no lugar de chaminés de fábrica que esperávamos como limite dessa paisagem incomum, um mar tropical, brilhante e acetinado, sob um luar monstruoso.

 Aspecto muito curioso em ambos os relatos é que para ilustrar sua visão de um ou outro trecho da cidade ou facetas humanas da mesma ambos falam de meio mundo, ou no mínimo três quartos dele, de Bombaim (já então, muito apropriadamente, Lévi-Strauss) à Polinésia, Havaí, Londres, Paris, Berlim, Marselha, Buenos Aires, Roma, Barcelona, Viena e Nova York.

 O que mais importa no entanto é captar a paisagem de um Rio de Janeiro que em quase todos os trechos mencionados também por Marques Rebello não existe mais, ou subsiste apenas em um ou outro vestígio.

 Botafogo, no final da avenida Rio Branco – encurta com a distância no tempo o antropólogo –, é ainda um bairro de luxe, mas depois do Flamengo nos pensaríamos em Neully e perto do túnel de Copacabana parecia, há vinte anos, Saint-Denis ou Le Bourget, com uma faceta de campo a mais, como poderia ser a nossa periferia antes da guerra de 1914. Em Copacabana, hoje crivada de arranha-céus, descortinei apenas uma cidade de província com seu comércio e suas butiques.

 O passeio de Zweig é em marcha muito lenta e de lés-a-lés, do Méier, então nos limites da zona norte, ao Joá, já sobre a avenida Niemeyer, que no entanto era apenas uma estradinha à beira mar e não uma via rápida suspensa sobre ele, sendo então tempo de menina vai com jeito se não um dia a casa cai se alguém te convidar pra tomar banho em Paquetá, um piquenique na Barra da Tijuca ou pra fazer um programa no Joá.

 Na senda inicial de Rebello, depois da Praça Paris, por alturas do Hotel Glória, a rua estreita (início da Avenida Praia do Flamengo) se aproxima do mar. Nela existiam outrora as antigas residências distintas, as quais, com um ou dois andares, cercadas de jardins, olhavam, modestas, para a baía. ... Edifícios de onze e doze andares erguem-se ali e as palmeiras gigantescas, que eram mais altas do que os antigos prédios, já quase não chegam ao peito dos novos. ... E, novamente uma curva, estamos em outra enseada, a de Botafogo. Já não temos a vista ampla, cremos estar à margem de um lago cercado por morros e estamos entre outros morros e outeiros.   ... Nesta multifária cidade o mesmo mar e a mesma montanha, em virtude da indescritível variedade das perspectivas, parecem sempre novos e surpreendentes.

 Lévi-Strauss e Zweig falam de uma cidade de todo modo ainda bucólica mas em plena transformação, com prédios suplantando palmeiras e arranha-céus contra um luar monstruoso.

 Do Méier ao Mangue e do centro ao Joá e ao recém-inaugurado Cristo Redentor, Zweig não menciona a pequena África, na expressão de Roberto Moura, que se espalhava da Praça Onze, embaixo do morro do Estácio, à Candelária e de lá à antiga Rua Mata-Cavalos, que servia de corredor de acesso a São Cristovão, nas proximidades do conjunto de morros da favela da Mangueira. Entre o morro do Livramento, acima da antiga Mata-Cavalos, e os outros extremos uma afinal vasta região de cortiços e quintalões que fora o berço e era o universo do samba e que começava a ser desocupada e destruída para a abertura da Avenida Presidente Vargas, o ditador que o acolheu.

 Entre Viena da Áustria e Hollywood mundos totalmente divergentes em questão de estilo. Sua presença no Brasil era afinal também uma questão de Estado, como foi a do diretor de cinema Orson Welles em 1942. Welles chegou ao Rio no início de fevereiro para filmar o carnaval, duas semanas antes de o casal Zweig pôr fim às suas vidas que a ele se terá afigurado como de judeus errantes ou condenados ao forno crematório. Um escritor à moda antiga, da extirpe aristocrática de Stefan Zweig, dificilmente se envolveria com batucadas e magia negra como o homem-do-mundo Welles, que fez questão de carregar por toda a vida o lendário estigma do mau-olhado de um pai-de-santo carioca como desculpa para os desaires das filmagens de It’s All True/É Tudo Verdade.

 A abertura da Presidente Vargas parecia ser e terá sido mesmo a pá de cal sobre a africanidade carioca, com tons verdadeiramente apocalípticos: Vão acabar com a Praça Onze, não vai haver mais escola de samba, não vai.

 Após a primeira leva no início do século com a abertura da Rio Branco, com que cruza, a larga avenida foi o pé de arrimo da cruz funerária que se sobrepôs a esse mundo e que obrigou os negros que ainda ali moravam a ir procurar abrigo nos morros das cercanias e de outras regiões da cidade, cujas favelas duplicaram de tamanho. E depois aumentaram ainda mais e mais ainda. Encerra-se ali a fase seminal da história do Rio, que culminara com a faceta belle époque, de brancos presunçosos que se vestiam à européia em plenos trópicos, negros com a memória da África em erupção pelos poros e mestiços metidos a isto e a aquilo – e muito metidos. Os cariocas da gema, enfim. Que involuntariamente ajudaram a transformar o Rio, nos melhores trechos, numa quase favela.

Talvez porque Claude Lévi-Strauss tivesse dado um tempo até justamente o suicídio de Vargas – que também aos seus olhos terá ensombrado as perspectivas do país – para escrever o que afinal é um estudo de antropologia estrutural, certo é que o espírito que emana dos escritos do francês nas suas considerações gerais sobre o Brasil em Tristes Trópicos é totalmente diverso do que flui no roteiro histórico-paisagístico do austríaco, que quando decide aceitar um convite do governo Vargas para visitá-lo era um dos  escritores mais famosos do mundo, por romances como Amok e biografias de grandes vultos históricos.

Lévi-Strauss chega a chocar no trecho celebrizado por Caetano Veloso em O Estrangeiro em que compara a visão da entrada da baía de Guanabara – invariavelmente tida como uma das mais belas do mundo -, o Pão de Açúcar, o Corcovado, todos esses pontos tão elogiados, com raízes de dentes quebrados na boca banguela. Choca, mas não sem antes manifestar o seu embaraço por ter de confessar que, apesar da sua tantas vezes célebre beleza, a cidade causa-lhe engulhos.

Após o choque, pouco papo. Seu negócio é ciências humanas e propõe-se fazer apenas um sobrevôo do país e dos seus principais centros civilizacionais antes de mergulhar no cenário em que estuda os remanescentes dos povos indígenas no Paraná e Mato Grosso. Quem sabe também em função dos ecos ouvidos em Paris do tiro atrás dos reposteiros da ala residencial do palácio do governo no Rio de Janeiro, lacônico como deve ser um maître à penser do seu tipo, Lévi-Strauss expõe instantâneos sombrios do país.

O esplendor natural do Rio de Janeiro ter-se-á ofuscado para ele na alvorada da integração da baía de Guanabara à civilização com o episódio – que segundo ele daria um belo filme – em que, do paraíso ecumênico do projeto à partida em Dieppe, a França Antártica de Villegaignon torna-se de imediato cenário de disputas acérrimas entre católicos e calvinistas, a ponto de quase chegarem à antropofagia não-ritual. Sinal forte o bastante para se pensar que cenário por si só – mesmo que o fascinasse - não é NADA. Algo assim como o sentimento exposto por Tom Jobim em Inútil Paisagem.

São Paulo no final da década de 1930 fornece-lhe a imagem-símbolo de resto cada vez mais fundamentada do Brasil: um país em que a civilização decai antes de atingir o apogeu.

Em dois pontos a brevíssima exposição de Lévi-Strauss e a derramada narrativa histórico-paisagística de Zweig são afins.

Quando falam da diferença abissal entre se viver com pouco dinheiro na Europa ou em Nova York e no Rio de Janeiro, segundo raciocínios do tipo: na falta de uma bela bisteca sempre há banana e abacaxi pra chuchu e a preço de banana.

E quando falam das favelas.

Favelas – explicam ou depreende-se – nas colinas ao longo da costa de entrada da baía, como o atual favelão do morro de Tavares Bastos, nas costas do Flamengo, ou já na Gávea, à época  amontoados de duas ou três dúzias, se tanto, de casebres de tábuas e zinco, e talvez Estácio, Mangueira e zona do cais do porto.

Claude Lévi-Strauss:

Talvez o urbanismo já tenha resolvido o problema, mas em 1935 no Rio o lugar ocupado por cada um na hierarquia social media-se com o altímetro: quanto mais baixo mais alto estava o domicílio. Os miseráveis viviam pendurados na desolação, nas favelas, onde uma população de negros vestidos com farrapos bem deslavados inventava com o violão essas melodias vivazes que, em época de carnaval, desciam das alturas e invadiam a cidade com eles.

   Zweig aproveitou o convite do governo Vargas para conhecer com a esposa mais um possível refúgio de emergência da abilolada Europa dos Ditadores (.Aldous Huxley) e da perseguição aos judeus – o povo do casal austríaco – e acabou por encontrar no que se lhe afigurou uma espécie de paraíso o endereço alternativo à América lá de cima, que já estava sendo superpovoada por artistas e cientistas, judeus e não judeus, foragidos da guerra iminente. E no relato de viagem que escreveu a seguir  derrama-se em elogios à Boa Terra (no caso, Bahia e Brasil em geral) enquanto prepara a mudança. Mas o paraíso e de passagem, também, país do futuro não bastou. Em menos de dois anos o casal Zweig suicida-se no seu refúgio paradisíaco em Petrópolis, quando a guerra também já se aproxima dele.

Stefan Zweig sobre o mesmo tema de Lévi-Strauss:

E como esses casebres estão situados no alto dos morros, nos mais inacessíveis recantos, têm a mais bela vista que se pode imaginar, a mesma vista que têm as mais caras vilas de luxo, e é a mesma natureza luxuriante que orna seus lotezinhos com palmeiras, e generosamente lhes dá bananeiras, essa maravilhosa natureza do Rio, etc.

Vê-se pelo trecho que, tomada do mesmo ângulo, a perspectiva de Zweig chega a ser oposta à do cáustico mas preciso antropólogo francês.

Ambos estão de acordo sobre a impossibilidade de manutenção desse estado de coisas do ponto de vista urbanístico e social. Uma mudança - pressupõe Lévi-Strauss duas décadas após a chegada ao Brasil - teria sido mais que provável. E todavia não foi, muito pelo contrário...

O entusiasmo inicial de Zweig com o Novo Mundo a sul do Equador, onde não existe pecado (ladainha que também recita no seu livro), é tão grande que o trecho acima insere-se no subtítulo

Algumas coisas que talvez amanhã tenham desaparecido

A favela romântica da visão de Stefan Zweig é a da imagem que dela se terá por mais duas décadas, passando por Orfeu da Conceição de Tom Jobim e  Vinícius de Moraes  e o filme  Orfeu Novo e pelo samba Barracão, da dupla Luís Antônio-Oldemar Magalhães – um dos pontos altos da histórica gravação ao vivo de Elizeth Cardoso com Jacob do Bandolim e Época de Ouro: barracão de zinco, tradição do meu país... Ainda motivo de orgulho (por quê?).

Virou alvenaria que mal dá para embolsar e caiar.

Visões de longe, como a de Chão de Estrelas de Orestes Barbosa, com a lua a furar o telhado de zinco. Ou até mesmo visões de dentro, como a de Alvorada de Cartola: alvorada lá no morro, que beleza...

Em Sinfonia do Rio de Janeiro, de dois lídimos representantes da fina flor da Zona Sul, Tom Jobim e Billy Blanco, a abordagem da favela já pinta um clima de lamento pela perda de um certo tipo de “tradição” e por no asfalto não se dar o devido valor ao seu melhor produto – O SAMBA, esplendor escondido por trás da pobreza. Em que já se entrevê um não sei quê de acender a vela e o morro não tem vez de Zé Ketti no show Opinião, dez anos depois, tempo em que já se retrata os dramas de  5 X Favela e Sérgio Ricardo canta no fogo de um barracão só se cozinha ilusão, restos que a feira deixou...

Rio, capital federal, apesar de entre as duas maiores guerras da história da humanidade, tempo de muito formalismo mas também de brejeirice e ingenuidade.

O Rio amanheceu cantando
toda cidade amanheceu em flor     
os namorados vão pra rua em bando
porque a primavera é a estação do amor

Primavera no Rio
André Filho

...

Algumas coisas que talvez amanhã tenham desaparecido

Não foi nada disso que Zweig pensou.

Abre-se a cortina do passado e o cenário queimou.      
A aquarela é desbotada e coalhada de sangue e a alvorada mal despontou.
Quando Ari Barroso ainda a retocava com berloques & brocados parnasianos o francês já postulava: decaiu antes de se erguer. O mulato inzoneiro esbanguelou-se e  entre os escombros da mata brotou um quase continente favelado.
Que desperdício de mata e de gente.

Que desperdício de canções.

Tristes Trópicos, o tópico ideográfico de Lévi-Strauss, traz a abrir uma análise comparativa das metrópoles indianas com as maiores cidades brasileiras. Tarun Dutt, o economista indiano que ajudou a reeguer Calcutá, a grande complicação urbana do Terceiro Mundo, com a quinta população citadina do planeta, um em cada três habitantes a morar num ambiente de densidade e sujeira que raras favelas brasileiras conhecem, disse que provavelmente o Brasil urbanizou-se demais e muito depressa.

Na India, segundo ele, os governos investiram no campo, fazendo reforma agrária e distribuição de terras, construindo mercados rurais e redes de transporte e assim estancou-se o êxodo rural. O dominador não tinha domus no espaço rural brasileiro e não o desenvolveu. Muito ao contrário ou o oposto do norteamericano, em que famílias, comunidades inteiras transferiram-se para lá para sempre, conquistando, ocupando e chamando de seu tudo aquilo e desenvolvendo-o à sua boa e velha maneira.

um quinto dos cariocas mora em favelas. Em Calcutá, são um terço da população. Me espantei ao ver que no Rio favela é de tijolo. 200 anos atrás, as favelas de Calcutá eram vilarejos rurais erguidos fora das cidades com materais precários lugarejos engolidos pela cidade

 O espaço urbano sem projeto além do fazendão infla sem o mínimo ordenamento e menos ainda planejamento com levas de migrantes enxotados dos campos – e sobretudo do Nordeste, o único povoado há mais tempo, desde o início da colonização, porque década após década a urbanização faz-se na cola de invasões ocupações e “puxadinhos” esticados e erguidos por severinos da morte e vida severina ou pedros transformados em pedreiros, porque fazer massa é fácil. Primeiro de tábua (tauba, por quem são) e zinco e depois de tijolo e telhado de telha de amianto. O esgoto clandestino ligado a matas e rios que desaguam como línguas negras nas praias também cada vez mais poluídas.

Anotou Antônio Callado em 1976 em Reflexos do Baile, romance:

- Oriundas da Guerra de Canudos, as favelas do Rio, atavicamente a Serviço, ainda, do Conselheiro, são os torreões de massapé e as muralhas de adobe da Troglodítia, são a quinta-coluna, o câncer ósseo em nosso esqueleto implantado, são a imagem de barro que é preciso destruir.

Descerrando a cortina do passado vê-se a pobreza miserável descambar em miséria endêmica e os sonhos de grandeza atolarem no jabaculê do sacolão do faustão. A matéria-prima hoje é funk, é punk, é lixo, é baixaria.
Não se sabe se funk ou rap é tema de música popular ou só caso de polícia.
O sofisticado edifício harmônico erigido no bas-fond da Copacabana  modernista entre Ravel e Thelonious Monk redundou na rude arquitetura de palafita sobre a lama do Miami bass.
O que desapareceu, como diz o título do documentário de Walter Salles Jr. sobre Chico Buarque, foi o Rio da delicadeza. Ou como disse o auto-exilado (por força das circunstâncias do regime do jabá ou jabaculê) Dori Caymmi nos anos 1990: Fico aqui em Los Angeles sonhando com um Brasil cheiroso que não existe mais.

Do lenço no pescoço 
e a navalha no bolso
ao capuz e fuzil Uzi
da floresta à favelização
da vagabundagem e do jeitinho 
à safadeza
um passo de gigante para 
a barbárie medieval 
que o Brasil não teve. 

Desde a guerra de Canudos
quando os suseranos
fizeram terra queimada 
de uma suposta
rebelião de Robin Hoods da fé
o Brasil parece regredir 
ao invés de avançar
para a Renascença.

+ sobre
Rio de Janeiro Notorious  em revoluciomnibus.com

       revoluciomnibus.com

Hoje o sertão - o sertão a que Euclides da Cunha chamava sertões do norte - está lá, aqui, em quase todo lugar no Brasil, que se transformou no último meio século num 

                   grande sertão:favelas

Que no Rio de Janeiro lá começa a ser ocupado pelas forças da lei e da ordem e lá vai sendo urbanizado - vielas ocupadas clandestinamente sendo asfaltadas, uma puxadinha aqui, um embolsamento ali, e incorporando-se ao urbanismo do 

teratardo medievalismo arquitetônico e urbanístico 

que o Brasil não tivera por meio milênio.

Nordestinos continuam peregrinando para as capitais dos estados ou para o sul em busca de melhores condições de vida, engrossando as populações também flageladas das periferias dos maiores centros habitacionais.

Quinta essência do ideário armorial de Ariano Suassuna, os retirantes espalhados pelos quatro cantos construíram o emaranhado de cidades periféricas que reconstituem os burgos num país que tem que passar pela Idade Média que não teve. No Rio de Janeiro, por exemplo, ao contrário da Europa há milênios, muitos dos redutos famélicos estão nos pontos mais elevados, mas é sobretudo nas baixadas periféricas que eles se fixaram aos milhões.

Em épocas de maior crise voltam para o sertão. Há muito tido entre os racistas do sul como a escumalha da civilização brasileira – embora os antropólogos o considerem a síntese da raça gerada pela mistura de três povos – o sertanejo nordestino é também, como se não faltasse mais nada, vítima de preconceito e segregacionismo – também por conta do seu baixíssimo nível de instrução.


Cem anos depois da tragédia Ariano Suassuna dizia que Canudos eram as maiores cidades brasileiras. Os sertões do norte se vingaram transmundando-se em grandes sertões: favelas.


  
M A T E R I A L  S E M I N A L     RIO 40º   1989

nascimento e expansão das facções de traficantes

PERSONAGENS QUE SE TORNAM CELEBRIDADES DO RIO DE JANEIRO DOS ANOS 1980 A 2020 E ENTRAM E SAEM DOS HOLOFOTES FEITO COMETAS


JB 15-07-1989

Chefes escapam da paerseguição na Vila Vintém, em Realengo

Celso Luiz Rodrigues, o Celsinho

seu irmão João Batista Rodrigues, o Zorro ou Batista

Empregada de Castor de Andrade tomava conta das armas

Vila Vintém, território livre da cocaína

principal ponto de descarga da cocaína adquirida por Toninho do Pó em Mato Grosso do Sul

Em seus becos, ruas e biroscas

De simples vapor em pouco tempo Celsinho passou ao comando

Colt morreu em novembro do ano passado - o acusado de mandar assassiná-lo é Celsinho

já respondeu a vários processos por homicídios, tráfico de drogas e roubo de carga. Foi condenado pela primeira vez a menos de um mês a  anos por tráfico de drogas

responsável pela maior parte do abastecimento de drogas da Zona Oeste

segundo X-9

esquema inclui desde propinas a policiais e execução dos inimigos

quadrilha mantém escondidas em paióis metralhadoras Uzi israelenses Uru nacionais e escopetas de repetição Frank Spass italianas e Mossberg americanas

supervisor do movimento de drogas

 

O Globo 02-07-1989

Polícia intensifica caça ao tráfico de drogas e sobe ao menos um morro por dia no Grande Rio

a política das autoridades governamentais e policiais do Rio de Janeiro tem sido a de combater o tráfico onde quer que ele se manifeste. Talvez a maior novidade no combate ao tráfico seja a transformação da Polícia Militar em uma força mais atuante. Os soldados sobem ao menos um morro por dia no Grande Rio.

Os principais pontos de venda de drogas, de acordo com o mapeamento da Polícia

dando a volta

Bangu - Vila Aliança e Favela Cavalo de Aço em Santa Cruz, Sergio Souza Lima o Pitoco

Vicente de Carvalho - Morro do Juramento, controlado por Escadinha, embora preso em Bangu I

Engenho Novo - Morro da Matriz, Paulinho da Matriz

Mangueira - Paulo Roberto Cruz, Beato Salu

São Conrado - Dênis Leandro da Silva, o Dênis, em Bangu I, José Diógenes Filho, o Zé Giorgio, controla a Rocinha e o Vidigal

Tijuca - o maior, Borel, controlado por Isaías da Costa Rodrigues; rodeado pelo Casa Branca, Orlando da Conceição, Mocotó; e Chácara do Céu, Marquinhos - de difícil acesso, fortaleza de Isaías com grande número de armas pesadas - fuzis, granadas e até metralhadoras antiaéreas 

Ipanema - Pavão/Pavãozinho e Cantagalo - Antônio José Pereira, o Tomzé

Copacabana - Ladeira do Tabajaras - Jorge Luís Soares da Silva, o Tenório ou Bombeiro

Botafogo - Dona Marta, Zacarias Gonçalves Rosa, o Zaca

Estácio - Morro de São Carlos dividido depois da morte de Golinho entre Adilson Balbino, Fabinho, Nai e Tiguel, irmão de Rogério Lengruber, o Bagulhão, do Comando Vermelho

Bonsucesso - Favela Nova Holanda - Jorge Ferreira de Almeida, o Jorge Negão

Ilha do Governador - Morro do Dendê, Romildo Souza da Costa, o Miltinho

Jacaré - Morro do Jacarezinho, Ednaldo Soares da Silva, o Naldo

Vigário Geral - Romildo Nunes Machado, o Chiquinho Rambo, do CV

Acari - Darci da Silva Filho, o Cy do Acari - o maior distribuidor de cocaína do Rio de Janeiro, com ligações com o Cartel de Medellin, herdou de Toninho Turco, morto pela polícia

Irajá - Nego Deca herdou de Tunicão, morto

Senador Camará - favela Curral das Éguas controlada por Celsinho do Vintém e Conjunto Viegas por Bagulhão e Tiguel

X-9, um alcaguete a serviço da Polícia

 

JB s/d - 1988/1989

Tráfico cria "cheiródromo"

Surge na Tijuca espaço só para uso de drogas

Orlando César da Conceição, Mocotó, que segundo a polícia domina tráfico no Morro da Casa Branca, inaugurou há cerca de 15 dias uma praça que já ficou conhecida como Cheiródromo no campo de futebol situado quase no alto do morro, com estacionamento

Segundo a polícia Isaías do Borel uniu-se a Cy do Acari e a decisão de não mais enviar dinheiro para os líderes das facções Falange Vermelha e Comando Jacaré nos presídios estaria originando sucessivas trocas de tiros

considerados os maiores traficantes das chamadas bocas de favela

 

IstoÉ 15-03-1989

Esquadrão do pó

A repressão ao tráfico não justifica as agressões aos direitos individuais cometidas pela "Operação Bandeja"

por revelar lista com nomes de supostos consumidores


O Globo 09-12-1990

Nos morros, a lei do "Comando Vermelho"

Recebendo ordens da cúpula da organização criminosa - detida no Presídio de Segurança Máxima Bangu I -, os "gerentes" desses grupos armados de traficantes, sequestradores e assaltantes de bancos impõem as suas leis à força a 2,5 milhões de moradores dos morros que dominam.


O Globo 9-09-1991

"Reis" do Rio têm organograma para tráfico

Como num feudo medieval as amantes tanto podem ser escolhidas pelo "rei" quanto "vendidas" por seus pais em troca de proteção.

O "rei" do morro conta com o "gerente geral" do branco (cocaína), o gerente geral do preto (maconha), um gerente para cada boca, o estica, que leva a droga de um ponto a outro, o vapozeiro, que vende na hora pequenas quantidades, os soldados, encarregados de defender as bocas, e os olheiros, em sua maioria menores.   Um menor contratado para ser fogueteiro - soltar fogos de artifício para avisar sobre a aproximação da polícia ou informar que a droga está em segurança no paiol -

um soldado ganha cerca de três salários mínimos

Cada quadrilha tem em média 80 pessoas. A sucessão de rei, em grande parte dos casos, custa muito sangue

No atacado o quilo da cocaína pura está avalidado, segundo a Polícia Federal, em US$ 5 mil

No varejo, toda cocaína é malhada - misturada com pó de mármore, ácido bórico ou farinha de trigo -

Paióis subterrâneos para armas e drogas

Todos os morros têm muitas armas Uzi (submetralhadoras e fuzis israelenses) Colt AR-15 (fuzis usados pelos americanos na Guerra do Vietnâ) e metralhadoras Lugger.

A Polícia tem poucas Uzi porque a importação legal é muito difícil

Chegou-se a detectar em alguns morros fuzis-metralhadoras AK-47, russos, que a Polícia só conhece de fotos

Os marginais ligados a uma mesma facção mantêm entre eles um acordo tácito sobre troca de informações, empréstimo de drogas, garantia de não-invasão de área e aviso mútuo sobre realização de blitzes.

Comércio é obrigado a fechar as portas, prática que já extrapolou os limites do morro, chegando ao asfalto

Morte de rival é motivo para festa

Em 30 de novembro de 1990, queima de fogos, churrasco e cerveja no Morro do Pavão/Pavãozinho pagos por Wellington Martins da Silva, o Zé Penetra, e Robson Cunha da Silva, o Robson Caveirinha, em comemoração da morte de Antônio José Pereira, o Tomzé, que controlava o morro.

Seu corpo foi encontrado crivado de balas no Morro do Querosene, no Estácio, onde se refugiou após ser expulso do Pavão. Foi morto porque estuprou uma moça no Morro de São Carlos.

Os "exilados" ainda mantêm seu poder

rei deposto muitas vezes continua a ser rei para seus súditos, como os presos na penitenciária de segurança máxima Bangu 1

Rogério Lemgruber, o Bagulhão

Escadinha

Francisco Viriato, o Japonês,

Denir Leandro da Silva, o Dênis da Rocinha

Antônio Rosa da Silva, o Parazinho

Paulo César dos Reis Encina, o Paulo Maluco, irmão de Escadinha

 

O Globo 8-09-1991

Reis do crime dividem o Rio em feudos

Na estação de Triagem os traficantes da favela do Jacarezinho tiraram as roletas para que os moradores viajassem de graça nos trens.

Diretor de Obras do Município teve arma apontada para sua cabeça em 1987 na Favela de Parada de Lucas

"Senhores feudais" do Rio dominam uma população de 460 mil pessoas

Rocinha: 300 mil moradores (!!! - foi a cifra de habitantes da Rocinha que circulou pela imprensa nacional e internacional durante e depois da Eco 92) - Eraldo

Cantagalo: Fabinho

Divinéia, Mangueira, Andaraí, Acari,

Parada de Lucas - Robertinho

Vigário Geral - Adão

Jacarezinho, Dendê - dividido pelos traficantes Miltinho e Mailson

Doma Marta - Pedrinho da Mata

Cantagalo - Fabinho São Carlos/Mineira - Nai, Fu e Adilson Balbino

Borel -  Bill e Tatinha

Pavão/Pavãozinho - Mineiro e Fabinho

Estratégias para fugir de balas perdidas  (melhor título seria para evitar...)

"Tribunal" do Borel decepa mão de ladrão de 16 anos

Tráfico é o crime mais rentável hoje

Rio, junto com outras capitais brasileira, ocupa lugar destacado no tráfico internacional, tornando-se sede de pequenos "escritórios" dos carteis do tráfico de drogas como Medellin, Cáli, Camorra marselhesa (?!) e Máfia italiana

segundo Élson Campello, diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE) diz também que grandes assaltantes de banco se transformaram em traficantes,

Em agosto de 1987 dois integrantes da cúpula da Falange Vermelha, José Carlos Gregório, o Gordo, e Paulo Roberto Moura Lima, o Meio Quilo, anunciaram que a organização ia parar com os assaltos e se dedicar ao controle do movimento de compra e venda de drogas.

Famílias expulsas de seus barracos

Basta que algum traficante do primeiro ou segundo escalão decida morar ali por considerar o ponto estratégico ou apenas por gostar da vista

o barraco derrubado e uma outra casa, mais moderna, construída no lugar

traficantes costumam restringir acesso a moradores de determinadas áreas que consideram de segurança máxima

toda a área é fiscalizada 24 horas por dia

Mangueira dominada perde o carnaval

Diretor da escola contou que os traficantes da área tomaram conta da quadra da escola e grande parte dos frequentadores dos ensaios ia lá a convite dos bandidos, sem pagar ingresso nem cerveja. Ocuparam um camarote, passaram a vender papelotes de cocaína e trouxinhas de maconha nos banheiros e a passear fortemente armados pela quadra. Chegaram a impedir que a diretoria da escola contratasse segurança. 

no último carnaval ficou em 12 lugar por pouco não descendo para o Grupo I

Assistencialismo, traço comum a traficantes e bicheiros

A diferença é que o traficante atende às necessidades básicas da população da sua área, dando remédio, comida, roupas. presentes, pagando cpontas em troca de apoio e principalmente de esconderijos durante operações policiais. O banqueiro não precisa desse tipo de apoio porque o jogo do bicho é tolerado pelas autoridades

Banqueiro dá gratificação, gordas gorjetas e aplica parte do dinheiro na construção de creches e escolas como é o caso de Aniz Abrahão David, o Anísio, em Nilópolis, e Waldemir Garcia, o Miro, em suas fazendas. 

Traficante prefere dar presentes esporádicos em vez de manter escolas ou creches - até porque precisa que as crianças fiquem desocupadas para que reforcem seu exército de olheiros.

nove mandamentos da lei do morro

Não delatar

Não ver

Não ouvir

Avisar sobre qualquer movimento estranho

Ceder a casa ou dar abrigo

Fazer comida para a quadrilha

Não pedir explicações

Colocar as crianças nas ruas durante as operações policiais

Sempre prestar socorro


O Globo 16-02-1992

A República do Pó

Zuenir Ventura

reportagem de dois repórteres

Dirigido pelo Comando Vermelho e por outra facções, ou falanges, nos últimos seis meses o tráfico exterminou 13 líderes comunitários que resistiram à sua tirania.

Organizado como a Máfia, a Camorra e o Cartel de Medellín - com os quais mantém conexões - 

Além do braço armado - que importa clandestinamente metralhadoras israelenses ou fuzis soviéticos, rifles com mira laser e infravermelho - a organização tem um judiciário, com tribunais como o do Borel e Parada de Lucas, (...) um esquema de marketing, que fabrica camisetas, bonés e plásticos com a grife CV, uma previdência social, que dá assistência a famílias de bandidos presos ou mortos, um sistema financeiro, que distribui franchising, cuida da produção, distribuição e do consumo do produto, promovendo inclusive a lavagem de dinheiro e se prepara para ter um legislativo com candidatos próprios.

alta direção CV encarcerada no presídio de segurança máxima Bangu I

O PODER POLÍTICO

assaltante de bancos William da Silva Lima, o Professor ou Sargento William - fundador do Comando Vermelho e companheiro de cela, na Ilha Grande, de jovens militantes da luta armada nos anos 70, com quem aprendeu alguns rudimentos políticos e que o crime precisava se organizar.

autor do livro Quatrocentos contra um - Uma História do Comando Vermelho

também em Bangu I

depoimento de 1991, logo depois de preso, deu longo depoimento a um detetive:

 - Vocês, da polícia, botaram o nome de nosso grupo de Falange Vermelha. Achamos por demais de direita. Falange nos faz lembrar a Espanha de Franco, o fascista. Por isso achamos mais adequado Comando Vermelho, que passamos a usar.

O dia em que o morro desceu

O primeiro apoio ostensivo de uma associação de moradores ao tráfico ocorreu em 1987, quando a população da Rocinha desceu o morro para fechar a autoestrada Lagoa-Barra em protesto contra a prisão de Denir Leandro da Silva, o Dênis.

no decorrer das negociações para a libertação do publicitário Roberto Medina, sequestrado em junho de 1990, a deputada Ana Maria Rattes (PSDB-RJ) procurou o traficante Francisco Viriato de Oliveira, o Japonês, em Bangu I para pedir a redução do resgate pedido, que baixou de US$ 5 milhões para 2,5 milhões.

O PODER MILITAR 

o sofisticado arsenal dos traficantes

O sofisticado armamento usado pelos traficantes é bem superior ao das polícias Civil e Militar

tem armas automáticas de precisão e forte impacto compradas em Miami, nos Estados Unidos, e em Pedro Luís Cabballero, no Paraguai

fuzil Kalashinikov, modelo AK 47, calibre 223, com carregadores de 20 e 40 tiros, usado pelos iraquianos na Guerra do Golfo, custa no Rio de US$ 8 a US$ 10 mil 

Colt AR 15, Remington e Rugger, de fabricação norte-americana, calibre 223

metralhadoras Pistol-Uzi e Uzi-Carbini, israelenses

Intratec 9mm, norte-americana

Uru 9mm, nacional

pistolas Colt 45, Beretta 9mm e Smith 9mm

revólveres Magnun e Rugger 357, norte-americanos

também granadas, lança-bombas e vários tipos de mira, com raios infravermelhos ou com laser

O arsenal da DRE, com 180 homens, inclui armas apreendidas aos bandidos usadas com autorização judicial, como os fuzis AR-15

arsenal composto de 25 metralhadoras alemãs HK/MP-5 e Walter PPK, 9mm

15 metralhadoras Taurus MT-12, 9mm

15 escopetas Winchester 12mm e CBC

pistolas Colt 45 e Taurus, 9mm

revóveres Taurus 38mm 

Traficantes controlam até a luz

em algumas favelas mesa de interruptores para controlar a iluminação, interrompendo o fornecimento na área em que se encontra o inimigo

A topografia das favelas favorece a ação dos traficantes: encostas, barracos e casas de alvenaria construídos irregularmente entre becos e vielas são esconderijos quase inacessíveis.


JB 27-06-1993

Troca de chefes leva os traficantes à guerra

Comando Vermelho, responsável pelo controle de 70% da venda de entorpecentes no estado

inimigo a ser derrotado, Terceiro Comando

O traficante José Carlos dos Reis Encina, o Escadinha, foi eleito o líder do Comando Vermelho, nu lugar de Francisco Viriato de Oliveira, o Japonês

Eraldo Souza da Silva, que até domingo controlava o tráfico da Rocinha, delatou planos de fuga e esconderijos de armas na penitenciária Bangu I, caiu em desgraça, foi condenado à morte, e segundo policiais do Serviço Reservado da PM é o mais novo integrante do Terceiro Comando. 

Eraldo aliou-se a Djavan, do Morro do Vidigal, e Lamartine Antônio da Silva, o Aranha, para continuar controlando seu reduto - e Rocinha dividida em duas trincheiras. Na parte alta, 50 homens com 25 metralhadoras AR-15 comandados por Jorge Matuto tentam desalojá-lo.

Em 16 morros, Terceiro Comando controla dois e disputa com CV em outra meia-dúzia

Morro Dona Marta foi palco de uma das mais violentas operações policiais em 1988

CV fatura US$ 87 milhões por ano com venda de maconha e cocaína

Terceiro é grande rival

O Terceiro Comando foi criado no início dos anos 80, a partir da liderança de Jorge Zambi, o Pianinho, que controlava várias bocas-de-fumo na Zona Oeste.

O maior líder da organização é Robertinho de Lucas

Pianinho, preso, ainda comanda

Em agosto passado, os traficantes passaram várias semanas se enfrentando em favelas e morrros e a Polícia Civil estimou que pelo menos 100 pessoas morreram nos tiroteios

 

JB 26-6-1993

 Nélson da Silva, o Bill do Borel, controla 250 homens entre aviões, olheiros, seguranças, gerentes e matadores

Sandro Caneto Canígio, de 19 anos, líder da quadrilha que há uma semana invadiu o Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, para assumir o controle do tráfico no local, que era do Terceiro Comando, foi preso praticamente por acaso por ter assaltado um apartamento na Barra da Tijuca.

Contou à polícia que para invadir o Morro dos Prazeres contratou pistoleiros nos Morros do Zinco e da Mineira, no Catumbi, e alugou armas nos Morros do Borel e Mangueira


JB 17-01-1993

Asfalto começa a respeitar a lei do traficante

o crime organizado, aquartelado nas comunidades pobres como as cidadelas da Idade Média

A mais rigorosa lei do morro imposta ao asfalto pelos traficantes - a de que o acesso às favelas cariocas só pode ser feito após autorização do crime organizado - ganhou eficácia de forma legal. (...) empresas como a Light e a Comlurb estão neogicando com o poder paralelo o direito de ir e vir de seus funcionários através de associações de moradores que agem como intermediárias do acordo.

No fim de 92 traficantes armados no Morro do Borel proibiram favelados de participar na inauguração pelo governador Marcello Alencar de um Ciep com visão privilegiada da boca-de-fumo.

O muro da concórdia

Preocupado em preservar o meio ambiente um advogado liderou há cinco anos a construção de um muro de 400 metros que conseguiu também evitar a expansão da Favela da Rocinha pela encosta do Morro Dois Irmãos, na face do Alto da Gávea, com a permissão dos traficantes da Rocinha.

Se a classe média vizinha aos morros conta hoje com a segurança imposta pelo tráfico - que quer a polícia longe da área e por isso proíbe furtos e assaltos nas ruas próximas - por outro lado o preço é alto, nomeadamente desvalorização dos imóveis.


FSP 2-05-1994

Exército adolescente detém morros do Rio

Foram assassinados no Rio em 93  656 menores com idades entre 0 e 17 anos

destes menores 72% tinham entre 15 e 17 anos

O CV e o TC, principais facções do crime organizado no Rio, viraram uma espécie de exército teen. A  maioria dos líderes do tráfico ainda está na adolescência ou saíram dela há pouco

As organizações são formadas por garotos que se envolvem com o crime entre 7 e 12 anos de idade e que na maioria das vezes terminam a carreira mortos, ainda na adolescência.

O Terceiro Comando é uma dissidência da Falange Vermelha e da Falange Jacaré no presídio Lemos Brito, no Rio.

A HIERARQUIA DO TRÁFICO


DONO DO MORRO  

GERENTE GERAL   RESPONSÁVEL PELAS ARMAS

                                                   GERENTE DO BRANCO          GERENTE DO PRETO

    AVIÃO              SOLDADO              VAPOR

  FOGUETEIRO  VIGIA OU OLHEIRO


 

FOGUETEIRO  VIGIA OU OLHEIRO

FOGUETEIRO OU "PIPEIRO"

  SOLTAR PIPA (PAPAGAIO) EM TÁTICA DE GUERRILHA NÃO É BRINCADEIRA.
  VIGIA SOLTA PIPA  PARA ANUNCIAR PRESENÇA DE "ALEMÃO"


EM SAMPA

JB 23-02-1992

São Paulo: Segurança na favela usa pipas e vôlei

Pipas servem para orientar os responsáveis pela boca e a clientela. Se foram brancas significam limpeza total, não há sinal de polícia pelas redondezas. As vrdes indicam que a situação tá encardida, é preciso tomar cuidado. As vermelhas e pretas acionam o alarme geral, é a senha para cair fora. As redes de vôlei servem para retardar a passagem da polícia e dar tempo para a limpeza da área.


 Feitiço da Vila   Veja 7-12-94

Santa (Dona) Marta: fincada há 52 anos na rocha nua da encosta do Corcovado, debruça-se quase a pino sobre os jardins da prefeitura

O Globo 20-10-1995

Traficantes cercam até os palácios

Os traficantes estão ditando as regras até mesmo nos palácios dos governos municipal e estadual. Para construir um muro de separação do terreno do Palácio da Cidade do Motto Dona Marta a Prefeitura está tendo de fazer concessões conforme relatório da Guarda Municipal entregue ao prefeito César Maia.

ontem as obras voltaram a ser interrompidas devido a um tiroteio entre policiais e bandidos no morro


JB 20-10-1995

Tráfico ameaça sedes do poder

Em novo ataque à política de segurança do governador Marcello Alencar, o prefeito César Maia garantiu que o poder dos traficantes já ameaça os dois principais símbolos do poder do estado

"Isso é mais um factóide do prefeito", provocou Marcello

Palácio da Cidade - onde meses atrás a primeira-dama municipal Mariangeles Maia teve de interromper o desfile de moda promovido pela Prefeitura por causa do som ameaçador de um tiroteio que acontecia na favela. 

construção do muro foi obrigado a rever o traçado original por ordem dos bandidos. Os traficantes depois exigiram que a mão-de-obra empregada na construção fosse arregimentada na favela.


PERSONAGENS QUE SE TORNAM CELEBRIDADES DO RIO DE JANEIRO DOS ANOS 1980 A 2020 E ENTRAM E SAEM DOS HOLOFOTES FEITO COMETAS


Dona Marta [- cronologia da violência]

Em agosto de 87 houve a primeira guerra entre traficantes de grandes proporções. O confronto entre as quadrilhas de Emilson dos Santos Fumero, o Cabeludo, e Zacarias Gonçalves Rosa Neto, o Zaca

A comunidade enfrenta também problemas básicos de infraestrutura, como ruas sem calçamento, esgoto a céu aberto, falta de escolas e lixo sem coleta.


"Orlando jogador" eliminado em 1994 por

Ernaldo Pinto Medeiros, o "", chefe do tráfico nos morros do Juramento e do Adeus, na Zona Norte.

Uê agora tem sob seu domínio toda a zona da Baía de Guanabara, estratégica para o contrabando de armas e drogas.
Uê sempre foi implacável com seus inimigos e no mundo marginal tem a fama de alemão (traidor)

O Globo 28-05-1996

Uê é condenado a 17 anos por formação de quadrilha e tráfico de drogas

Bandido do Morro do Alemão responde a outros dez processos por formação de quadrilha, tráfico de drogas e homicídios


 Marcinho VP - Liderança no morro Dona Marta herdada do tio

1996

Márcio Nepomuceno - Venceu "Uê" na guerra de Nova Brasília, em Bonsucesso

outro Marcinho VP, é da mesma geração dos que assumiram os pontos de venda de drogas no Complexo do Alemão no início dos anos 1990, sucedendo o traficante Orlando da Conceição, o Orlando Jogador, que controlava quase toda a área, morto em 1993 por Ernaldo Pinto de Medeiros, o "Uê". Marcinho enfrentou Uê e garantiu Nova Brasília. Já foi preso mas subornou os policiais.

Pagou R$ 150 mil pela liberdade


 o Parran, chefe da segurança do bicheiro Castor de Andrade e gerente do tráfico em Vila Vintém, Acari e Vila Kennedy.


38 anos, conhecido como Miltinho do Dendê ou Mais Velho no Morro do Dendê, Ilha do Governador, há muito é considerado o maior fornecedor de armas contrabandeadas do Rio.

começou no crime há 13 anos vendendo drogas, especializou-se no negócio de armas pelo privilégio geográfico da área que ocupa, próxima ao aeroporto do Galeão  e à beira da Baía de Guanabara.

muitos policias creditam sua longa vida (a média de idade dos traficantes é de 25 anos) à sua conduta discreta


O Globo 26-03-1996

BANDIDOS NA CADEIA: Policia do Rio prende em Sergipe Robertinho de Lucas, que atuava nas Zonas Norte e Oeste

Mais um violento golpe no tráfico

Traficante saía para correr na praia a e foi detido. Ele era o inimigo público número 1 dos policiais

Na extensa folha criminal de Robertinho de Lucas um dado chama a atenção pela frieza e crueldade: em janeiro de 1990 o conhecido marginal mandou eliminar 14 pessoas em menos de 48 horas acusadas de terem roubado grande quantidade de cocaína do traficante. Guto, um sobrinho de Robertinho e que teria chefiado o grupo, teve a cabeça dilacerada com um tiro de escopeta.

começou a sua trajetória criminal como distribuidor de armas de traficantes. Trabalhava em parceria com Miltinho do Dendê.

Em oito dias, três bandidos foram capturados na região, Jorge de Acari e Uê

Chefões presos em Bangu I

Escadinha - Falange vermelha, que deu origem ao Comando Vermelho. Ficou famoso em 1985, ao conseguir fugir de helicóptero do Presídio Candido Mendes, em Ilha Grande

Uê - chefe do tráfico no Complexo do Alemão

Miltinho do Dendê - preso em 1995

Bill herdeiro de Isaías do Borel

baleou nas mãos  jovens da favela que assaltavam önibus na Praça Saens Peña. preso em junho de 1993 

Celsinho da Vila Vintém - capturado em janeiro próximo à quadra da Mocidade Independente

Cy do Acari - preso em setembro de 1989 e é um dos chefes do Terceiro Comando

Dênis - preso em Florianópolis em junho de 1987.

 

JB 01-03-1993

Traficantes da Tijuca vão ser presos

Quem comanda o tráfico nos morros

Casa Branca, TC

do Chacrinha, TC

Turano, CV

Formiga, TC

Borel, CV

Salgueiro, CV

perto: Andaraí e Encontro, no Grajaú


IstoÉ 31-08-1994

Aqui vacilou, dançou

Omissão do Estado permite que o narcotráfico monte seu Estado paralelo em um complexo de dez favelas. O governo do Alemão é formado por Celino, Nem Maluco e Carlinhos

Ali não há assaltos nem roubos nem estupros. São crimes que ninguém se arrisca a cometer porque sabe que será condenado à morte.

os 190 mil habitantes das dez favelas do Complexo do Alemão

US$ 1 milhão por mês, fruto da venda de cocaína e maconha e que garante emprego a mais de 200 pessoas - do fogueteiro à cozinheira dos "soldados"

o triunvirato que comanda o tráfico do Complexo do Alemão há pouco mais de dois meses. Até a madrogada de 14 de junho as comunidades (...) viviam sob as ordens de Orlando da Conceição, o o Orlando "Jogador"

Uê mandou matar o antigo companheiro para ampliar seus domínios. Junto com Orlando morreram 12 integrantes do estado-maior da quadrilha.

OS DONOS DA COCAÍNA

Acari  80 pessoas, 30 'soldados'   Adeus  100 pessoas, 30 soldados  Juramento  100 pessoas, 30 soldados  - Uê

Andaraí - Ricardo da Conceição, o Cabarra   80 pessoas

Borel - Juca Pé de Pato   80 pessoas

Conjunto Habitacional Antares - Adilson Camargo (Soldado)  80 pessoas

Dendê e vizinhos - Miltinho  100 pessoas

Dona Marta - Pedro Gilson de Araújo, Pedrinho da Prata, e Ronaldo Pinto Lima Silva, Ronaldinho 

Jacarezinho - Ceará, Índio e Lambari

Mangueira - Polegar  100 pessoas

Parada de Lucas - Robertinho de Lucas  60 pessoas

Pavão-Pavãozinho e Cantagalo - Eriberto  150 pessoas

Rocinha - Cícero de Araújo, o Parazão  100 pessoas

São Carlos - Adilson Balbino  60 pessoas

Vigário Geral - Flávio da Silva Pinto, Flávio Negão  50 pessoas


OESP 23-01-1995

Morte de 'Negão' reabre guerra do tráfico

Os moradores de Vigário Geral temem que o sucessor de Negão - provavelmente Ulisses, braço-direito do traficante, ou um de seus gerentes, Sandinho e Ricardo - seja obrigado a defender o "império do pó" construído por Negão da ofensiva de José Roberto da Silva, o Robertinho de Lucas

 

OESP 7-01-1995

Traficante é morto em batalha com rivais

O corpo de Aldair Cabral Mangano, o "Nem Maluco", de 19 anos, um dos principais chefes do tráfico nas favelas do Rio, foi encontrado depois de um tiroteio entre quadrilhas no Morro do Adeus

após tiroteio entre quadrilhas rivais que durou cerca de três horas.

Morro do Adeus, uma das 11 favelas que formam o Complexo do Alemão.

Ele recebeu vários tiros e seu corpo foi arrastado por mais de 500 metros por uma corda de náilon

segundo uma das versões de policiais, traficantes ligados a  tentaram invadir, por volta das 23h30, as favelas do Morro do Alemão, Grota e Nova Brasília.

Por volta das 2 horas os traficantes ligados a Nem Maluco se juntaram ao bando de Marcinho V.P., um traficante de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, que hoje domina o comércio de drogas na Favela Nova Brasília. Pelo menos 60 homens invadiram o Morro do Adeus (...) mas os soldados (integrantes da quadrilha) de  revidaram a ofensiva. Houve novo tiroteio que durou até pelo menos 4 horas, quando Nem Maluco foi agarrado (...) no alto do Morro do Adeus.

Depois de espancado o traficante foi morto com pelo menos quatro tiros de fuzil AR-15 na cabeça e na virilha.

Numa outra versão Nem Maluco teria sido traído por Marcinho V.P., que aproveitou o tiroteio para matar seu ex-aliado e colocar a culpa no rival .

Nem Maluco era remanescente da quadrilha do traficante Orlando da Conceição, o Orlando Jogador, morto com outros integrantes do bando em junho do ano passado.

Após a morte de Orlando Jogador a quadrilha se dividiu. Nem Maluco acabou ficando com os morros Vila Cruzeiro, Quatro Bicas, Grota e Alemão, mas vivia em guerra para dominar outros pontos do Complexo do Alemão.

Exército prepara ofensiva na região

Militares fizeram reconhecimento de áreas do Complexo do Alemão para futura investida

 

O Globo 07-01-1995

Traficante Nem Maluco é morto pelo bando de Uê


1995          Traficantes não comandam mais a Rocinha

JB 12-02-1995

Traficantes não comandam mais a Rocinha

Ex-PM assume liderança comunitária e muda imagem da maior favela do Rio

A imagem que marcou a Rocinha na década de 80 foi a do traficante Eronaldo Bezerra Mata, o Naldo, usando um casaco branco com capuz e disparando seu AR-15 do alto de uma laje na favela. 

Ao contrário de boa parte das favelas do Rio a Rocinha já não sofre mais a influência do tráfico de drogas. Durante a Operação Rio o Exército nem precisou subir o morro de 80 mil moradores.

Desde meados de 93, quando houve seis mortes de uma só vez, não há confronto armado entre traficantes e nem entre eles e a polícia na favela que virou bairro por decreto do prefeito César Maia, com base em projeto do ex-prefeito Marcello Alencar

Jorge Mamão, eleito presidente da associação com mais de 50% dos votos, com apoio do patrono da escola de samba Acadêmicos da Rocinha, o bicheiro Luiz Carlos Batista.

       

O Globo 11-12-1994

Cruzes marcam o domínio do tráfico nos morros

Símbolo da redenção para a Igreja, símbolo de poder para o Comando Vermelho

Durante a ocupação do morro do Borel soldados derrubaram o cruzeiro que pertencia à comunidade e que havia sido colocado ali durante uma procissão com a benção do padre Olinto Pegoraro.

No Morro do Juramento, há dez anos, o traficante Escadinha botou um cruzeiro que servia de palco para as execuções das pessoas que eram julgadas traidoras pela quadrilha.

No Morro do Andaraí há pelo menos dois cruzeiros. Nenhum deles foi posto ali pela Igreja. Indicam - mesmo à distância - os pontos de venda de drogas na favela.

Escadinha, primeiro a adotar o símbolo

A cruz vermelha e branca tem os dizeres "paz, justiça e liberdade"

o Terceiro Comando também já usou cruzeiros com os dizeres "Viver e deixar viver"

 

FSP 13-07-1993

Comando Vermelho perde a 'guerra do tráfico'

Prisão de líderes enfraquece o grupo e facção rival passa a dominar 'bocas-de-fumo' na favela da Rocinha

Para ter o controle das 'bocas' da Rocinha bastou ao TC convencer Eraldo Souza da Silva, 34, a trocar de camisa. Indisposto com as lideranças do CV presas em Bangu I

Outras favelas tradicionais do CV têm sofrido investidas do TC.

Só na Rocinha o CV deixa de arrecadar cerca de Cr$ 20 bilhões com a venda de cocaína

o mais perigoso morro do Rio. Desde a prisão de Nelson da Silva, o Bill, há dez dias, que o Borel está sem comando. Remanescentes do bando de Bill ainda mantêm o controle do comércio de drogas mas são acossados pelos vizinhos das favelas da Casa Branca e Turano, ligados ao TC.

CV só 'ganha' uma favela

Comando Vermelho só conseguiu conquistar o morro dos Prazeres (Santa Teresa), que tem só uma boca-de-fumo, ao fim de quase uma semana de tiroteios  

 

FSP 04-12-1994 

Semana é decisiva para Exército

A expectativa dos comandantes da Operação Rio é sair das ruas da cidade no dia 30 de dezembro. Mas enfrentam resistências para isso.

Os militares usam cerca de 2.000 homens nas operações. Esse contingente, embora pequeno se comparado à dimensão do problema, não está disponível nas polícias estaduais.

O Estado do Rio teria que contratar, treinar e equipar 2.000 homens poara agir com a mesma eficácia do Exército.


Chacina: acusados ganham liberdade

Dezoito policiais têm prisão relaxada. Em Vigário Geral há medo de vingança

juiz relaxou prisão de 18 dos 51 acusados da chacina de Vigário Geral, quando 21 pessoas foram mortas. Presos desde 1993

 

"avião", "vapor", "soldado", olheiro e fogueteiro

O Globo 21-06-1997

Infância perdida: Polícias Civil e Federal calculam que seis mil jovens estejam a serviço das quarilhas nas favelas

Vídeo treina os menores do tráfico

Em blitz no Morro da Mangueira fitas e livros sobre armas e munição são apreendidos

- Os traficantes estão treinando os menores com a ajuda de ex-recrutas. Eles precisam fazer isso porque boa parte dos "soldados"(bandido que trabalha na segurança das bocas-de-fumo) é menor de idade e ainda não fez o serviço militar onde se aprende a mexer com armas - contou o major chefe da P2 (serviço reservado) do 4. BPM

esse exército mirim, segundo policiais de Delegacias de Repressão a Entorpecentes das Polícias Civil e Federal, representa 50% do contingente de cada quadrilha que controla o tráfico no Rio. Eles calculam que se o Rio de Janeiro tem cerca de 200 (!!!) favelas e 30 adolescentes aproximadamente atuam no tráfico de drogas em cada uma delas - como "avião", "vapor", "soldado", olheiro e fogueteiro - cerca de seis mil menores estão sendo usados pelos criminosos "adultos".

um "vapor"(vendedor de varejo) pode faturar até R$ 2 mil por mês num dos grandes morros da cidade

estatística do Juizado de Menores:

índice de envolvimento de infratores com drogas em 1991 era de 7,63%

em 1996 o envolvimento de menores com drogas era de 42,25%

P., de 16 anos, "vapor" do Morro do Vidigal:

- Sou menor e não tenho oportunidade. Estou cansado de ver playboy aqui no morro com tênis esperto e carrão. No tráfico posso conseguir mais dinheiro ou morrer. Não estou perdendo nada.


Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, e José Carlos dos Reis Encina, o Escadinha, ambos presos em Bangu I, tiveram várias passagens pelo Juizado antes dos 18 anos.


O Globo 23-07-1995

Sob a lei do AR-15

Favela da Prainha, na Linha Vermelha

Um menino de 11 anos pode ganhar dois salários mínimos só para acender morteiros avisando sobre a chegada da polícia.

O "gerente" da área foi nomeado recentemente pelo traficante Ulisses, de Vigário Geral. (...) tem pouco mais de 18 anos. 

Os "soldados" e "olheiros" são arregimentados entre os menores. O dinheiro fácil do tráfico seduz os filhos do salário-mínimo. 

 


Rio de Janeiro ou Gaza antes do arrasamento





URBANISMO  SELVAGEM

em lugar do caos que vemos

desde a pioneira mirada de convés de Caminha aos relatos do pastor Jean de Léry, enviado por João Calvino à França Antártica a pedido de Nicolas Durand de Villegaignon meio século depois, do frei André Thevet, também concentrado no Rio de Janeiro sob ocupação francesa (Curiosidades da França Antártica) e o de Gabriel Soares de Sousa, que em 1587 publica o primeiro Tratado Descritivo do Brasil na última flor do Lácio, inculta e bela, de Olavo Bilac. Os relatos marcaram época e os estudos do gênero; a Viagem Feita em Terras do Brasil de Jean de Léry foi para Claude Lévi-Strauss uma obra-prima da literatura etnográfica.

Roman Polanski: - Sempre que passeio de barco no Rio de Janeiro penso nos primeiros europeus que chegaram por aqui. Um filme que fizesse neste cenário seria algo talvez em cima do contraste entre duas culturas na época dos conquistadores.

- O Brasil ainda não chegou, você está entendendo? O Brasil está chegando. Está indo. Mas ele ainda não chegou – sinalizou Francisco Weffort em 2014.

Ainda não formado E já deformado. E quando chegar vai estar todo estropiado. O gigante dorme enquanto é vorazmente dilapidado e depredado. O país vira escombros antes de se erguer.

Spike Lee foi um dos protagonistas da grande polêmica em torno da filmagem do videoclipe de They Don't Care About Us de Michael Jackson, em 1996, no Rio de Janeiro. Uma das cenas do clipe mostra M.J. - Emijota aqui entre nós - num mirante com um dos panoramas mais estonteantes da Terra, no morro Santa Marta, que o povão chama de Dona Marta e até Dona Morta, assim como a favela que ali cresceu, no sopé do Corcovado jobiniano, com vista para a entrada da baía de Guanabara (“como é bonito o Pão de Açúcar visto daquele ângulo”, Caetano Veloso) e o mar das jobinianas-bossanovaianas Copacabana e Ipanema.
Para gravar lá a produção do incendiário tandem Lee-Jackson fez um acordo com Marcinho VP, o chefe do chamado narcotráfico da favela, uma das grandes muvucas que há 3 décadas se armam nas entradas das favelas cariocas nos fins de semana, num carnaval quase permanente regado a fumo, bebida e pó. Pó benzido com muito pó de talco ou o que seja. Emijota na muvuca (do Dona Morta)
A coisa acabou por ser muito mal trabalhada pelas autoridades locais com a mídia e a massa. Disseram que o acordo de estrangeiros com marginais era uma afronta. Pelo tom do secretário da Indústria, do Comércio e Turismo do governo do estado, que dava a entender estar querendo aparecer na cola de uma bela de uma polêmica, parecia até que os gringos poderiam ser expulsos. Imagina: “Rei do pop expulso do Rio de Janeiro”. Péssima publicidade. Ia pegar muito mal.
Os gringos negociarem acordo com criminosos expunha a olho nu e logo através de toda a mídia internacional uma prática corrente até entre os poucos prestadores de serviços que por lá circulavam e toda a hipocrisia do relacionamento e do modus operandi das autoridades com o problema do controle das favelas cariocas por notórios narcotraficantes. No caso de Marcinho VP, o episódio foi a escada para a fama nacional e internacional e para o público em geral um prato cheio de piadas por umas duas semanas.
Quem quer que do “asfalto”, nos sopés, queira fazer alguma coisa nas favelas do Rio de Janeiro em 1996 tem que combinar com os “donos” – xerifetes ou baronetes – do lugar. O prefeito da capital do estado, César Maia, admitira semanas antes que a autarquia negociou com o tráfico a construção de um muro no fundo dos jardins da sede da Prefeitura carioca no sopé do Dona Marta. Claro que depois da reação escandalizada que gerou um megaescândalo que fez rolar rios muito maiores de tinta no Brasil e ao redor do mundo – tudo o que uma grande produção mais quer, publicidade -, a começar por uma “séria” ameaça de suspender a operação, a rodagem das cenas no mirante do morro de um dos trechos cariocas do videoclipe acabou por acontecer numa tarde de domingo.
Spike Lee, que do seu lado já era bastante notório pelas suas fitas, tornou-se então mais “um de nós” para a massa brasileira, pela exposição que teve naqueles breves-longos dias de hipócrita tiroteio das ótoridades ao “desaforo” das celebridades globais, que ao quererem exibir-se num dos mais famosos cenários da cidade acabaram por pôr o dedo numa das inúmeras feridas dos seus cânceres metastásicos. Sobretudo porque Emijota, como era do seu estilo e era o mais sensato fazer mesmo, jamais deu as caras durante o processo, Lee acabou por ter ampla exposição em jornais e telejornais e naqueles dez, quinze dias tornou-se parte da galera e do cenário.

na ditadura militar 1964-85 o Brasil mudou de face do fazendão subaproveitado (selvagem) para a depredação da orla oceânica com o inchaço urbano. Ficou ainda mais deformado – cheio de favelas - desmatado e amputado

os militares só conseguiram mesmo fazer o que os americanos queriam e impor os princípios de ordem que de algum modo tinham conseguido fazer prevalecer desde a implantação da República oligárquica que conseguiu sobrepujar até Gegê com pretensas prerrogativas positivistas quais ordem e progresso e institucionalizando a violência que perpassa toda a história do Brasil pela prepotência e a tortura, quando necessário, imperante até hoje na polícia oficial (Polícia Militar) e clandestina (os antes chamados esquadrões da morte, hoje milícias). O Brasil é terra sem lei e sem ordem como no tempo em que mandava no sertão quem era forte “e até Deus tem de andar armado”, como epistrofou Guimarães Rosa. Em primeira e última análise a lei é a ordem dos coronéis e do cangaço do século XIX ao XXI.

 A violência dos cangaceiros urbanos assume proporções assustadoras e os moradores começam a erguer grades ou a elevar os muros para se proteger em ce(lu)las condominiais ou familiares. No Rio de Janeiro a Falange Vermelha dá lugar ao Comando Vermelho – nada a ver e tudo a ver com política. E o chamado narcotráfico toma de assalto a cidade e o país. O Brasil africaniza-se, o que até poderia ser uma boa em termos de encarnação de parte de sua identidade. Mas africaniza-se só no pior sentido em termos de condições existenciais. A questão social torna-se definitivamente caso de polícia, como a via o presidente Washington Luís há um século, no perigeu da república do café com leite.

O prefeito do Rio de Janeiro diz que há seis meses elabora com arquitetos, urbanistas e economistas um plano para tratar a questão das favelas, que custará R$ 5 bilhões até 2016.

Abril de 2010 – 212 pessoas morrem e 150 desaparecem num deslizamento de terras no morro do Bumba após alto índice de precipitação de chuvas, em mais um caso de incúria e pecado venal. O Morro do Bumba foi ocupado depois que um depósito clandestino de lixo que ali funcionou de 1970 a 1986 foi desativado. Um lixão selvagem, como tantos que existem no Brasil. O lixo orgânico, em decomposição, produz gás metano, um gás explosivo. Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, 2010:

- Eu sabia do lixão, mas não sabia do risco – disse o prefeito Jorge Roberto Silveira, que governou o município de 1989 a 1997. A ocupação era de todo modo reconhecida oficialmente como logradouro, pois tinha água encanada e energia elétrica.

- Sucessivos governos no Brasil fecham os olhos a ocupações ilegais de encostas. Em parte para disfarçar a sua incompetência, por não investir seriamente e com continuidade numa política de habitação e transporte para famílias de baixa renda, em parte porque favelados com água e luz sempre foram sinônimo de votos. Existe mapeamento de áreas de risco, há verba federal disponível, não faltam técnicos e cientistas capazes de assessorar o governo na remoção, mas essa palavra ainda é um tabu – sentenciou a revista Época na ocasião. Claro como água.
A revista informou também que não houve seca mas entre 2010 e 2012 a Bahia foi contemplada com 64% da verba federal destinada à prevenção de desastres. O ministério responsável era chefiado pelo baiano Geddel Vieira Lima, que deixou a pasta controlada pelo PMDB para concorrer ao governo do seu estado. Das verbas destinadas pelo Orçamento de 2009 e efetivamente gastas, 90% foram para prefeituras baianas. Geddel negou a preferência e afirmou que a Bahia apresentou mais e melhores projetos. Ainda assim em Salvador, por exemplo, dezenas de pessoas morrem quase todos os anos em deslizamentos de terras em ocupações.

O Maranhão de José Sarney em 2000 é o mesmo de Maranhão 66, documentário da posse do governador nomeado pela ditadura militar enquanto a câmera na mão de Glauber Rocha passeia pelos escombros do centro histórico de São Luís e o estado deplorável das habitações invadidas por populares. Glauber fez o documentário em troca de financiamento de Terra em Transe, o seu longametragem de 1967.

a grande maioria dos jovens negros, mestiços (ou pardos, como se chamam) e de muitos brancos pobres cuja educação é uma das causas das dores de cabeça do país, porque suas bases deploráveis prejudicam a produtividade. A maioria dos pais, da massa ignara, por falta de ilustração (juízo) ou porque assoberbados pela guerra da sobrevivência, não sabem ou não podem educar os filhos e o ensino público não os atrai, antes os repele, com toda a sorte de problemas estruturais dos estabelecimentos em si, do corpo docente e da qualidade do ensino, empurrando os mais desafoitos ou aventureiros para engrossar – por falta do que fazer, pois não estudam nem trabalham – o exército da delinquência juvenil e as estatísticas da violência urbana, suburbana e rural.

O espaço público é em geral uma choldra ou joça e a maioria dos habitantes dos aglomerados urbanos tem uma existência mais aparentada à animalidade do analista de João Ubaldo Ribeiro, indigente, dependente e eternamente carente de desvelos, ou seja, da satisfação dos direitos básicos em restituição aos impostos (a história da Nova República pós-ditadura é a do aumento da taxa de cobrança direta ou indireta de 24 para 38%).

Tristes Trópicos, o tópico ideográfico de Lévi-Strauss, traz a abrir uma análise comparativa das metrópoles indianas com as maiores cidades brasileiras. Tarun Dutt, o economista indiano que ajudou a reeguer Calcutá, a grande complicação urbana do Terceiro Mundo, com a quinta população citadina do planeta, um em cada três habitantes a morar num ambiente de densidade e sujeira que raras favelas brasileiras conhecem, disse que provavelmente o Brasil urbanizou-se demais e muito depressa.

Na India, segundo ele, os governos investiram no campo, fazendo reforma agrária e distribuição de terras, construindo mercados rurais e redes de transporte e assim estancou-se o êxodo rural. O dominador não tinha domus no espaço rural brasileiro e não o desenvolveu. Muito ao contrário ou o oposto do norteamericano, em que famílias, comunidades inteiras transferiram-se para lá para sempre, conquistando, ocupando e chamando de seu tudo aquilo e desenvolvendo-o à sua boa e velha maneira. O espaço urbano sem projeto além do fazendão infla sem o mínimo ordenamento e menos ainda planejamento com levas de migrantes enxotados dos campos – e sobretudo do Nordeste, o único povoado há mais tempo, desde o início da colonização, porque década após década a urbanização faz-se na cola de invasões ocupações e “puxadinhos” esticados e erguidos por severinos da morte e vida severina ou pedros transformados em pedreiros, porque fazer massa é fácil. Primeiro de tábua (tauba, por quem são) e zinco e depois de tijolo e telhado de telha de amianto. O esgoto clandestino ligado a matas e rios que desaguam como línguas negras nas praias também cada vez mais poluídas.

... a minha pátria é desolação De caminhos; a minha pátria é terra sedenta E praia branca.

Não é mais, Vinícius de Moraes.

enquanto a massa de desvalidos quintuplica o Brasil cresce aos trancos e barrancos e de emenda em arremedo, de que São Paulo é a síntese: onde já nos anos 1930 Claude Lévi-Strauss descortinou um mundo que mal se ergue e já é ruína e a paisagem urbana de algum modo harmônica que conheceu começa a transformar-se num petalabirinto de concreto, asfalto e favelas com um ou outro oásis pelo meio. Sobretudo a partir de 1970, toda cidade brasileira transformou-se nisso, não sendo as outras no entanto nenhuma São Paulo. A censura impediu que corressem rios de tinta sobre o tema mas subentendidos da questão originaram até título de telenovela (O Espigão, 1972, Selva de Pedra, 1974, Janete Clair).
A especulação imobiliária nos anos do boom da ditadura foi de tal ordem que a faixa de areia da praia do Leblon, no Rio de Janeiro, deixou de ser banhada pelo sol à tarde, porque entre o meio-dia e a uma ele se põe atrás dos prédios construídos em sua orla, a Delfim Moreira. Também no Rio, o plano urbanístico da Barra da Tijuca, feito por Lúcio Costa, foi desvirtuado ao começar a sair do papel. Houve quem à época (nas entrelinhas) bradasse ao escândalo. Como Millôr Fernandes, no Pasquim, um jornal de circulação reduzida entre uma pequeníssima fatia da população e, com o fim da censura, em 1985, no Jornal do Brasil do Rio de Janeiro.
- Se Salvador fosse conservada seria tão sofisticada como Portugal. O brasileiro não tem tanta tradição de cuidar das coisas como o europeu – reclamava a cantora Gal Costa em 2012, quando voltou a morar em São Paulo, onde iniciou a carreira nos anos 1960 com os amigos Caetano Veloso e Gilberto Gil. Pior: dizia não ter nenhuma saudade da Bahia porque a via muito mal cuidada. - Os governantes não estão cuidando dela como deveriam – proclamou com a veemência de uma baiana da própria Soterópolis. Um ano e meio depois Caetano Veloso tomou a palavra para lançar depoimento outrotanto autorizado porque oriundo de Santo Amaro da Purificação, no chamado Recôncavo Baiano, no entorno da Bahia de Todos os Santos, donde a soterópolis.
Salvador tem papel relevante no cenário mundial porque no século XVII era o maior centro habitacional a sul do Equador e pela sua toponímia e porque foi ali que tudo começou, enquanto qualquer outra cidade do Novo Mundo seguiu os padrões do urbanismo pós-renascentista de retas e perpendiculares, é ainda uma réplica gêmea de Lisboa e Porto, com seus labirintos. Colinas acima e abaixo casarões desabam ou são derrubados pouco antes de cair, apesar de seu centro histórico ser Patrimônio da Humanidade da Unesco. Descreveu Caetano:
- Uma imagem tomada por Orson Welles no filme que ele começou a fazer sobre jangadeiros cearenses que desceram de jangada de Fortaleza até o Rio (1941) mostra Salvador como uma obra-prima urbanística. Nada menos.
Assim era também o Rio de Janeiro década e meia depois, embora o seu centro histórico já tivesse alguns espigões feios e desproporcionados. Descrição detalhada de suas belezas nesse particular encontram-se no livro de Stefan Zweig que, como lembra Caetano, escreveu que “o Brasil tem as cidades mais bonitas do mundo”.
- (H)oje nós podemos dizer que as cidades brasileiras estão entre as mais feias do mundo – contrapõe o autor de dezenas de canções sobre algumas – quase se diria – antigas joias litorâneas brasileiras.
- Se tivesse havido consciência do valor estético (da estrutura urbanística e arquitetônica de Salvador) e tivéssemos podido planejar a modernização mantendo-a (o que não é nada impossível; as cidades europeias são ao mesmo tempo mil vezes mais modernas e mil vezes mais preservadas do que as nossas), teríamos hoje uma joia do Atlântico Sul, em lugar do caos que vemos – atesta.
Ao reclamar da queda de um terço da ocupação hoteleira no século XXI os operadores turísticos pedem às autoridades que promovam campanhas para atrair turistas à cidade, com potencial para ser uma Cartagena de las Indias em escala desproporcional, porque seu litoral e as imediações, como cantou o seu maior cantor, “tem encantos que nenhuma outra tem”. Certo que, entre as ruínas, ainda se erguem tesouros de estarrecer Umberto Eco entre outros grandes cantores. E o seu mar, visto de longe, é belo como nas canções de Caymmi.
Visto de longe... de perto é fedido, é fedido, como anotou Antônio Risério.
Salvador é aqui tomado como exemplo – e um dos mais deploráveis, talvez. A descrição de Caetano, para o caso, é irretocável, faltando apenas acrescentar que o que estão fazendo na expansão modernizadora da antiga “terra da felicidade” é do mesmo modo de bradar aos céus. Pior é que não é menos verdadeiro e extensível a todo o mapa do Brasil o que o “diseur” de A-ma-ra-li-na escreveu adiante:
- (O) olhar realista para a feiura visual e social produz ceticismo.
Feiura visual e social. No Brasil de norte a sul: O amontoado caótico, colinas acima e abaixo, em Salvador da Bahia, é uma perspectiva de décadas da expressão do descuido com a condição humana no ergue e bota abaixo anotado em São Paulo a partir da década de 1930 por Lévi-Strauss, de que Caetano Veloso faz ligação direta com “a força da grana que ergue e destrói coisas belas” num antiprojeto em que gente e natureza são tratados como ou viram lixo. O centro bastante limpo com uma gestão normal, o resto um furdunço, monturos de entulhos, moscas, cheiro acre de urina e lixo orgânico em decomposição entre dezenas de queimadas de plásticos e pneus, como a aglomeração nas colinas até as campinas e além, até o Recôncavo Baiano de Robinson Crusoé e além, e o mau cheiro onde as brisas e ventos de leste purificadores da cidade rodeada pela imensa baía e o alto mar não chegam e não varrem saudavelmente o bedum.
Outra preciosa joia arquitetônica lusa – que como algumas centenas de sítios são testemunhos vivos (embora na grande maioria decadentes) de acervo português no Brasil como se pedaços de Portugal nele tivessem sido enxertados - , o centro histórico de São Luís do Maranhão, réplica de bairros lisboetas dos séculos XVII e XVIII, encontra-se em estado lastimável de não conservação, que leva o transeunte a deplorar: - Que tristeza!
O amontoado caótico, colinas acima e abaixo, ganha ecos retumbantes de Blade Runner, um mundo onde nenhum sentido escapa de um lado aos encantos lusoafrocubajamaicanos e do outro ao ribombar de tonitruantes caixas amplificadoras de som instaladas em capôs ou nas malas de carros utilitários muitas vezes de menor valor que as caixas a irradiar em 80 decibéis ou mais, infringindo os limites da lei – mais uma lei “que não funciona” -, quais trios elétricos do famoso carnaval baiano com efeito chocante em tímpanos e peitos, dia e noite, sete dias por semana, os indefectíveis sons da Era Lula e da nova classe C, em gêneros tão híbridos quanto indecifráveis e de mau gosto (para quem tem bom gosto) do arrocha (primo distante do bolero) e do pagode baiano, muito diferente do samba de pagode carioca, às vezes tão híbrido e lotado de sons sampleados que fazem até lembrar a fase jazz-rock de Frank Zappa, qual Jazz from Hell, com linguajar para lá de chulo, muito grosso (passe a expressão...). Dezenas de milhares de trios elétricos zoam intermitentes com sons de tal quilate ou de “hinos” do repertório da chamada música gospel à mistura com anúncios de lojas e cultos numa “igreja” do bairro.
Cola aqui à perfeição o que escreveu Waly Salomão, baiano de um dos interiores profundos e de vastas conexões com a cultura global:
Paupéria: uma região de parcas pecúnias de Pindorama, isto é, a terra das jussaras, das íris, das pupunhas, dos licores e dos babaçus. Paupéria: miserabilismo terceiro-mundista. Pindaíba. (O Terceiro Mundo, essa cilada conceitual.) Paupéria: inversão cinza e sistemática do baudelairiano convite à viagem: onde tudo não é senão desordem, feiúra, pobreza, inquietação e antivolúpia: tristeresina total.
F A V E L I Z A Ç Ã O E N E O M E D I E V A L I Z A Ç Â O U R B A N I S T I C A A M E R I C A D O S U L Nessa linha de raciocínio sobre urbanismo e paisagismo incluem-se todas as cidades brasileiras – Petrópolis, Rio de Janeiro, São Paulo já no tempo (e pela visão) de Claude Lévi-Strauss (que mal se ergue e já é ruína) ou Manaus, que em 1852 tinha quatro mil habitantes, 40 anos depois vive a época de ouro do ciclo da borracha e um crescimento explosivo, em que nasce a primeira capital da floresta tropical, com um desenvolvimento urbanístico e arquitetônico em que grana não é problema e com o fim do ciclo da borracha nunca mais se recuperou.
Passou a viver de remendos arquitetônicos e urbanísticos, porque na cidade não existiam mais arquitetos e o que ela tinha em quantidade era pedreiros e mestres de obra portugueses a repetir o que tinham visto fazer em sua terra de origem, adaptando riscos e traças a um possível gosto local.
Nascia assim antes do tempo e fora do espaço a casa portuguesa com certeza do final do século XX em Portugal, as chamadas casas tipo maison construídas pelos emigrantes que mantiveram os dois pés na terrinha enquanto amealhavam no estrangeiro para o patrimônio da aposentadoria. Uma passagem de Luiz de Miranda Corrêa em Manaus – Roteiro Histórico e Sentimental da Cidade do Rio Negro (1969) é a súmula do desconcerto paisagístico do Brasil no século XX: - A modernização das fachadas ou habitações de 1900 se constitui em capítulo de mau gosto e de vandalismo. A desfiguração de sobradões lusobrasileiros, em que belíssimos azulejos franceses, ingleses, belgas ou portugueses foram muitas vezes substituídos por ladrilhos de banheiro ou de cozinha gerando fachadas de um mau gosto insuportável.
Casarões desabam em ruínas às dezenas em Salvador, que dificilmente poderá sustentar-se como ícone de um paradisíaco carnaval tropical da capa de Spyro Gyra (Carnaval, 1980), como variante do Rio de Janeiro quando a cidade maravilhosa cansou.

De outro lado, grande parte da construção brasileira tem sido feita por pedreiros e mestres de obra que todo mundo é, pode ser, porque basta saber fazer massa e "bater a laje". Lápide do urbanismo civilizado de há cem anos, totalmente inspirado em Paris e em arquitetura de morar – e no próprio modo de vestir da época – doentiamente por demasiadamente inspirada, como notou o parisiense de nascença e cultura Lúcio Costa.
Manaus, como fixada por Miranda Corrêa, teve então a sorte de seus governantes se preocuparem em construir praças e jardins humanizando traças, as vezes eminentemente europeias, que se chocavam com a realidade tropical. Como fontes, coretos, estátuas, luminárias e outros enfeites da Europa, copiava os parques de Paris e Londres, que cumpriram honrosamente sua missão de refrigerar a cidade tropical, com vegetação frondosa. O Rio de Janeiro tirou uma casquinha de Haussmann e da Opera (Theatro Municipal), criou a praça Paris ao lado do Passeio Público e arvorou-se a cidade-luz da América do Sul mas em pouco tempo tornouse em mais um pasto da especulação imobiliária de vista curta a erguer barreiras à circulação do ar e profundidade do campo de visão.
Cinzentas nuvens de fumaça umedecendo meus olhos, imensos blocos de concreto ocupando todos os espaços
, lamenta Paulinho da Viola em 1975 (Amor à Natureza). O Rio Notorious de Ginger e Fred a Hitchcock ficou por isso mesmo. Sintomático que o movimento de restauração haussmanniano para desfavelizar o centro da cidade de Pereira Passos, o Bota-Abaixo, provocou a explosão da favelização da cidade que é uma das características mais marcantes da evolução urbanística do Brasil e, já agora, da América do Sul.

O caos urbano, suburbano, rural e ambiental (porque quantos Portugais de Amazônia são desmatados e queimados no Brasil a cada ano) é reflexo de uma aberração de séculos acentuada pela ditadura militar e pelos sucedâneos, porque o Brasil, se não perdeu ainda, pode perder todos os crânios que ainda tenha por falta de campo para desenvolver conhecimentos ou habilidades.
E quando os desenvolvem, como no pioneiro programa de combustíveis alternativos ao petróleo, são subestimados, menosprezados. Os movimentos de avanço da construção civil em anos em que a economia cresce, por conta da especulação, da corrupção e do pouco caso das autoridades, são de retrocesso, pela feiura, falta de funcionalidade e adaptação aos tempos hodiernos de arquitetura ecoambiental e às próprias condições climáticas de cada região (algo que a arquitetura ao metro quadrado brasileira teima em desconsiderar). Caso em que é até de desejar que a perspectiva lévi-straussiana continue atual e que da ruína da maior parte do que se faz há mais de meio século no país nasça algo mais belo e racional.
Corrrupção, tortura e caos existencial desenfreados, sob o manto da alegria e fé no porvir, não são fenômenos exclusivos do Brasil. Mas ele é um dos maiores exemplos da propagação da civilização ocidental e está mais perto do centro que a Índia, por exemplo, o que torna a coisa mais visível, chocante, para boa parte do mundo.
A Idade Média brasileira é o que ele herdou do mandonismo e servidão e os traços caracteriais do Nordeste, onde o Brasil começou e onde prevalece a mentalidade de estrutura neofeudal e o obscurantismo da crença no transcendente milenarista sebastianista dominante entre os eleitores e seguidores de coronéis políticos e líderes religiosos que são a encarnação do Pai na Terra. Da literatura de cordel ao Antônio Conselheiro, líder de Canudos, Padre Cícero “padroeiro do sertão” e a Lula, o último messias dos pobres.
Anotou Antônio Callado em 1976 em Reflexos do Baile, romance:

- Oriundas da Guerra de Canudos, as favelas do Rio, atavicamente a Serviço, ainda, do Conselheiro, são os torreões de massapé e as muralhas de adobe da Troglodítia, são a quinta-coluna, o câncer ósseo em nosso esqueleto implantado, são a imagem de barro que é preciso destruir.

Delenda, por exemplo, Rocinha. Não se delendou. E ela, um dos primeiros, será apenas mais um dos mil e setecentos maiores aglomerados espontâneos da região metropolitana do Rio de Janeiro. Fora Salvador da Bahia, as vilas só começam a florescer no século XVII. Mas o traçado medieval de escadarias e emaranhado de becos e vielas acabou por se impor no último século e sobretudo nos últimos cinquenta anos. Zweig descreve com encanto bucólico as primeiras aglomerações encarrapitadas nos morros da Zona Sul do Rio de Janeiro nos anos 1930, como a Rocinha, que hoje tem 30 mil habitantes e foi uma das pioneiras entre as mais de mil e setecentas existentes na região metropolitana da cidade.
É já uma favela-bairro. Um dia será “urbanizada”, como as 200 favelas de São Paulo, segundo um plano em andamento, até 2050. Até o fim do século o Brasil, que não teve um urbanismo medievalesco, terá os seus milhares de bairros – e centenas de municípios – medievais... dos séculos XX-XXI.
Cidades há, como o Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, que já tinham se expandido e as favelas ficaram mais ou menos separadas, mesmo que cada vez mais visíveis nos penhascos cariocas e esparramando-se de tal modo que acabam por se confundir com o mundo do asfalto. Mas no que também essas cidades foram se expandindo fizeram brotar, paralelas com os bairros dos brancos e pardos mais claros, as favelas dos pardos mais escuros e negros de todos os tons. Em muitas cidades, por falta de planejamento arquitetônico e urbanístico, os próprios bairros crescem espontaneamente para os lados e para o alto, sem supervisão pública, confundindo-se com favelas que brotam onde haja espaço livre para se ocupar, muitas vezes em locais de risco. O que não raro provoca grandes tragédias.
Ninguém se preocupa em gastar dinheiro com acabamento exterior, só com o interior e muitas vezes nem isso, porque não tem mesmo o que investir. E o que também faz com que as cidades brasileiras hoje estejam entre as mais feias do mundo são os remendões de tijolo e cimento entre os espigões dos “bacanas”, ou pouco mais ou menos. Ou ao lado ou nos fundos de condomínios que por sua vez, paralelos aos shoppings, são quase os únicos espaços para transeuntes com o mínimo de segurança, as cidadelas modernas das cidades dominadas pela violência, em um ambiente VERDADEIRAMENTE DANTESCO.
- As maiores cidades brasileiras são grandes feridas sem cura provável a médio ou longo prazo. Em todas elas instalou-se o caos, uma desordem que nem de longe é semente que venha a produzir um bom fruto. Segurança pública, saneamento básico, saúde, trânsito, tudo é uma imensa sucata. Temo que os próximos quarenta anos apenas agravem a atual situação. – José Wilker, ator.

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Ao transferir-se para as “comunidades” (eufemismo para favelas, que parece mais chocante), o Estado transfere também a sua escória, autoridades em geral i.e. políticos (salvo exceções) e membros de milícias, de grupos do chamado narcotráfico ou facções criminosas, que se reúnem em conluio (pago, porque aqui ninguém trabalha de graça) e eis o ovo da serpente que se revela. O mal impera sobre o bem e o projeto logo vai a pique. Porque não é do interesse de ninguém, nem mesmo em princípio dos moradores que ao mudar o estado das coisas vão ter de pagar taxa disso e daquilo mais conta de água, luz e o escambau, de que usufruem grátis ou 0800 via gato, ligações clandestinas, inclusive wi-fi gatonet. Milicianos são por duas décadas na maioria agentes de segurança pública, não importa o que, soldado ou cabo ou sargento da PM, marinheiro, basta que seja de alguma força da autoridade.

A Falange Vermelha nasceu no Presídio Cândido Mendes, na Ilha Grande, cenário de Memórias do Cárcere, em que Graciliano Ramos descreve sua experiência como preso político da ditadura de Getúlio Vargas. Presos da ditadura militar são enviados quarenta anos depois para o mesmo presídio e, como o escritor, postos em convívio com delinquentes comuns. Entre eles está José Carlos dos Reis Encina, o Escadinha, que espalhará muito terror nas cadeias e o seu poder sobre uma das cerca de 500 favelas existentes no Rio de Janeiro nos anos 1980. Membros de grupos de guerrilha ensinam-lhe tácticas de organização e luta política. Da sua Falange Vermelha, como de um PCB, nascerá a dissidência Comando Vermelho e desta o Terceiro Comando. Tudo sobre uma estrutura organizativa do tipo célula política clandestina.

... narcotráfico

O regime policialesco, que faz com que os cidadãos convivam com todo tipo de arma por onde quer que trafeguem, agrava um contexto de corrupção disseminada na polícia e a violência nas ruas. Em outubro de 2009 é lançada uma operação para pacificar 49 favelas através da instalação de Unidades de Polícia Pacificadora da Polícia Militar, uma contradição em termos.

Em 15 de março de 2010 o jogador de futebol Wagner Love, atacante do Flamengo, repete as aventuras de Adriano Imperador, o seu antecessor na vaga, e vai a uma festa na Rocinha escoltado por traficantes com fuzil. Seis dias depois o governo do estado implanta uma UPP no morro do Livramento, no centro da cidade do Rio, onde as favelas começaram a brotar entre os séculos XIX e XX. Cai a seguir o Borel, quando as autoridades repetem a promessa de que a UPP que ali será instalada irá ser o posto avançado de uma ação tendente a levar às favelas serviços de que não desfrutam e que esse será o elo de ligação entre o poder constituído e a população nas 26 favelas ocupadas em 2010, equivalentes a apenas 1% do total de favelas da região metropolitana, segundo Fernando Gabeira, fundador do Partido Verde, em campanha eleitoral para a Prefeitura carioca.
8 de Novembro de 2010 – Operação da Polícia Militar na Vila do Cruzeiro e 800 soldados do Exército cercam o Complexo (de favelas) do Alemão, de que aquela favela faz parte. A ação é antecipada em relação aos planos do governo, que decide responder a reações dos traficantes ao avanço das UPPs. A escolaridade média no morro do Alemão é de cinco anos e os rendimentos dos trabalhadores que ali residem equivalem a menos de um terço do rendimento médio na cidade. 26 de novembro – Guerra Urbana no Rio de Janeiro: Favela Vila do Cruzeiro bairro da Penha, Complexo do Alemão – 43 mortos em cinco dias, 98 autocarros incendiados até aqui a mando de traficantes do Alemão que receberam abrigo na Rocinha e em São Gonçalo, região metropolitana da capital do estado. A “facção do narcotráfio” em ascensão atualmente é a Amigos dos Amigos. O Globo 27 de novembro 2010 - manchete a toda a largura da primeira página: A guerra do Rio
A guerra do Rio Intenso tiroteio entre Exército e tráfico abre Batalha do Alemão O governo anuncia entretanto que até 2020 todas as favelas serão urbanizadas, integrando-se à cidade.

O “tráfico” é o móbil de toda a ação. Um milhão de jovens pardos e negros crescendo espontâneos do nada e sem nada que fazer além de vadiar e fumar um baseado, unzinho, porque a escola não os quer e os enjeita, os pais nem ligam, porque não sabem o que é e para que serve a educação, quando dizem que vão arrumar emprego e, claro, não arrumam porque com boom ou sem boom a economia não ajuda a quem não tem “boa formação”. O “tráfico” é o móbil e ao crescer esses jovens desenvolvem a natural rebeldia juvenil aliada ao instinto selvagem de zona de fronteira e o clima vira de faroeste ou bangue-bangue. Mata-se ou foge-se de susto de bala ou vício como elemento natural na luta pela sobrevivência. Isto passa-se em centenas de concentrações urbanas superpovoadas. Em Salvador, por exemplo, as zonas conflagradas estendem-se por dois terços da região metropolitana, onde os moradores convivem dia a dia com tiroteios e exibições de belos colts de todos os modelos e feitios. Isto em meio a balas perdidas, que vitimam o bebê ou o mais velho que saiu à rua para ver pensando ouvir bomba de São João. Não poupa nem a faixa litorânea onde se concentra a população branca, porque se na frente está Amaralina logo atrás está Nordeste de Amaralina - um favelão. Por nada. Brincadeira de caubói e índio em meio à anarquia à vera.

- Aqui no Rio me esperavam surpresas incríveis. A primeira delas foi ver a beleza da raça brasileira em Ipanema. É a raça dos que comeram. Depois fui ver Caxias, fui ver Madureira; já é outra raça, a dos que não comeram. A figura dos que não comeram, do povão, de um lado, e a beleza de Ipanema formam um contraste. A beleza de Ipanema está muito mais bela e as subtribos de Caxias, do Méier, estão mais terríveis ainda. - Darcy Ribeiro, 1977 - Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1990

O Brasil está paralisado diante da questão social e está se tornando uma nação de castelos armados. No Rio de Janeiro os edifícios da Zona Sul são cercados de grades e guardas particulares. É uma mistura de apartheid social e medo. O país precisa pensar em fortalecer o espírito de comunidade e não em levantar arranha-céus protegidos por cães e guardas. Não se busca alternativas para a vida que os brasileiros estão vivendo no momento. A frase do presidente (Henrique Cardoso, n.d.a.), de que não há alternativas, deveria ser tomada como um desafio pela intelectualidade brasileira. Eles deveriam pensar em projetos que tornassem possível melhorar a justiça social. O sistema político no Brasil é uma máquina de distribuir dinheiro para cima, para as classes média e alta. A elite americana tem mais sentimento de culpa. É um traço do protestantismo. O rico brasileiro não tem sentimento de culpa. O americano rico fica envergonhado por ter muito dinheiro. O protestante, como dizia Calvino, nunca sabe se será salvo ou não. O católico, cuja moral está mais presente na cultura brasileira, sabe que será salvo a cada domingo. – Thomas Skidmore, brasilianista, em entrevista a Veja 19 de abril de 2000
AMARCORD GLAUBER ROCHA ANOS 1960 e 1970

Abril de 1889, um ano depois da decretação da libertação dos escravos pela Lei Áurea, uma Comissão de Escravos Libertos escreve ao abolicionista Rui Barbosa: “Comissionados pelos nossos companheiros libertos de várias fazendas (...) do município de Vassouras para obtermos do governo imperial educação e instrução para os nossos filhos (...)” - pedindo ajuda para conseguir cumprimento da Lei do Ventre Livre de 1871, que estabelecia que os filhos dos escravos nasceriam livres e seriam educados. Não foi cumprida a parte da educação. “Nossos filhos foram imersos em profundas trevas. É preciso esclarecê-los e guia-los pela instrução.”


            LITERATIROS

                                          LEI DO CANGAÇO | O CANGAÇO NUNCA MORREU

os militares só conseguiram mesmo fazer o que os americanos queriam e impor os princípios de ordem que de algum modo tinham conseguido fazer prevalecer desde a implantação da República oligárquica que conseguiu sobrepujar até Gegê com pretensas prerrogativas positivistas quais ordem e progresso e institucionalizando a violência que perpassa toda a história do Brasil pela prepotência e a tortura, quando necessário, imperante até hoje na polícia oficial (Polícia Militar) e clandestina (os antes chamados esquadrões da morte, hoje milícias). O Brasil é terra sem lei e sem ordem como no tempo em que mandava no sertão quem era forte “e até Deus tem de andar armado”, como epistrofou Guimarães Rosa. Em primeira e última análise a lei é a ordem dos coronéis e do cangaço do século XIX ao XXI.

 A violência dos cangaceiros urbanos assume proporções assustadoras e os moradores começam a erguer grades ou a elevar os muros para se proteger em ce(lu)las condominiais ou familiares. No Rio de Janeiro a Falange Vermelha dá lugar ao Comando Vermelho – nada a ver e tudo a ver com política. E o chamado narcotráfico toma de assalto a cidade e o país. O Brasil africaniza-se, o que até poderia ser uma boa em termos de encarnação de parte de sua identidade. Mas africaniza-se só no pior sentido. A questão social torna-se definitivamente caso de polícia, como a visualiara o presidente Washington Luís há oitenta anos, no perigeu da república do café com leite.

- As maiores cidades brasileiras são grandes feridas sem cura provável a médio ou longo prazo. Em todas elas instalou-se o caos, uma desordem que nem de longe é semente que venha a produzir um bom fruto. Segurança pública, saneamento básico, saúde, trânsito, tudo é uma imensa sucata. Temo que os próximos quarenta anos apenas agravem a atual situação. – José Wilker, ator.

Violência polícia VIOLÊNCIA NO PARAÍSO VIOLÊNCIA NO PARAÍSO VIOLÊNCIA NO PARAÍSO VIOLÊNCIA NO PARAÍSO Notícias do Tiroteio The ShootDown News

Políticas públicas propõem apenas atuar na repressão, sem educar o cidadão. Querem conter a violência com melhoria de aparelhamento policial sem investir em educação. Afinal a cultura que mais se desenvolveu nas últimas décadas foi a da violência, de todos os modos possíveis.

Nos anos 1990 São Paulo conseguiu baixar o índice de mortalidade de 20,8 para 10,8 por 100 mil habitantes em cinco anos, a provar como Nova York antes que quando se quer é possível. Mas há algo que faz com que não se queira. E a partir de 2012 a violência voltou a aumentar. Ainda que com os melhores índices do país, o estado teme o regresso aos piores momentos do final dos anos 1980. Ao adotar a nova tática – já antiga afinal – e não dar quartel ao PCC (Primeiro Comando da Capital, dita facção criminosa dominante no estado), teve a reação oposta de caça aos tiras e ex-tiras, em número crescente: 89 policiais foram mortos em São Paulo em 10 meses de 2012 e 415 nos primeiros sete meses de 2015.

Não faltam exemplos de força abusiva da PM e das suas Rondas Especiais. O histórico de corrupção nas corporações vem de longe, do tempo em que o famoso inspector Le Cocq, da Polícia Civil do Rio de Janeiro, comandava uma rede de receptadores de comissões para deixar os operadores de bancas de jogo do bicho da cidade em paz. Quando o não menos famoso assaltante Cara de Cavalo quis imiscuir-se no negócio e, perseguido, foi o motor da morte do inspector Le Cocq, teve o corpo transformado numa peneira por uma impiedosa execução a bala.

Outro assaltante, Lúcio Flávio, deixou frase das mais históricas nos anais da crônica policial brasileira ao querer esclarecer sua posição no relacionamento com um agente da autoridade:

- Polícia é polícia, bandido é bandido.

A história da Polícia Civil do Rio de Janeiro desde a ditadura de Getúlio Vargas à Scuderie Le Coq e do esquadrão da morte às milicias no Rio de Janeiro está sobejamente contada no livro Cidade Partida de Zuenir Ventura (1994) e neste documentário

1 5  e p i s ó d i o s

Clarice lispector na morte de Mineirinho

revista senhor, rio de janeiro

Devo procurar porque está doendo a morte de um facínora. Mineirinho era perigoso e matavva demais. No entanto nós o queríamos vivo. O décimo-terceiro tiro me assassina porque eu sou o outro. Enquanto isso dormimos e falsamente nos salvamos. Em Minheirinho arrebentou o meu modo de viver.


No Batalhão da Polícia Militar de Duque de Caxias 22 militares foram expulsos em 2012 numa história “exemplar” de extorsão, tortura, sequestro e homicídios – toda a espécie de crime - com os assim chamados traficantes das redondezas. Os esquadrões da morte refletem o clima policialesco-militar clandestino muito próximo à lei do cangaço sobre que Antônio Callado trabalhou em Reflexos do Baile.

Elementos a serviço de órgãos de repressão da ditadura passam a “desovar” corpos de militantes de grupos armados de combate ao regime executados em terrenos baldios nomeadamente da Baixada Fluminense, na região metropolitana do Rio de Janeiro, que em pouco tempo se tornaria mundialmente famosa pela proliferação da desova de cadáveres frutos da ação de grupos de extermínio ou esqudrão da morte, que fazem justiça pelas próprias mãos sem dó nem piedade.

As periferias do Sudeste do Brasil estão pejadas de nordestinos e descendentes. Da sua região de origem às de adoção O CANGAÇO NUNCA MORREU. Nos anos 1950 e 60 o poderio político da Baxada estevve a mando de Tenório Cavalcanti, que mesmo quando exerceu funções oficiais de deputado jamais se separou de seu fuzil, a "Lurdinha".

Em reação à morte de colegas integrantes da polícia postam mensagens no Facebook do tipo: Na Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar) não tem tempo para luto. Antes do enterro do amigo vai começar o velório do inimigo.

É lendária a participação da Rota na repressão em São Paulo durante a ditadura militar.

Postado e feito. Em vários pontos da periferia de São Paulo um grupo de extermínio formado por soldados da Polícia Militar matou 19 de uma vez. Vingam colegas mortos. A população teme tudo: a truculência da polícia, a inércia da justiça e o governo que manda matar. Muralhas de cimento e grades e artilharia de segurança entre uma espécie de guerra civil não declarada constante, dia e noite, que faz também centenas de vítimas de balas perdidas de tiroteios entre uma e outra parte nas grandes cidades conflagradas, umas pouco mais, outras pouco menos. A autoria de mais de 90% dos crimes no Brasil não é apurada – e boa parte dela é da polícia... 2013: PM baiana é a que mais mata no Brasil. Que seja normal em periferia que polícia mate e diga que é criminoso (nem suspeito)?

Greve da Polícia Militar da Bahia: Salvador, fevereiro de 2012

Em fevereiro de 2012 o general que comandou a segurança do ex-presidente Lula da Silva e comanda tropa que cerca manifestantes da Polícia Militar em greve há quatro dias ganha bolo de aniversário de amotinados que ocupam dependências da Assembleia Legislativa do estado. Talvez na Itália acontecesse algo do gênero, comenta-se.

O episódio reflete a desumanização e deseducação do país em que o povo é apenas massa de manobra. A PM é força auxiliar das Forças Armadas e para todos os efeitos os amotinados eram também seus subordinados. Greve de polícia é proibida por lei mas eles fazem.

O governo é de esquerda e não pode opor-se frontalmente a um movimento grevista. Por isso o governador da Bahia, Jacques Wagner, viajou para Cuba. De uma hora para outra a cidade entra em estado de sítio.

Greve da PM na Bahia não é uma greve qualquer: a cidade fica sob estado de assédio e de sítio imposto pelos grevistas por uma semana. À paisana eles semeiam o pânico onde decidam fazê-lo, com trabucões nas mãos ordenando aos passageiros que desçam do ônibus que mandaram parar.
- Tem que descer todo mundo! – em todos os pontos.

Um grevista grita ao celular em sonora repetida vezes sem conta por rádio e TV e nas redes sociais:

- Eu vou queimar viaturas, eu vou queimar duas carretas na Rio-Bahia.
- Fecha a BR! – responde o comandante.
Um vândalo à paisana aponta um trabucão preto para o motorista do busu, que apoia braços e cabeça ao volante enquanto as pessoas saem. Uma jovem em êxtase ergue um casco de cerveja e leva-o à boca. A cidade em estado de sítio – bares vazios em noite de sexta-feira na cidade turística.

Fala-se em chacina de moradores de rua em Salvador. Sem vigilância, os chefes de gangues aproveitam para limpar a sua cena com execuções sumárias. Entre os capangas, policiais (polícias) militares à paisana. Os crimes aumentam 75% em relação aos dias comuns – Salvador está em 13º lugar entre as cidades mais violentas do mundo. É obra feita pelo descalabro moral, porque há décadas a violência é explorada pelos governantes e pela mídia para direcionar os cuidados do povão para a violência que os assedia a cada hora e não para o que governantes e mídia fazem ou não de certo ou errado.

Numa outra histórica greve da PM da Bahia em 2001, quando estava na oposição, o futuro governador Jacques Wagner foi acusado de se envolver diretamente no movimento. O chefe dos grevistas igualados a criminosos é o Soldado Prisco, ex-soldado dos Bombeiros e presidente da Aspra, o organismo representativo da classe dos subalternos do efetivo. Um grevista profissional e candidato a carreira política.

Dito e feito. Elegeu-se vereador, primeiro degrau na escada do sucesso no mundo político. A polícia brasileira mostra a verdadeira face, a de uma instituição cuja cultura é o desrespeito à lei e aos direitos humanos, de transgressão de parte a parte: polícia e bandido.

A promiscuidade entre militares e os desordeiros é de estarrecer. É uma prova de que as Forças Armadas não escapam ao modelo em curso.

- O doloroso é sentir a fragilidade das instituições brasileiras. O primeiro governo Lula da Silva tinha um secretário Nacional de Segurança, o cientista político Luiz Eduardo Soares, ex-secretário do governo de Anthony Garothinho no Rio de Janeiro que se deu mal com a experiência e teve de se exilar em Nova York com a família com as vidas em risco. Logo Soares ficou sem função e saiu do governo e nunca mais se ouviu falar em secretaria (com status de ministério) de Segurança Pública, que pela Constituição é responsabilidade dos governos estaduais. E pelos vistos nunca mais se irá ouvir falar de uma política articulada de segurança pública no governo federal. Segurança pública no Brasil é caso de polícia e um vespeiro em que não dá para cutucar. Consta que Soares ficou sem função por ordem do chefe da Casa Civil da presidência, José Dirceu.

O principal candidato à presidência da República pela oposição em 2014, Aécio Neves, incluiu uma única menção ao tema em no seu programa de governo com uma alusão telegráfica a um “plano nacional de segurança” que consistiria em levar Unidades de Polícia Pacificadora (UPP, do modelo do Rio de Janeiro), empregos, educação, saúde a todo o país, enfim, mais uma promessa vazia. Essa é a faceta mais boçal do Brasil: nunca se sabe quem está dentro ou fora da lei. Toda a questão da violência está rodeada de uma cortina de hipocrisia e cinismo porque é uma ferramenta de controle social pela manutenção do estado de alerta geral para o que possa acontecer no próximo passo e fica-se tão ocupado com isso e com os atropelos da existência que, claro, não dá para pensar no resto e o melhor é tomar uma cervejinha ali no bar. No Rio de Janeiro, o governador Sérgio Cabral, do indefinível PMDB, como o prefeito Eduardo Paz, não quis conversa, jogou duro, prendeu os amotinados e cortou o mal pela raiz.

É claro que também a polícia (militar) reflete o clima geral, sendo difícil saber quem entre os seus efetivos é incorruptível. Em princípio são todos corruptos. Mas é claro também que nem todos o são. Qual é o tamanho da “banda podre”, como se convencionou chamar à parcela “suja” da corporação, que é mais uma instituição a refletir o quadro geral da sociedade? Quem pode e não é do bem procura levar vantagem.

CABULA

Outro episódio emblemático relativo à insegurança pública e ao extermínio de população negra e favelada deu-se também em Salvador, em fevereiro de 2015. Uma patrulha reforçada das Rondas Especiais (Rondesp) mata 12 jovens no bairro do Cabula, região central da cidade, em um local chamado Vila Moisés mas que para a população é a Vila do Medo, Vila de um Confins enCABULAdo. Salvadorlorida: Um grupo de dúzia e meia de rapazes reúne-se num terreno usado como boca de fumo (ponto de venda de drogas). Segundo a polícia, o grupo vinha sendo monitorado e preparava-se para assaltar um banco. No carro de um deles, segundo o destacamento, foram encontrados armas, explosivos (para detonar caixas eletrônicos) e 3,5 quilos de maconha.

- Quando a turma chegou no terreno, cerca de 30 policiais saíram do matagal. Todos estavam com as mãos na cabeça e apenas dois foram encontrados com um revólver durante a revista. Uma parte foi obrigada a ficar de joelhos. Em seguida começaram a atirar. Alguns chamavam pelos parentes. Dava para ouvir os choros, suplicando para não morrerem – contou uma testemunha à imprensa local. A reação imediata do governador do estado, Rui Costa, foi de apoio e defesa da ação dos PMs, que comparou à de um centroavante frente ao gol:

– Na hora de fazer não pode hesitar – tem de acertar.

Os militares que participaram da ação alegam que se depararam com mais um auto de resistência – quando indivíduos abordados reagem com armas de fogo à polícia mas, contrariando o governador, grupos de defesa dos direitos humanos disseram que se tratou de mais um extermínio contra PPPs – pretos pobres de periferia (que é com o que mesmo bairros mais ou menos centrais de Salvador também se parecem em muitos trechos) baseado no costume da polícia de atirar para matar até em casos em que os oponentes estão rendidos e desarmados. Mata. E depois diz que é “criminoso” (nem mesmo suspeito criminoso). Os laudos cadavéricos demonstraram que os mortos foram executados à queima roupa. Apenas dois dos doze mortos tinham ficha de passagem pela polícia. A Secretaria de Segurança e o comando da corporação reagiram à acusação das ONGs dizendo que o seu objetivo é demonizar a PM.

Como aqueles indivíduos se tornaram assaltantes capacitados sem nunca terem passado pela cadeia? – perguntaram às autoridades. - É uma estratégia dos criminosos. Recrutam menores de idade e pessoas sem “passagem pela polícia” justamente com o objetivo de confundir o trabalho de inteligência e investigação.

– Assim, tá tudo dominado. É tudo deles, do crime, de que lado seja, nada nosso.

- Cabula! – um grupo de delegados interrompe aos gritos um discurso do exgovernador e então ministro da Defesa Jacques Wagner num Congresso do PT em Salvador.

26 de julho de 2015 – Vem então o “recesso” do Judiciário e, por motivo de férias do titular, a juíza suplente pega no processo e de uma penada (pernada de rasteira de esporte favorito dos brasileiros, segundo Graciliano Ramos?) em final de expediente de sexta-feira absolve 10 e não só 9 PMs – ou seja, absolve um a mais que os arrolados como réus - acusados da chacina do Cabula. A reação do governador Rui Costa, que parece mais tenaz na cara de pau que o “criador” Jacques Wagner, é pejada do cinismo do comissariado e elenco do governo federal a tudo o que o contradiga e reage dizendo que queria saber como a mídia soube logo da decisão da juíza –, que tudo indica ter sido ação combinada.

GUERRA CIVIL

– No mundo em conflito, Brasil poupado de guerras – escreve Kátia Abreu, ruralista e deputada em outubro de 2014.

Como assim?

Um fotógrafo brasileiro que trabalhou em zonas de guerra parece concordar com ela:

- Sempre me incomodou o discurso de que o Brasil tem uma guerra civil não declarada. Depois de anos trabalhando em áreas de combate entendi que no país, apesar de todos os problemas que a violência causa, o conceito de guerra não pode ser usado. Só dá para comparar se pensarmos no número de mortes. O Brasil sofre de um quadro crônico de delinquência social que não coincide com as aspirações ou possibilidades do país. São o dobro de mortes diárias em relação aos atentados bombistas no Iraque.

PM, a polícia militar de vigilância, e Polícia Civil, a investigativa: todos da mesma família: 25 de março de 2009/istoé: corrupção rola solta – Um ex-adjunto do Secretário de Segurança Pública de São Paulo vendia cargo de delegado no interior do estado por até 300 mil reais.

Delegado comanda quadrilha de milicianos: delegado de uma cidade a 295 km da capital do estado da Bahia preso em Salvador por chefiar quadrilha de milicianos com agentes da Polícia Civil em que estavam também envolvidos comerciantes e políticos.

Em 2012 a Dinamarca, em nome da ONU, recomendou ao governo brasileiro a extinção da PM. Diz o delegado Orlando Zaccome, da Polícia Civil do Rio de Janeiro:

- A polícia militar é um oximoro. Ou é polícia ou é militar. É importante termos em foco a militarização da segurança pública no Brasil, mas é bom também termos em foco a policização das políticas de segurança. As políticas de segurança ficaram policizadas. Houve uma militarização da segurança, desde o período da conciliação, na passagem da ditadura para a democratização. Foi negociada a inclusão de um artigo na Constituição que garantia às Forças Armadas o controle da ordem interna. Essa foi a maneira como os militares entenderam fazer essa passagem de poder sem que eles perdessem todo o poder.

Como força auxiliar do Exército, a PM exerceu também função repressiva durante a ditadura militar. Estando ela identificada com a repressão política e social, ao assumir o governo do Rio de Janeiro após as primeiras eleições livres para o cargo, em 1982, contra a vontade das Organizações Globo, Leonel Brizola proibiu-a de fazer vigilância ostensiva nas favelas, o que por sinal terá ao menos em parte facilitado a expansão e consolidação do poder das ditas “facções do crime organizado”.

Se a contabilidade local serve como amostra, dos 50 mil homicídios cometidos a cada ano no Brasil nesta década, segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, 80% são ordenados das prisões, onde além de todos os horrores a corrupção é de lei e não faltam meios de comunicação com o exterior. Narciso encarando piscina de esgoto: entre estupros e chacinas ainda queria ficar bem na fita. Muito errado: discussão sobre violência no país é maior que sobre educação e esporte.

O Brasil é OURO em homicídios com um crime de morte a cada 10 minutos. Segundo ONU, a medalha de prata é da Índia. O país tem 3% da população e 10% dos homicídios no planeta, de 50 a 80 por dia, dependendo da fonte: o mesmo número de homicídios na Suécia em um ano.


8 de outubro de 2015 – No topo da criminalidade: 66,5 mortes para cada 100 mil habitantes no Nordeste.

Alagoas: 76,3 homicídios por 100 mil habitantes - a taxa mais alta do país. 2013: a violência é a segunda causa mortis no país. Apenas 8% dos 50 mil homicídios registrados a cada ano são esclarecidos.

Salvador é a campeã em homicídios em 2014 entre as capitais, com 10% do total. A polícia matou 11 pessoas por dia de 2009 a 2013. Total: 11 mil vítimas. Onde a polícia mata mais: Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador: 256 pessoas foram assassinadas em 2014 na Bahia, antiga terra da felicidade, em supostos confrontos com a polícia, segundo uma organização de direitos humanos.


Em outubro de 2009 é lançada uma operação para pacificar 49 favelas através da instalação de Unidades de Polícia Pacificadora da Polícia Militar, uma contradição em termos. Entre 20 e 24 outubro de 2009 registram-se 33 mortes no Rio de Janeiro na tentativa de invasão do morro dos Macacos em Vila Isabel. Um helicóptero da PM é abatido, o que chama a atenção para o poder de fogo dos bandidos. Mas com qualquer peteleco se abate um helicóptero. Falemos de economia, volume de negócios: o faturamento anual do tráfico de entorpecentes é de 300 milhões de reais e o lucro de 27 milhões. Em 2009 a taxa de homicídios no Brasil é de 27 por 100 mil habitantes, uma das mais altas – a do Japão é de uma morte por 100 mil habitantes.

Em 15 de março de 2010 o jogador de futebol Wagner Love, atacante do Flamengo, repete as aventuras de Adriano Imperador, o seu antecessor na vaga, e vai a uma festa na Rocinha escoltado por traficantes com fuzil. Seis dias depois o governo do estado implanta uma UPP no morro do Livramento, no centro da cidade do Rio, onde as favelas começaram a brotar entre os séculos XIX e XX.

Cai a seguir o Borel, quando as autoridades repetem a promessa de que a UPP que ali será instalada irá ser o posto avançado de uma ação tendente a levar às favelas serviços de que não desfrutam e que esse será o elo de ligação entre o poder constituído e a população nas 26 favelas ocupadas em 2010, equivalentes a apenas 1% do total de favelas da região metropolitana, segundo Fernando Gabeira, fundador do Partido Verde, em campanha eleitoral para a Prefeitura carioca.

8 de Novembro de 2010 – Operação da Polícia Militar na Vila do Cruzeiro e 800 soldados do Exército cercam o Complexo (de favelas) do Alemão, de que aquela favela faz parte. A ação é antecipada em relação aos planos do governo, que decide responder a reações dos traficantes ao avanço das UPPs. A escolaridade média no morro do Alemão é de cinco anos e os rendimentos dos trabalhadores que ali residem equivalem a menos de um terço do rendimento médio na cidade.

26 de novembro – Guerra Urbana no Rio de Janeiro: Favela Vila do Cruzeiro, bairro da Penha, Complexo do Alemão – 43 mortos em cinco dias, 98 autocarros incendiados até aqui a mando de traficantes do Alemão que receberam abrigo na Rocinha e em São Gonçalo, região metropolitana da capital do estado.

A “facção do narcotráfio” em ascensão atualmente é a Amigos dos Amigos ADA.
O Globo 27 de novembro 2010 | manchete a toda a largura da primeira página:
A guerra do Rio
Intenso tiroteio entre Exército e tráfico abre Batalha do Alemão O governo anuncia entretanto que até 2020 todas as favelas serão urbanizadas, integrando-se à cidade.

2012 – 7 de março: é instalada a 19ª UPP desde o início do ano, agora no morro do Vidigal, que ficou famoso em todo o mundo quando o papa João Paulo II ofereceu o seu anel à comunidade. Com a instalação das UPPs triplicam as áreas de risco em outras regiões do Rio de Janeiro, para onde os chamados narcotraficantes se transferem.

UPP e comércio – Complexo do Alemão: 5367 negócios; 64% dos donos não vêm vantagem em legalizá-los.

2013 – Complexo do Alemão e morro do Cruzeiro: mesmo com UPP tráfico ordena que comércio feche as portas.

13 de abril de 2014 – Exército ocupa favela da Maré, no Rio de Janeiro até depois da Copa do Mundo.

27 de maio de 2014 – UPP da Cidade de Deus é atacada.

Maio de 2014 – Na Rocinha, ocupada em 2012 antes da ocupação do Vidigal, já se registram tiroteios constantes em “pontos fixos”. Causou clamor – mas também não passou disso – o desaparecimento de um pedreiro morador da favela após ter sido preso pela polícia e ao que tudo indica por ela assassinado. Ataques a três UPPs no Complexo do Alemão, na Penha, que entretanto se transformara em ponto de atração turística, que muitas favelas são por natureza. 22 de abril de 2015 – Soldados da UPP do morro de Dona Marta procuram óculos da estátua em bronze de Emijota, Michael Jackson, roubados da atração turística inaugurada em 2010, um ano após a morte do protagonista de They don’t care about us no alto do morro encantado. UPP x PPP (preto pobre de periferia): UPPs serviram para expulsar população das favelas – contas de luz hoje chegam a 500 reais – Mães de Maio ainda procuram filhos desaparecidos há 20, 30 anos. 7 de julho de 2015 – violência em áreas de UPPs. Complexo do Alemão - traficantes voltam com força total:

– O resto não foi junto, o social não foi junto, o saneamento não foi junto; onde em aparência está pacificado, como o Vidigal, é porque os traficantes deixam – comenta um âncora de rádio. E traduz tudo. Por que as UPPs não foram adiante? Ara – fala Chico Bento, cria de Maurício de Sousa -, porque não interessa.

Garoto vítima de bala perdida em Costa Barros, próximo a Madureira, e tu pode ser a próxima vítima de uma estatística. Um coroa (idoso) no interior da Bahia sai de casa curioso de ver quem está jogando tanta bomba de São João. Era um tiroteio. Morre vítima de bala perdida que o encontrou. Amargosa Revolta, Amargosa bangue-bangue, na mesma




  LITERATIROS
a n o t a s s õ e s   d e   v i a g e m   p a r a   u s o   e m   r o t e i r o   d e   d o c


como se vive em regime de guerra não declarada     sem paralelo no mundo

como numa guerra tribal – e sem dúvida entre (novas) tribos sociais   

numa sociedade que vive um apartheid (econômico) não declarado

‘escravos da miséria’ – Joaquim Nabuco

não é como Bombaim, na India, onde nas proximidades se trava guerra plurissecular

de raça e religião

ou N.Y.  ou L.A.

 

centrar no argumento básico de que há uma guerra em curso e é derivada de uma lei

burra e hipócrita: a das drogas, talvez a questão básica, porque os morros

questão das drogas que se diz na origem disso tudo – e está mesmo?

Narcotráfico: 1) tabu  2) bode expiatório  3)  cinismo/hipocrisia

 

   Há uma guerra em curso de que normalmente não se fala como tal ou quando se fala

é como metáfora: uma guerra civil não declarada.

   Mas dezenas de pessoas morrem por dia nessa guerra, vítimas de bala perdida, de

confronto com a polícia, num assalto ou num ajuste de contas do tráfico de drogas.

Não existem estatísticas fidedignas. Quantos cadáveres não passam sequer pelo IML.

E do Vietná ao Iraque todos os conflitos armados do mundo são lembrados.

2004: Colômbia – narcotráfico

2025: Mexico

O tráfico de drogas é hoje o fenômeno mais visível.

   Há uma guerra não declarada em curso. Repórter que chega deve estar preparado

para atuar em zona conflagrada, de conflito.

   Não há notícia sequer de ferimento em correspondente. De jornalista nacional,

sim, um morto. Mas de correspondente era o que faltava. A grita era geral. Acabava-

se de vez com esse estado de coisas?

   O clima de guerra, cimentado no que os sociólogos tupiniquins chamam de caldo de

cultura do escravagismo, instaurou-se definitivamente justo nos anos de maiores

expectativas positivas, na Nova República, que como tudo ao longo da história do

país foi no entanto o ninho de mais um arranjo da chamada elite e malogrou todas

elas – mais uma vez evitando uma fratura/ruptura e dinamitando na origem qualquer

projeto de mudança de paradigma, como por exemplo o do brizolismo, atacado à

nascença, no próprio dia da primeira eleição de Leonel

Brizola em 20 anos. Diz-se que a ditadura terá durado mais para evitar que ele

chegasse ao poder. Mas o problema não seria só um nome.

 

   Quilos de papel sobre o assunto em dez anos de pesquisa– serão uns 30 só de

recortes de jornal e revista? uns 6000 recortes, uns dois por dia – de 12 jornais e

meia dúzia de revistas nacionais e mais uns quantos internacionais reunidos na

década de recrudescimento da

guerra do Rio, 1988-98. Através de programas populares de TV pós-Aqui e Agora, do

tipo a vida como ela é, desde os populares programas de rádio sobre crimes, o que

mais se discute no Rio e em São Paulo é a violência e o tráfico de drogas.

   Eles são tema ou estão em pano de fundo de cada grama de papel. Mas nunca se diz

o óbvio, ou quase: a guerra – verdadeira aberração, que assumiu proporções

calamitosas, que perpassa o dia-a-dia do cidadão como um patrimônio genético: o

homem foi feito para viver sob tensão, em clima de violência, em estado de guerra.

g a cidade contra o crime uerra

   A aberração tornou-se a característica básica (não só) do Brasil (mas sendo da

dimensão que é...) nos últimos 20 anos de crise permanente, de decréscimo econômico

e agravamento – sim – das condições de vida das populações que Claude Lévi-Strauss

classificou como

miseráveis já na decada de 1930.

   A aberração é secular. – ‘os escravos da miséria’ de Joaquim Nabuco.

   O século XX as acentuou. A república de bananas ou bananão não concretizou o

anunciado encontro com o futuro de potência. Com sua vontade de potência. Tudo se

tornou aberrante com a maxi-urbanização dos anos 1960 em diante.

   Não fixar o homem na terra num país com todas as condições para dar comida a

todo mundo e sendo um dos poucos que não promoveu uma reforma agrária, ainda em

regime escravocrata – o que se paga ao trabalhador.

 

   Brasília, um exemplo extremado. Ready made no papel no plano piloto. Candangos

calangos nordestinos. Produzir Brasília no meio do cerrado e brasilienses. Ali

nunca brotou gente desde os mitológicos brasiliários de C. Lispector.

    Acabada a construção, os candangos foram fazer as próprias casas, cidades-

satélites que são a cópia do resto do Brasil.

    Abastardou-se também ela. Ao mesmo tempo, lá longe do clamor das ruas. Vê-se a

braços com um destino ingrato: produzir política e corrupção.

 

    De sistema feudal em regime feudal chega-se ao que se chegou. 20 anos de regime

militar embrutecedor ajudaram a sepultar os sonhos de futuro,  tudo calcado na

truculência das leis escritas ou não escritas e na repressão, na tortura em que se

transformaram as salas de interrogatório quando o indivíduo não pode pagar a saída,

a propina, a parada, a corrupção.

 

chora todo mundo – quem?  Zélia, no a Escolinha do Professor Raimundo

Lula

                   

                    Rio, 526 Vezes Favela

      TELENOFAVEFUTEBOLIZAÇÃO

 

            Ocorre perguntar se a miséria nos barracos ‘humildes’ de tábuas era menor que

a de hoje, quando tudo cresceu em proporção: tanto o número de miseráveis, antes

centenas de milhar, hoje na cidade – quantos, entre os habitantes das favelas,

tidos como mais de um milhão, a mais uns milhões da periferia não considerada

favela mas favelizada, mais as favelas e os seus amontoados de barracos de

alvenaria.  Cresce também em escala/dimensão o drama individual e coletivo, a

grande maioria das crianças com destino traçado, o exército do

tráfico, e escapando dele já é uma sorte. Embora trabalhador braçal-escravizado por

salários de miséria, sempre.

     Desde a origem o morro era um gueto onde vige a lei do arbítrio e silêncio.

Sempre foi terra sem lei e ordem, ou com leis próprias.

      justiça ali sempre foi feita pelas próprias mãos dos senhores – donos dos

barracos, hoje milícias.

     Espaço de marginalidade, de confissões quase proibidas, fora das convenções, a

África, com as suas tradições e a sua alegria espontânea

embora na miséria

apesar da pobreza

Foram os seus bambas que inventaram o samba e as escolas de samba e o carnaval do

Rio como o conhecemos hoje, uma das festas mais famosas do mundo e em que o poder

se exerce da mesma forma, truculenta e arbitrária. quem comanda o carnaval para

turistas – a anos-luz da espontaneidade até o dia em que proibiram o lança-perfume.

     quem o comanda é o Capitão Guimarães, venerado e venerando ( e ver se por

acaso Zuenir Ventura fala nele)

            Rio, 526 Vezes Favela

      Emijota, Emijota na Muvuca, Muvuca, Rap

e outro tanto

      Emijota na Muvuca: Muvuca

 

     fora o favelão pegado que é o seu subúrbio e o megafavelão que compõe com a

periferia, região metropolitana, Grande Rio, Rio e Baixada Fluminense.

 

      Emijota na Muvuca – as extensões de favela – o  que é ou não favela

      favela desde Sinfonia do Rio de Janeiro, Tom Jobim e Billy Blanco

      a favelização. Tudo favelizado

 

      Rio, 511 favelas em 1994 - fonte IBGE – problemas com estatística. Tornou-se

comum ler-se em 1992 (Eco 92)  que Rocinha tinha 300 mil habitantes. Hoje já se

fala só em 50 mil. Não importa. O resto tá tudo favelizado.

 

2004: em 35 destas notas relação de assuntos de pesquisa UOL FAVelas

deu 3808 n entradas /entries ao pedir favela – do dia até  quando

remoção moradores – laços afetivos

morte Gangan desarticula tráfico

Arafat, da Pedreira e do Muquiço

chacina

 Bagdá

ônibus incendiado

favela Chão de Estrelas – nomes de favelas: Brasília Teimosa

Rádio Favela

o caos social

sequestro

metodologia IBGE para definir favela: favelak

Cingapuras SP

urbanismo

armas

Adriano: Vila Cruzeiro – os fenómenos

 

favela = comunidade = movimento comunitário

associações de moradores – ganham força com abertura – final década de 1970

sobre ‘algumas coisas que talvez amanhã tenham desaparecido’  - as favelas Zweig,

156  (ou ReVisão do Paraíso) – excertos

morro: Folhas Secas, N. Cavaquinho e Guilherme de Brito,  Alvorada, Cartola

Ave Maria do Morro, Herivelto Martins

Coraçõs Futuristas – Fragmentos de Brilhante

Rio 5 Vezes Favela – um dos cinco, no morro do Pinto, curta estreia Leon Hirszman

 

            Notícias do Tirocínio

            na mídia

do tirocínio

Agendas desde 1988 e resumée levantamento 1998) e são as  que mais dão brado.

Agências de notícias então ficam em cima delas como cães em um osso. No início da

Operação Rio, fim de tarde de sexta-feira como  quem não  quer a coisa, arrumando o

escritório. Phillip Pons, correspondente do Le Monde, foi desviado de Roma para

Tóquio ao  que constou depois  que o primeiro-ministro Bettino Craxi, o Benito,

intercedeu para  que assim fosse junto do seu ami Mitterrand. Pons estava a começar

a mexer com a colher de pau, hora e vez, para não pegar no fundo da panela, no

nascente escândalo de tráfico de armas e drogas e desvios de fundos de

emergência para o Terceiro Mundo que levaram Craxi para a Somália e o ataque

cardíaco.

 

            Olhar para o panorama visto do Rio

 

ver cronologia do notciário – o surf ferroviário – de onde nasce – pingentes, de

início trabalhadores e crise dos transportes (causas: subvenções rodoviárias a

políticos) depois

garotada – foi quando se começou a ver os primeiros flashes da miséria

Comando Vermelho, Terceiro Comando, Falange Vermelha

assaltos em profusão

1989: caso Abílio Diniz

1990 – Medina, detalhes sequestro JN

1991/92 – sequestros – Eco 92 – gov Estado eleição TV Globo

1993 – arrastão Operação Rio


      1. 1994                              Operação Rio 2


mais ou menos em 1988, violência atinge patamar atual e entra na rotina

há um paralelo RJ/SP + e em menor proporção outras cidades – e EUA + grandes

cidades que Brasil


ReVisão do Paraíso  

Música do BR O a estrela sobe 

é trecho de NT ReVisões do Paraíso

o Rio dos viajantes

Brasil, País do Futuro - Stefan Zweig,

A Estrela Sobe - Marques Rebelo,

Tristes Tropiques – C. Lévi-Strauss

Zweig, 156 :  sobre ‘ algumas coisas que talvez amanhã tenham desaparecido’

e de Sergio Buarque de Holanda

para quem não vive numa rua de prédios do centro ou de Copacabana ou Ipanema,

sempre uma paisagem exótica, com um pedaço de mar, floresta ou montanha

 

Claude Lévi-Strauss, em Tristes Trópicos, não mede palavras. O lugar ocupado por

cada um na hierarquia social se media pelo altímetro: tanto mais baixo quanto o

domicílio fosse mais alto. Os miseráveis viviam pendurados nos morros

do capítulo GUANABARA

Vinda de Lévi-Strauss aconteceu por acaso OESP 6-12-92 – Encontrou um prédio de

apartamentos  


      Os manu vão mi pegá, manu Diário do acuado na boca do lobo

     Notas de Manfredo Rangel, o repórter, a respeito de Kramer

     definir personagem

 

onde de repente o mano entrega um maço de folhas   que pegou de outro mano caindo &

caindo de bandeja por  que não é sequer necessário recorrer àquela do jornalismo de

arrumar contato e gravar de-poi-men-to. Ele já está transcrito!

– com relatos de jornal, fazer diário.

absoluta necessidadede fazer uma introdução tipo E.A. Poe – ou do repórter  que 

quer conhecer (a fundo) a história e conhece – através de  quem?  - um personagem

 

      Apesar de morá por aqui memo, nunca pensei em me meter num lance desses mas

um dia teria de ser. Para aprender.

      Soou a emergência.

      É  querê si fudê memo. Aprontei uma das grossa, manu. Hoje eu me meti na boca

do lobo.

      17:30

      Si eles descobre tô fudido. Entram pela casa dentro, ra-ta-ta-ta-ta, pela

frente ou pelos muro dos fundo. A  qualquer hora a partir de agora. E o  que é  que

eu posso fazer?

         transcrever de pag. III

        Subúrbia Miséria e Sangue

    Aqui Help – o Açougue 

     a subúrbia do Rio de Janeiro, sistema aparte, paranoia, dos intermináveis e

feios subúrbios de Camus.

 

    Num país onde ficha de inscrição em posto de saúde pergunta se quando doente o

sujeito acorre à benzedeira SIM – NÃO e se é ou não alfabetizado, SIM – NÃO, se tem

acesso a rede de esgoto Sim – NÃO, água encanada SIM  - NÃO

 

O NORDESTHOJE

                 Folha de Informação

                 do sertão de Canudos

Sertões: Baixada – pesquisa feita

 

suburbia, camus

e  que suburbio e favela é esse

Deus e o Diabo na Terra da Seca – 40

Deus e o Diabo na Terra do Sol     - o western-muqueca hoje

 

À entrada do terceiro dia os rojão são de campanha eleitoral. Em Campos, campo de

batalha acirrada  que exigiu intervenção do exército no dia das eleições, o maior

ICMS e PIB do estado por conta do petróleo, berço do secretário de Segurança do

estado e da governadora afastados para fazer campanha, o clima político é de guerra

entre gangues, entre os novos príncipes das favelas – nomeadamente de Campos.

campanha deles impede entrada em favela.

     Aqui asfaltaram tudo 15 dias antes das eleição.

            Crime organizado

            Não há a bem dizer uma pirâmide invertida como na máfia.

            Ilha Grande: organização política, origem.

    Lá Lúcio Flávio aprendeu  que ladrão é ladrão e polícia é polícia, não dá para

confundir as coisa.

    Até por isso: defende-se o comando para  que se trabalha desde criancinha, nem

por simpatia. A nova governadora sec de segurança  decidiu juntar em Benfica de

ruas diferentes,

o mesmo é dizer, de movimentos diferentes. Deu no que deu.

 

    Do sertão  que fez a favela ao sertão outra favela – sempre a mesma favela

    corrupção igual em todo o mundo mas aqui com desigualdade tem agravante

   política: beatificação do ilícito – para cada R$ 1,00 declarado recebido ou

despesa de campanha político, R$ 3,00 por baixo da mesa

    antes se vivia para a política, hoje da política

    não é mal visto pela sociedade por que pela ladroeira sobe de vida

    bolsão de pobreza = clientelismo

 

prazeres absurdos e prosaicos como sair na rua de sandália havaiana

 

Darcy Ribeiro, que mais que uma raça , o índio, tentou compreender e dar um

enquadramento adequado ao Brasil – uma ídéia do Brasil. E que já não entrou no

debate sobre a canibalização, a antropofagia social das megalópoles, entregues à

lei da selvageria, no mau sentido

 

(Darcy está em A guerra dos branco e do preto)

 

Aquela ideia de A. Suassuna de escrever livro para provar que Brasil vive Guerra de

Canudos ao contrário. Canudos era a cidade contra o campo; hoje assoladas /

invadidas / assediadas por desvalidos / esfomeados do campo

 

        A guerra do Branco e do Preto

      Barrela, a parada; Ivan volta com um troféu para casa. Estupidez, render-se assim de

loucura ao turismo sexual, mas lady knight awakes de abel silva também awakes.

                Água, grita João Donato da cassete, enquanto ela conta chupando os dedos de

galinha ao molho pardo  que mora numa favela em Petrópolis.

            Help, o Açougue

   Barra pesada, paranóia, baixo astral: história da polícia e da degradação

social.

estória da polícia desde a cidade partida e do verão da lata, o Bronx – só se

alastrou nos anos 80, periferia de Los Angeles, ao longo e ao largo, pingente,

depois surf ferroviário,

depois arrastão.

   dos arrastões ao verão do apito da refavela – Black Rio – Corações Futuristas –

à desfavela e ao funk

 

   legislação, argumentação pró-contra

Paraisiense adotivo, Claude Lévi-Strauss viu em São Paulo a decadência antes do

florescimento. O Rio,

História urbana e social do Rio através de escritos, de Machado e Marques Rebelo a

hoje, pelos anos dourados à feiúra.

   Casa grande e elevador de serviço

   A ditadura economica – porquê? Apesar do potencial um Brasil do sul não vinga.

   Chacina não é Candelária – Vigário Geral – chama o ladrão

   Sabendo o  que é a Baixada, o Bronx, o Bronx é o Bronx, mas o Rio é (pior que)

um Bronx ao longo e ao largo. Bronx do assalto possivelmente mortal na Zona Sul

como a bala perdida de uma ponta (São Conrado na Baixada Vidigal e Rocinha a outra

a Baixada, a norte.

   Guerras  vêm e passam e a cada dia o Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, perde

em beleza e singeleza e ganha com epítetos sangrentos as manchetes do mundo: Rio,

Vietná, Rio, Beirute,

Rio, Bósnia, Rio, Bagdá. A cidade cresceu muito desde os anos dourados. Tornou-se

afluente de caudais humanos empurrados pela miséria do Nordeste. Agigantou-se.

Desumanizou-se. Desbotou.

Saiu do Tom. Passou da mata e da selva ao breu dos quintos dos infernos chamados

países emergentes, decaindo após um fugaz apogeu.

   Saiu de Tom Jobim mesmo. Não por acaso, a arte do maestro floresceu nos Anos

Dourados, onde todas as histórias começam, quando o Rio era uma cidade pacata,

entre Paris e um paraíso tropical. Apogeu?

   Foi de todo modo muito breve – dos anos 20 aos 50. Ou antes, o Rio de Machado,

onde também todas as histórias do Rio começam.  Ou então o Rio de Productos

Tropicaes

   Entra ano e sai ano e só mudam os termos de comparação, numa atmosfera

degradada, salvaguarda a reserva da classe média alta e alta da Zona Sul e da Barra

da Tijuca. De Beirute a Bagdá é só um passo, o Brasil não tem vulcões nem guerras

mas vive uma guerra permanente e cada vez mais violenta entre rico e pobre.

  quem nada tem vê-se como um guri que cresce numa favela ou numa dessas

intermináveis periferias de bairros degradados antes de florescer parte para a

ignorância, certo de  que irá morrer mais cedo.

 

   Cidade Partida, de Zuenir Ventura, ou Pixote – a lei do mais fraco, de Hector

Babenco, contam a história da polícia: corrupção e poder paralelo.

   Os anuários economicos narram como o país de 50 milhões cresceu para 180 milhões

e aritmeticamente na mesma proporção cresceu a miséria e a violência.

    Como evolui o outro poder paralelo, ao lado em paralelo em conluio com a

chamada banda podre da polícia – mais ou menos poderoso e organizado de que os

outros, consoante o poderio -, a polícia também. Ela espelha perfeitamente um país

em  que Maluf só cai nas malhas da 

justiça por que, alertada pela brasileira, a Suíça descobriu  que ele movimentou

US$ 1,5 bi lá.           

 

    Erva daninha, danosa, por quê, Caso Waly

    argumentos amplamente expostos títulos disponíveis em português pela Via

Óptima, do Porto.

   o narcotráfico movimenta bilhões e é um dos negócios mais chorudos e chorados do

mundo contemporâneo, um dos sustentáculos dos negócios ilícitos nas grandes redes

de informação e movimentação financeira e de aeronaves e naves ao redor. Enquanto

isso, por possuir inofensivas doses ou pequenas plantações de maconha. Outros

valores mais altos se levantam, os do império, e  quase nem se discute a  questão,

    São mais de meio milhão de presos e expropriados nos EUA, quase nove mil num

pequeno país como Portugal.de presos por posse ou tráfico de drogas.

    uma coisa é uma coisa e outra é outra

    muitos não são traficantes e possivelmente nem fazem mal nenhum a eles mesmos,

só fumando

    daí ao desespero – torna-se uma obsessão, não por vício. Por necessidade

existencial mesma.

    weed – erva daninha – no Bronx, de gréss (palavra doce) a weed (mais ainda).

 

    uma coisa é uma coisa, outra é a culpabilização do usuário, dito viciado,

dependente.

 

    Ponto de vista de Marilene Chauí – tudo o que vira moda. Ela não muda todas as

cabeças, nem de longe. tudo o  que vira moda, droga, Charlie Parker, Jimi Hendrix e

John Coltrane serão eternos por que não tiveram tempo de virar moda e envelhecer –

até o bruxo Miles encanecido chateou

 

    lugar comum dizer  que a cidade maravilhosa e o Rio de humor se perderam

 

Uma senhora de 70 anos sai de casa e leva um tiro de fuzil na cara na guerra

Vidigal-Rocinha pelo comando das bocas da Rocinha.

de quem partiu o tiro de fuzil

 

    O Joá soava mesmo na Zona Sul do Rio como num paraíso

    menina vai, com jeito, vai, senão um dia a casa cai, se alguém te convidar pra toma banho em paquetá, um piquenique na Barra da Tijuca ou pra fazer um propgrama no Joá, menina vai, com jeito vai

    Hoje está se transformando numa Miami, com os seus arranha-céus e condomínios

de luxo

fechados, mas sem o bairro afrocubano.

É uma reserva rara no Brasil por que imune à favelização, no meio de uma charneca

entre lagoas. Um zoo humano.

Lá  quase não tem violência por que os muros são altos como o da vergonha e há

vigilância pra dedéu a proteger a ferro e fogo a burguesia emergente. A Barra é

hoje o maior oásis, Brasília

sem tirar nem por, com as suas zonas de shopping e restaurantes também sob regime

de segurança máxima.

Ali estarão seguramente os tais financiadores do tráfico  que entretanto se

autofinancia e até hoje objeto não-identificado. O retailer não é o maior tráfico,

este não é um importante ponto de escoamento, como São Paulo ou Manaus.

    A Barra, do lado oposto ao do suburbio. Pela primeira vez no Rio não tem nenhum

morro por  quilometros. Sem teto nenhum pode se  quer pensar em abancar ao lado dos

grandes condomínios até porque uns com os outros e todos e cada um formam um mini-

exército de segurança.

    O movimento dos carros é controlado por radar.

 

    de um país  que perdeu a gentileza, segundo documentário de Walter Salles com

Chico Buarque.

    O Rio desbotado, que  saiu do trilho ou, como os chifrudos no tempo do Amigo da

Onça, dos fios de eletricidade, foi pelo lado errado, não sendo uma India ao menos

em cultura e

tradições e população (uma vantagem).

ver o strauss sobre india

    diferença com austrália: degredados ingleses

    Só a natureza a cada dia perde um bom quinhão de terra e mata ocupada pela

miséria

 

    Salvador, capitães da areia

 

POLÍCIA para  quem precisa de polícia: prisões

A rotina do bairro nunca mais foi a mesma.

Benfica, casa de detenção, out. 04 rebelião de policiais presos que aguardam

julgamento

Eles quebram e queimam tudo e estamos presos dentro de casa

Rebelião de policiais presos na casa de detenção de Benfica

70 esperando julgamento -  queimando papel e colchões nas mesmas celas que os

outros ocupavam – presos iguais aos outros, sem farda, iguaizinhos

O HAITI É AQUI  O HAITI NÃO É AQUI

 

S. Judas Tadeu: o santo dos aflitos e das causas impossíveis – antes não muito

cultuado

porQue associado a Judas Escariotes

sábado de aleluia – malhação do Judas

Policiais presos -  quem são? Mesmos preto, pobre e favelado  que dá dura, prende

se não extorQue – A Parada

 

Sta Teresa -  quando mataram filha do dono de O Cruzeiro é já não fui mais para a

rua brincar mesmo – solitários assaltavam à navalha

 

      Fumo: chama-se colocar a cabeça – tô colocado, manu – a sabedoria popular

intui

 

     João Gilberto é o exemplo acabado do zen brasileiro. Vive totalmente à margem,

trocou a noite pelo dia. Só aparentemente retirado do mundo, nos deu uma vida de

felicidade, na alegria e na tristeza. Seria o exemplo acabado do malandro, que do

ponto de vista ocidental

nunca trabalhou na vida, como um certo Dorival Caymmi levou a vida no canto e no

pincel.  Que o leva ao Andy Williams Show, breguíssimo mas chiquíssimo.

      Baiano mas do interior, trabalha em surdina, sua voz e o violão não chegam ao

apartamento do vizinho, mas se chegassem seriam como uma doce serenata de sonho,

como uma madrugada em Roma. Coisa de Roman Holidays.

      João Gilberto e o antigo malandro. Assis Valente : no fio da navalha

      Louco. J. Gilberto – Roma

      Opera do Malandro – malandro e botequim

 

     guerra de desinformação – na alimentação, na farmacopeia, drogas – e além

disso fontes energética, ainda na era de  queimar poluentes porque o sistema está

montado no petróleo

 

     O ato ilícito de fumar.  Cheiros e fumos. às escondidos, num canto de rua (não

no Brasil normalmente), de casa. E o ato de fumar naturalmente num restaurante de

Roma pós-revolução

dos anos 1970 ou numa esplanada de Plaza Real em Barcelona. Antigamente após a

janta os homens retiravam-se para a sala de fumo a fumar os havanos, pouco a pouco

mulheres como George Sand (só como exemplo) passaram a acompanhá-los, mesmo que não

fumassem, como os homens

 

1988 – rebelião sistema penitenciário Ari Franco-Frei Caneca, RJ

rebeliões no carnaval, iniciadas com ou seguidas de tentativas de fuga

 

já os métodos da ditadura eram ampliados dos porões da ditadura, tortura, tortura em

interrogatórios, tomadas de depoimentos, e tomavam as ruas, PMs  truculentos,

VIOLETos

caretas matam sob pressão

Rio e também posso chorar – Waly Salomão – Macalé: um caso

três exemplos beat cariocas ou ‘cariocas’ : Vinícius numa frase e noutra bossa nova

e música: e tome gravata! – permitiu-se esbravejar.

joão gilberto     dorival caymmi – o bom malandro, que não trabalha mas trabalha! e

é respeitadíssimo

Waly

E não é para denegri-lo.

contar a partir de carta de H. O. que possibilita a Waly integração total a Rio e

também posso chorar

de lá a N.Y.  pintando paredes e como secretário do poeta

Duda fala de estrela vulgar a vagar

Fragmentos pegam o suposto último malandro Charles Anjo 45

último otário

 

fumos e possível prisão – nem importa investigar obra

como nos conhecemos: Ação! – Pelourinho, a dizer Pessoa:

            Surge...

Vinícius

J. Gilberto

Waly  três personalidades beat que possivelmente expressam alguma coisa disso,

por sinal dois baianos do interior e um ‘aristocrata’ carioca

 

cannabis no Brasil ficou associado, mais que a coisa de negro, a de bandido

 

lança-perfume e carnaval

    Já em Quarup, de Callado, o éter, um capítulo. Seria natural que consumissem

heroína ou coca. Mas a coca ainda não voltara à moda e o Rio rejeita – por natureza

– drogas duras ou pesadas. Só se cheira coca, o que já não é pouco, imagina se

injetassem todas as porcarias

que nela misturam diretamente na veia. 

 

com o fim do regime, ao contrário do que se supunha, que finalmente ia acabar a

truculência, praticamente não havia mais reserva moral, ao ponto de se chegar a uma

expressão de todo o fenómeno no próprio Planalto, com Fernando Collor de Melo. Aí o

Brasil perde de vez o véu da inocência e o país vê-se a braços com anões do

orçamento, empreiteiros corruptos, Celsos

Pittas, Paulos Malufs, ladrões e corruptos.

 

     Darcy Ribeiro, fundador da Universidade de Brasília, tinha um projeto de

educação. Criou os Cieps. Como Brasília. O projeto é lindo mas o efeito, do ponto

de vista arquitetônico e também por causa da política e da burrocracia, desastroso.

Mais uma expressão de cimento

armado de Niemeyer. Há um consenso de que a falta de educação é um projeto da

chamada elite para manter o povo na ignorância e melhor (pior) explorá-lo.

 

Barrela – a Parada

 

   Um deles, corresponsal estrangeiro, entra em contato com a coisa em 1990, do

seguinte modo. Ao estágio a que então se chegara.

   Jornalista por acaso, como tanta gente, antes de tudo um flâneur, regurgita por

estar no Rio.

   Vai morar num edifício no Alto Leblon, condomínio Cidade de Veneza, da janela

vê-se o Corcovado, o Redentor, que lindo.

    - Ah, Rioô! – são as suas primeiras palavras. 

   Frequenta a praia de Ipanema, faz sauna no Sítio dos Pirilamps em Muri, os

melhores restaurantes e entre eles o RA.

    SSA – procissão do Bonfim.

    Fuma, cheira.


        Pô, tô fora! Eu ia morrendo por causa disso. Agora só uso do preto – um

contato.


Esboçar os quadros  - de boçalidade.

no caso, ninguém admite sequer fumar no presente. Experiência passada e quase nunca

no plano pessoal.

            Artistas as usam sim. Pelo menos maconha.

           

    Noite de feijoada, Maraca e Noites Cariocas no auge do Brock e sob regime de

cultura de broa de milho (Ziraldo, presidente da Funarte), à saída de casa de

famoso jornalista e produtor musical, taxista: Você é Brizola?

     Brizola também nome de droga.

     brizola:

     Brizola: ainda estamos em tempo de princípios éticos (PM não sobe em favelas)

porque expressão mesma dos anos de repressão e ideológicos – socialismo moreno – um

governo de ideias e ideais (Darcy Ribeiro) que depois também foi o que foi

 

 

fontes/bibliografia

arquivo – Rio, miséria, tráfico, 10 pastas ou as 36

Lusa-JN-RTP

levantamento 1990

agendas

escritos 1985-88-2004

 

Reflexões para o Futuro - Veja

Mídia e Violência Urbana

Cidade Partida

Os Sertões

História Social de Canudos

Raízes do Brasil

Tristes Tropiques

Brasil, País do Futuro

Malagueta, Perus e Bananaço – João Antônio

O Jeitinho Brasileiro

Brasil, País do Futuro

Tristes Tropi ues

História Social da M P B – Tinhorão

Manual da Cachaça

História Social da Cachaça

TN

 

O Pão dos Deuses

Huxley

The Emperor Goes Naked,

A Serpente Cósmica

O Cientista Lilly

Illuminati – RA Wilson

On Counterculture

The Greening of America

Era uma vez a revolução

 

jornais e revistas

O Globo

Jornal do Brasil

FSP
OESP
GM

Diário de Pernambuco

A Tarde, SSA

 Correio, SSA

Correio Braziliense

Domingo

Veja Isto É balanços sec. XX

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revoluciomnibus.com          série negra

                                                     Notícias do Tiroteio

 

            

                       

o que é que de início se revela?

De repente, um burgo da montanhosa e bela Umbria

de Francisco de Assis.

Olhar mais atento a detalhe embaixo à esquerda

fará com que o navegador solitário pense que não, na Umbria não existirão

casas com paredes exteriores de tijolo aparente e menos ainda de tijolo

mesmo. Sim, não estamos na Umbria

         

.mas no Rio de Janeiro, Brasil.

A foto é o retrato falado do país e do seu futebol - do país do futebol, não é mesmo?

                                                      

                                                                                                                  - legenda do jornal

Espaço democrático que não conhece limites sociais.

ou ao invés

bandeira em silk-screen criada por Hélio Oiticica em 1968 partir de foto de Cara de Cavalo morto em suposto tiroteio com a polícia em 1964

                     incorporo a revolta

A prática eventual epidêmica da tortura de presos políticos e a prática permanente endêmica da tortura de detentos comuns. Waly Salomão, 1992

      seja marginal   seja herói

Aqui no Rio me esperavam surpresas incríveis. A primeira delas foi ver a beleza da raça brasileira em Ipanema. É a raça dos que comeram. Depois fui ver Caxias, fui ver Madureira; lá é outra raça, a dos que não comeram. A figura dos que não comeram, do povão, de um lado, e a beleza de Ipanema, do outro, é um tremendo contraste. A beleza de Ipanema está muito mais bela, as meninas e os rapazinhos, as tribos, são uma beleza. E as subtribos de Caxias, do Méier, estão mais terríveis ainda.

Darcy Ribeiro em debate promovido pelo Jornal do Brasil do Rio de Janeiro com Ferreira Gullar, Glauber Rocha e Mario Pedrosa em 1977, quando os quatro regressavam do exílio imposto a eles pela ditadura militar

                          foto Vilma Lobo Abreu - reprodução do Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1993/setembro/12

      

        urbanismo indiano

Tarun Dutt - O economista indiano que ajudou a reeguer Calcutá, a grande complicação urbana do Terceiro Mundo, com a quinta população urbana do planeta, um em cada três habitantes a morar num ambiente de densidade e sujeira que raras favelas brasileiras conhecem, como o Rio de Janeiro antiga capital de seu país, mostra as lições que os cariocas podem aprender com a cidade para melhorá-la

Provavelmente o Brasil se urbanizou demais e muito depressa

Na India, os governos comunistas investiram no campo, fazendo reforma agrária e distribuição de terras, construindo mercados rurais e redes de transporte

estancou-se o êxodo rural

urbanismo brasiliano

no Brasil espaço rural nunca existiu como Brasil ou outra coisa. Quem morava lá era servo. Os donos daquelas terra às vezes nem conheciam os seus domínios. Viviam de  costas para eles, virados pro mar, para as Europa. Pro mundo, de todo modo looonge.

Não tinha domus lá e não o desenvolveu. Muito ao contrário e o oposto do americano, em que indivíduos, famílias, comunidades inteiras se transferiram para sempre conquistando ocupando chamando de seu tudo aquilo e desenvolvendo - à sua maneira.

 

EMIJOTA NA MUVUCA

revoluciomnibus.com                     série negra

1¾ « ³ + - - - - . / 

  Rio de Janeiro e Salvador - fevereiro de 1996                           

  Eles  não  estão  nem  aí  pra  gente

B  Arial visada dada por Marcinho VP no alto da favela.
Na entrevista colectiva, dada pouco antes de Jackson aparecer

1¾ « ³ + - - - - . / 

Brasil: clip de Michael Jackson em favelas gera protestos

Rio de Janeiro, 1 Fev (Tom Atho) - O anuncio da realizacao de um videoclip de Michael Jackson em favelas do Rio de Janeiro e em Salvador da Bahia causou violentos protestos de um membro do Governo do Estado do Rio de Janeiro.
O Secretario da Industria, Comercio e Turismo, Ronaldo Cesar Coelho, contactou segunda-feira os Ministerios brasileiros da Justica e das Relacoes Exteriores, em Brasilia, para inteirar-se sobre a legislacao brasileira de vistos de entrada no pais. 
Os jornaisbrasileiros de hoje insinuam que Coelho podera' ter tentado impedir a entrada no pais de uma equipa do realizador Spike Lee e do cantor Michael Jackson, com chegada no Rio de Janeiro prevista para 06 de Fevereiro.
Lee foi contratado por Jackson para gravar o seu proximo clip, uma faixa do CD "HIStory" intitulada "They Don't Care About Us" ("Eles nao se preocupam connosco").
"Tenho mulher e dois filhos que me amam/ Agora sou vitima da brutalidade da policia/ Estou farto de ser vitima do 'odio", diz um trecho da letra.
"Demagogia, bobagem", disseram mesmo os que discordam de uma eventual proibicao da concessao do visto de entrada a Lee, Jackson e companhia.
"Nem preto ele 'e mais, quanto mais preto de favela", disse o "roqueiro" Lobao.
Todos acreditam, a partir da simples mencao do titulo do clip, que a equipa de Lee e Jackson ira' explorar os aspectos mais miseraveis da favela a escolher, entre a de Dona Marta ou a da Rocinha.
"No momento em que estamos tentando resgatar a cidade, em que somos candidatos a sediar as Olimpiadas de 2004, um clip desse (tipo) pode ser devastador", acentuou o Secretario estadual, Coelho.
"Se ele quer mostrar miseria, 'e so' ir ao Harlem, em Nova York. Esse nao 'e um problema so' nosso" - acrescentou, crente de que "They Don't Care About Us" podera' "denegrir" ainda mais a imagem do Rio de Janeiro.
Muita gente concorda com o Secretario, mesmo que ele apelasse 'a proibicao do visto de entrada a Lee e Jackson.
"Para gravar qualquer coisa nos Estados Unidos, 'a gente tem' que apresentar o script e precisa de autorizacao", disse o director do nucleo de telenovelas da TV Globo, Paulo Ubiratan, ao "Jornal do Brasil.
"'A gente esta'" querendo levantar o Rio e vem um megastar para mostrar so' a nossa miseria. Por que ele nao vai para 'Africa ou Nova Orleans, que 'e cheia de favelas?" - inquiriu Ubiratan, indignado. 
"Podridao por podridao, eles tem a deles", acrescentou um conhecido artista plastico, juntando lenha 'a polemica que promete interessantes desdobramentos no futuro proximo.
"O que denigre 'e o fato de essas favelas existirem. Agora vamos ficar com essa hipocrisia de dizer que isso nao existe? Nao vai denegrir coisa nenhuma" - discorda um compositor famoso por cancoes de louvor 'as louras. 
Polemica por polemica, com a sua atitude, Cesar Coelho quer mesmo e' "desviar a atencao dos problemas do Rio", acusou o actor e compositor Mario Lago.
A porta-voz do Ministerio brasileiro das Relacoes Exteriores, Vera Machado, disse quarta-feira "nao estar em cogitacao negar qualquer pedido de visto ao cantor", informou hoje o jornal "O Globo", do Rio de Janeiro.
Segundo a porta-voz, caso se desloque ao Brasil, Jackson nao tera' a entrada negada. 
"Nao se pode esconder uma realidade", comentou ainda a porta-voz.
O Grupo Olodum, de Salvador da Bahia, que participara' no clip, a partir de 08 de Fevereiro, acredita que Spike Lee mostrara' a "nova face" do Pelourinho, bairro do centro historico da cidade, que conheceu em 1995
Miseria por miseria, Lee e Jackson poderiam talvez querer exibir os alagados (favelas em palafitas), existentes junto 'a Baia de Todos-os-Santos.
A Prefeita (equivalente a Presidente da Camara) de Salvador, Lidice da Mata, espera que Michael Jackson entenda "que deve mostrar mais o esforco da populacao, de maioria negra, para acabar com a pobreza, do que o lado negativo". 
O compositor Carlinhos Brown, "coqueluche" do verao com o super-sucesso "Uma brasileira", nao se importa com o que Jackson venha a fazer: ele "tem a obrigacao de mostrar todas as faces, ja' que ele proprio tem uma face mutante", disse.
A polemica em torno da terceira deslocacao de Jackson ao Brasil tambem assumiu aspectos de "baixaria".
Michael Jackson "e' um homossexual politicamente correcto, que quer fazer demagogia 'as custas da miseria brasileira e insiste nesse projecto de embranquecimento ilicito, travestido de diversas molestias cutaneas", disparou o poeta Geraldo Eduardo Carneiro.
O "Jornal do Brasil", um dos principais jornais do Rio de Janeiro publica hoje um artigo de opiniao em que reage com virulencia ao projecto de Jackson de filmar cenas na favela do Morro Dona Marta ou na Rocinha, escrevendo:
"O que Michael Jackson quer 'e livrar-se do seu inferno astral, exportando uma imagem de preocupacao social tao original quanto o seu visual plastificado, mas eficiente para compensa'-lo financeiramente da perda de mercados como o americano".

Tom Atho/Fim
rasil: clipe de Michael Jackson em favelas gera protesto

1¾ «   ‑ ‑ ‑ ‑ ­ Brasil - Michael Jackson na favela: clima de liberdade em Portugal lembrado na polemica

Rio de Janeiro, 02 Fev (Tom Atho) - Protestos das autoridades locais, editoriais de jornais e, ate', uma simpatica mencao 'a "liberdade de filmar" em Portugal: continua intensa a polemica em torno do "clip" que Michael Jackson ira' realizar numa favela carioca.
O cantor norte-americano tem chegada ao Rio de Janeiro prevista para 11 de Fevereiro, numa viagem que tambem incui uma estada em Salvador, com o realizador de cinema Spike Lee, para gravar cenas do videoclip "They Don't Care About Us".
O Governo do Estado do Rio de Janeiro chegou a cogitar proibir a equipa de Lee e Jackson a filmar nas favelas as cenas que ilustrarao os versos da cancao, incluida no ultimo CD do cantor, "HIStory", e que falam da miseria urbana.
As autoridades estaduais receiam que as imagens colhidas e montadas por Spike Lee possam "denegrir" ainda mais a imagem da cidade, que busca precisamente regenera'-la, apos anos de ma' fama internacional.
Fonte do Ministerio da Justica, em Brasilia, expressou o "constrangimento" do Ministro Nelson Jobim por um telefonema recebido pelo seu chefe de gabinete, no qual um membro do Governo estadual pediu a proibicao da entrada da equipa no Brasil.
"Nao ha' nada que o Ministerio da Justica possa fazer, ou pretenda fazer, a respeito desse pedido", garantiu a fonte, citada pelo jornal "O Globo", do Rio de Janeiro, quinta-feira, dia do anuncio oficial da concessao do visto.
"Muito pior do que uma eventual exposicao das favelas brasileiras seria a pessima repercussao internacional de um veto como esse", acrescentou o assessor de Jobim.
"A realidade a ser mostrada no clip pode nos angustiar, mas nunca nos envergonhar", concordou o Prefeito (equivalente a Presidente da Camara) do Rio de Janeiro, Cesar Maia, que pretende convencer Jackson a actuar no Rio no proximo reveillon.
Spike Lee garante que nao viajara' para o Brasil apenas para gravar cenas de miseria, quando a poderia mostrar "nos guetos de Nova York".
O realizador norte-americano atribuiu a origem da polemica a um politico "que deve estar a querer candidatar-se a alguma coisa".
A "carapuca" cabe perfeitamente na cabeca do Secretario da Industria, Comercio e Turismo do Governo do Estado, Ronaldo Cesar Coelho, que chegou a tentar convencer o produtor do clip a enviar-lhe o guiao das filmagens para exame previo.
"Ele deve 'e estar com vergonha porque nunca fez nada pela favela", reagiu por seu turno um morador da favela do morro Dona Marta, no bairro de Botafogo, onde Spike Lee podera' colher imagens.
Uma voz ergueu-se no meio da polemica para elogiar o clima de "liberdade de filmagem" que se tem em Portugal - a da realizadora Daniela Thomas, co-autora do filme "Terra Estrangeira", de 1995.
Ela lembrou quinta-feira que as exigencias feitas pelas autoridades portuguesas 'a equipa foram "minimas" e que os profissionais brasileiros nao tiveram "problema algum" para filmar no pais 
"Nao nos pediram nenhuma informacao previa sobre o filme. A liberdade foi total" - disse a realizadora ao "Globo".

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Brasil: Michael Jackson parte, polemica "esquenta"

Rio de Janeiro, 13 Fev (Tom Atho) - O Michael Jackson regressou hoje aos EUA, apos quatro dias no Brasil para gravar trechos de um videoclip, mas a polemica em torno das suas gravacoes numa favela do Rio de Janeiro continua. 
A polemica, iniciada ha' oito dias com a decisao de um juiz de proibir a gravacao do videoclip na favela do morro Dona Marta, "esquentou" com as reaccoes das autoridades policiais 'as gravacoes ali feitas domingo por Jackson.
As gravacoes do cantor, sabado, em Salvador da Bahia, tambem continuam em destaque nos noticiarios, apos fonte da Policia Militar (PM) da capital baiana ter anunciado segunda-feira a abertura de um inquerito sobre a participacao de soldados na gravacao do clip.
Destacados para fazer a seguranca de Jackson, os 200 soldados da chamada "Tourist Police", o batalhao da PM do Pelourinho (centro historico de Salvador), acabaram por actuar como figurantes na futura peca promocional do 'ultimo CD do cantor, "HIStory".
A equipa do realizador Spike Lee seguia o cantor com as cameras ligadas onde quer que ele fosse, e Jackson chegou a gravar uma cena em que corre - supostamente a fugir - 'a frente dos "PMs".
Noutra cena gravada sabado no Largo do Pelourinho, Jackson - que fazia mimica e dancava ao som do tema do clip, "They Don't Care About Us" (Eles nao se importam connosco) - tirou o cacetete de um soldado e o exibiu triunfante enquanto "cantava".
O comando da PM baiana nao gostou nada desta cena, captada e difundida amplamente pelas emissoras de televisao brasileiras.
As negociacoes da equipa de producao de Michael Jackson com representantes do controlador do trafico da favela, Marcinho VP, para obter a autorizacao de gravar na favela Dona Marta, assumiu o primeiro plano na polemica "Rio de Janeiro versus Michael Jackson".
Um suposto acordo entre a produtora norte-americana do videoclip e os traficantes foi recebido como uma afronta 'a autoridade publica pelo comando da policia do Rio de Janeiro.
O director da Policia Civil, inspector-delegado Helio Luz, condenou o cantor e Spike Lee por supostamente terem pago a VP para gravar, domingo, num panoramico terraco no alto da favela.
"Pode-se filmar onde se quiser, gratuitamente, no Rio de Janeiro, porque nao ha' 'area de proteccao na cidade, e qualquer um pode filmar que nao vai ter de pagar a ninguem", garantia o delegado na tarde de segunda-feira, quando Jackson fazia compras em Ipanema.
O Secretario de Seguranca do Governo do Estado, general Nilton Cerqueira, manifestava entretanto a conviccao de que "alguem teve de pedir autorizacao a alguem" para gravar no alto do morro Dona Marta.
O general, que concluia a sua primeira conferencia de imprensa para correspondentes estrangeiros, comecou por censurar os orgaos de informacao brasileiros pela extraordinaria repercussao da presenca de Michael Jackson no seu pais.
"Existem artistas melhores no Brasil que a imprensa nao ecoa, e ecoa so' esse alienigena", lamentou o general, que logo a seguir manifestou incomodo pela repercussao nos jornais cariocas de uma conferencia de imprensa dada por Marcinho VP no alto da favela.
Na "colectiva" improvisada, concedida pouco antes de Jackson aparecer no terraco da casa que serviu de base e cenario da producao do clip, Marcinho VP acusou as autoridades de terem abandonado as populacoes faveladas.
Com cerca de dois mil habitantes, a favela do morro Dona Marta 'e uma das mais pobres da cidade, com esgostos a ceu aberto e pelo menos 60 por cento das suas criancas vitimas de conjuntivite.
O chefe do trafico do Dona Marta disse tambem na entrevista que os traficantes do Rio estao a pensar em fazer "guerra" 'a Policia Militar.
Marcinho VP garantiu que "qualquer quadrilha" podera' matar um "PM" por dia.
O Secretario de Seguranca do Rio de Janeiro indignou-se ao ser-lhe manifestada estranheza pelo facto de a policia nao prender um homem que exibiu-se domingo, sem disfarces, a um "batalhao" de reporteres.
"Como 'e que os jornalistas encontram-se com Marcinho VP e a policia nao o encontra?" - perguntou um jornalista.
"Se a policia soubesse onde eles (os traficantes) estao, ja' os teria prendido", limitou-se a responder general.
Jackson chegou e partiu deixando um rastro de polemicas escaldantes, mas paradoxalmente a impressao por ele causada nesta sua terceira estada no Brasil foi a de um "astro" simples, simpatico e paciente.
Com tanta polemica, ninguem investigou a identidade do casal de criancas que acompanhou o cantor - longe das cameras, sempre de mascara - na sua excursao ao Brasil.
O "astro" assentiu inclusive em fazer uma declaracao atraves das cameras da TV Globo ("I love you, Brazil", disse textualmente) e chegou ao ponto de - sorridente e de "pele superbranca", como foi por ela definida - beijar a face da reporter negra que o abordou.
"A polemica em torno da vinda de Michael Jackson conseguiu ate' restituir ao cantor a condicao de negro", admirou-se o realizador de cinema Arnaldo Jabor em comentario no principal telejornal da TV Globo, na noite de segunda-feira.
A equipa de Spike Lee realizou 20 horas de gravacoes em Salvador e no Rio de Janeiro, de que serao aproveitadas apenas dois minutos no clip.

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Brasil: suspense em torno da gravacao de videoclip de Michael Jackson

Rio de Janeiro, 08 Fev (Tom Atho) - Informações contraditorias dominam o noticiario do dia a proposito da polemica em torno da gravacao de um videclip de Michael Jackson numa favela do Rio de Janeiro.
A editora do cantor norte-americano, Sony Music, chegou a anunciar a meio da tarde de quarta-feira que Jackson cancelara a deslocacao no Rio de Janeiro para participar nas gravacoes na favela do morro Dona Marta, no bairro de Botafogo.
Motivos do cancelamento: a grande repercussao da divulgacao do projecto do cantor de gravar parte do clip no Rio de Janeiro e o atraso na concessao do visto de entrada de Jackson no Brasil, que so' seria autorizado na noite de quarta-feira.
Mais tarde, porem, um funcionario da mesma editora diria nao haver qualquer alteracao nos projectos do cantor, que deveria chegar ao Rio sexta-feira para participar nas gravacoes do videoclip no proximo domingo.
Em Salvador da Bahia,, membros do bloco Olodum anunciavam entretanto uma mudanca de planos na producao do clip: Jackson teria desistido de gravar no Rio e decidido aparecer apenas nas cenas na capital baiana, inicialmente marcadas para a proxima semana.
O cantor teria a sua chegada a Salvador prevista para sexta-feira, segundo directores do Olodum, que participara' nas gravacoes, no Pelourinho - centro historico da cidade -, com 200 percussionistas.
A policia de Salvador montou um esquema de seguranca semelhante ao utilizado aquando da visita do Papa Joao Paulo II 'a cidade, em 1991.
220 soldados da Policia Militar cercarao as entradas do bairro para evitar a aproximacao de populares e as lojas nao abrirao no sabado, dia em que a equipa de Jackson, dirigida pelo realizador Spike Lee, devera' gravar entre as 07 e as 22 horas.
A noticia do possivel cancelamento da deslocacao de Michael Jackson ao Rio de Janeiro coincidiu com o anuncio da decisao de um juiz-desembargador do Tribunal de Justica deste Estado brasileiro de suspender a proibicao das gravacoes na cidade.
"Mostrar a pobreza nao 'e denegrir a imagem de uma cidade e sim chamar a atencao para aquilo que os governantes do mundo inteiro parecem nao fazer: preocupar-se com os pobres", disse o juiz Humberto Perri no seu despacho.
Nele, o juiz alega tambem que "indeferir a feitura do clip, em 'ultima analise, significa voltar aos tempos da odiosa censura previa".
A autorizacao das gravacoes fora suspensa por 20 dias por ordem de um juiz do Tribunal de Fazenda (Financas) do Rio na segunda-feira.
No dia seguinte, o juiz recuou, reduzindo a proibicao para cinco dias, o que nao inviabilizaria a realizacao do videoclip, apenas a adiaria de domingo para segunda-feira.
Nesse mesmo dia, Spike Lee disse em entrevista a um jornal carioca que a proibicao da gravacao faria com que o Brasil parecesse "uma republica das bananas".
O realizador de "Do The Right Thing" e "Malcolm X" afirmou quinta-feira ao mesmo jornal nao saber de nenhuma mudanca nos planos de gravacao de Michael Jackson no Brasil.
O produtor do clip, o norte-americano Butch Robinson, fez no mesmo dia uma tomada de cenas na favela do morro Dona Marta, mas foi impedido, supostamente por um emissario de traficantes de drogas, de fotografar algumas áreas.
O suposto emissario orientou os acompanhantes brasileiros de Robinson sobre os locais que nao deveriam ser fotografados, informou hoje o jornal "Folha de Sao Paulo".
"E' terrivel que haja gente a viver assim. E' triste, mas esta 'e a sua realidade" - comentou o produtor, apos ter visto esgotos a ceu aberto e mal cheirosos e casebres de madeira encavalitados no declive 'ingrime do morro.
O "tiro" do Secretario de Industria, Comercio e Turismo do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Ronaldo Cesar Coelho, contra gravacoes do clip na favela Dona Marta, saiu pela culatra.
Segundo o Secretario, ao mostrar a miseria na favela, Jackson pretenderia "denegrir" a imagem da cidade - e esse foi o argumento que levaria o juiz do Tribunal de Fazenda do Rio de Janeiro a proibir as gravacoes.
A noticia deu a volta ao mundo atraves dos telejornais, que acabaram por mostrar em detalhes imagens da favela, dando muito mais publicidade internacional 'a miseria ali reinante do que as cenas a incluir no videoclip de Jackson poderiam dar.
A grande maioria dos comentaristas brasileiros considera que o episodio acabou por dar uma pessima imagem do Rio de Janeiro e do Brasil, de que a cidade "maravilhosa" seria um espelho.

Tom Atho./Fim

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      Os manu vão mi pegá manu - Diário do Acossado na Toca do Lobo que é Louro 

    POR                  UMA BALADA           DA                               PERDIDA

27 de março de 2003

O que tem a ver o Brasil e os brasileiros com as imagens do bombardeamento a Bagdá, outra capital mundial da violência?

Eles mais uma vez constatam: a violência em suas maiores cidades chega a ser maior que a capital do antigo califado das mil e uma noites. Até porque onde vivem nunca se sabe se alguma vez se será morto ou ferido, nem porquê nem por quem. Não há nenhuma guerra declarada ou a declarar., nenhum exército inimigo nas redondezas, nenhum motivo aparente para morrer de susto de bala ou grito. Não há por que temer ser morto ou ferido  por uma bala perdida  ou de fogo cruzado entre soldados do 7. de Cavalaria e fedayns. Mas os noticiários estão pejados de informes sobre sub metralha doras e granadas usadas pelos soldados do tráfico, que têm tanto ou mais intimidade com elas que os parentes dos fedayns.

O Brasil não tem nada e para os habitantes de cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Vitória do Espírito Santo tem tudo a ver com o choque-e-espanto bélico médioriental. Vai receber pelo menos menos 2 dos 17 bilhões de dólares que deveria receber este ano em investimentos diretos, diz o governo ao refazer as contas. E vai perder muito mais que isso. O seu presidente ex-metalúrgico pode até perder o cargo se insistir na política recessiva a que se diz estar obrigado por herança do governo anterior e por sua vez obrigar os brasileiros a conviver com números crescentes de desempregados subalimentados, maltrapilhos e malcriados a formar uma horda de assassinos potenciais mais os seus filhos, que sem outros recursos irão engrossar o exército do narcotráfico e outras delinquências muito bem armadas.

Onde mais no mundo um exército juvenil ostenta sub metralha doras contrabandeadas e granadas e outros engenhos de uso exclusivo das Forças Armadas, cometendo assaltos sequestros e até atentados contra juízes (¿nova Cosa Nostra? ¿nova Camorra? !¿ nova Sodoma &Gomorra ?!)  E ainda há quem diga que não há no mundo lugar como este aqui, sem furacões, terremotos e guerras. Quem fala assim é porque não é favelado ou mora em cercanias de uma favela e não tem nenhum parente no tráfico ou que foi assaltado, morto ou ferido - centenas deles por fim-de-semana, dezenas no Rio e em São Paulo, todos os dias.

Traços luminosos de projéteis em curva de cá para lá de lá para cá na geometria de tiroteios entre guangues de facções criminosas rivais, medo constante de que quem te aborda te violente de algum modo, morre-se mais nas cidades brasileiras que no Vietnã, na Bósnia ou no Iraque, do Curdistão a Bassora e Umm Qasr, crescente fértil, mesopotâmia da coca refinada, reprocessada e misturada a tudo o que é sorte de produto - esses ainda mais - maléficos. Já se viu até explosões de bombas - onde é que isso vai parar?

Aqui sim parece o final dos tempos num apocalipse sem nenhum pretexto, sequer fictício, ou pior: porque não se distribui renda ou nunca se discutiu essa droga da questão das drogas a não ser sob o prisma da hipocrisia. O que há muito se temia aconteceu, de forma diferente? o morro desceu para o asfalto e a violência que dele emana é uma outra forma de revolta. Cega e ignara. Só em Bagdá se disputa partidas de futebol entre bombas? Aláa! Aláa! Viu a bala lá?

Que papelão. 

De araque.


  

        Os manu vão mi pegá manu - Diário do Acossado na Toca do Lobo que é Louro 

       ALI BABUSH CONTRA OSAMA BINLADA

 

de 27 de março de 2003

  a  06 de junho de 2004

Não é esta a Bagdá dos sonhos das mil e uma noites. O poço também não é o dos desejos de Aladim. A flauta não encanta serpentes. Atiça-as para a picada fatal. A poção mágica não está no copo. O veneno está num poço e é exaurido até a última gota para matar. Ali Babá é Ali Babush, o pretenso novo emir. Os cowboys do petróleo texanos são os 40 ladrões. Os guerrilheiros de Alá, diz a CNN, são terroristas. Sherazade é a soberba do poder absoluto que semeia o pânico e o terror. Babilônia é a mátria das línguas inaudíveis.

  por uma bala perdida  

  choque-e-espanto  

   !¿ nova Sodoma &Gomorra !¿

Traços luminosos de projéteis em curva de cá para lá de lá para cá na geometria de tiroteios entre guangues de facções criminosas rivais, medo constante de que quem te aborda te violente de algum modo, morre-se mais nas cidades brasileiras que no Vietnã, na Bósnia ou no Iraque, do Curdistão a Bassora e Umm Qasr, crescente fértil, mesopotâmia da coca refinada, reprocessada e misturada a tudo o que é sorte de produto - esses ainda mais - maléficos. Já se viu até explosões de bombas - onde é que isso vai parar?

Aqui sim parece o final dos tempos num apocalipse sem nenhum pretexto, sequer fictício, ou pior: porque não se distribui renda ou nunca se discutiu essa droga da questão das drogas a não ser sob o prisma da hipocrisia. O que há muito se temia aconteceu, de forma diferente? o morro desceu para o asfalto e a violência que dele emana é uma outra forma de revolta. Cega e ignara. Só em Bagdá se disputa partidas de futebol entre bombas? Aláa! Aláa! Viu a bala lá?

                

 

 

 

 

 

 

FAVELIZAÇÃO
NEOMEDIEVALIZAÇÃO URBANÍSTICA
EM BARBÁRIE




Vélo do Brasil - Le documentaire - Un film de Alexis Monchovet, Raphaël Krafft, Christophe Bouquet

(2014)

a favela do Vidigal, onde o Papa Karol Woytilla deixou um caxuxo em 1982, quando ela já ocupava toda a encosta da avenida Oscar Niemeyer
   vista com zoom e blow up

tours pelas favelas
o guitarrista do Living Colour, Vernon Reid, que esteve no Morro do Vidigal durante o Hollywood Rock
agência de Ipanema lança no mercado turístico um programa de visita ao Morro do Vidigal
Debruçada sobre o mar e com uma das vistas mais bonitas do Rio, a comunidade do Vidigal, povoada por 40 000 habitantes
o passeio anunciado como "uma aventura por entre os casebres coloridos, habitados por uma população afável, ao som de música dançante"
inusitado programa, que custa 34 dólares,

 

/

a partir de foto de  Vilma Lobo Abreu - reprodução do Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1993/setembro/12


 

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