revoluciomnibus.com  James Anhanguera ERa Uma Vez A RevolUÇÃo  ...V DROGA LOUCURA E VAGABUNDAGEM ocupaÇÃo

       Em cinco meses só pagam uma renda de casa e como tanta gente passam a estar em regime de ocupação. Ao voltar uma tarde veem que o filho carateca do proprietário, que mora dois andares acima, tirou a porta do studio. O que fazer? Ed decide telefonar à Rádio Renascença ocupada, porque ali decerto haverá alguém minimamente informado sobre esse tipo de situação ‘revolucionária’, já que agora não é mais a ‘emissora católica portuguesa’ mas ‘a voz dos operários, camponeses e de todos os trabalhadores’. Dito e feito. Aconselham-no a ir a um quartel em Alcântara, que é o que trata dessas coisas na freguesia. Quando voltamos já está à espera um jipe com quatro soldados, que obrigam o filho do proprietário a recolocar a porta e intimam-no a não importunarem os ocupantes de novo. Reintegração de posse em tempo de inversão de papeis. Uma vez na vida não faz mal a ninguém, como experiência. Dá-nos a sensação de que o ‘crime’ compensa.

 

       Só em função disso uma tarde em que por acaso estão no Chiado decidem a contragosto alinhar numa manife contra o encerramento das instalações da RR ocupada pelo governo. Agora, do outro lado da barricada – e da vida. É a última vez em que participa de alguma coisa com Eloísa. Dias depois o governo comete um acto terrorista ao fazer explodir os emissores da rádio. Único modo de arredar de vez a hipótese de subsistência de uma pretensa ‘voz dos trabalhadores’ que em verdade não é voz de nada.

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